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A importância da música em sala de aula em todas as áreas dos conhecimento

A MÚSICA NA SALA DE AULA


A Música na Sala de Aula: um recurso facilitador para o ambiente na hora do ensinar/aprender

Autora: Solange Gomes da Fonseca


É fundamental que o ensino de Musica seja feito de modo agradável e divertido para que o ambiente na hora do ensinar/aprender surta efeito positivo, tanto para quem ensina, como para quem aprende.
A prática de aula de musica em sala desenvolve habilidades, define conceitos e conhecimentos e estimula o aluno a observar, questionar, investigar e entender o meio em que vive e os eventos do dia a dia, através da musicalidade. Além disso, estimula a curiosidade, imaginação e o entendimento de todo o processo de construção do conhecimento de forma sonora e descontraída.
O objetivo do texto é mostrar uma maneira facilitadora e descontraída, apresentando a música e a musicalização como recursos facilitadores para o desenvolvimento da inteligência e a integração do ser, na hora do ensino/aprendizagem. Mostrando assim, a capacidade que a musica tem de influenciar o homem física e mentalmente, podendo contribuir para a harmonia pessoal e facilitando a integração entre o professor/ aluno e aluno/aluno.
A intenção do texto, também é de apresentar a música na sala de aula, não apenas como experiência estética, mas também como facilitadora do processo de aprendizagem, como instrumento para tornar a escola um lugar mais alegre e receptivo, e também ampliar o conhecimento musical do aluno. Afinal, a música é um bem cultural e seu conhecimento não deve ser privilegio de poucos. Sugerindo assim, que a escola oportunize a convivência com os diferentes gêneros, apresentando novos estilos, proporcionando uma análise reflexiva do que é apresentado e permitindo que o aluno se torne um sujeito mais crítico em suas escolhas pela vida.
A música é uma linguagem universal tendo participado da história da humanidade desde as primeiras civilizações. Suas atividades de musicalização permitem aos alunos conhecer melhor a si mesmo, desenvolvendo sua noção de esquema corporal e, também permitindo a comunicação com o outro, contribuindo de maneira facilitadora de descontração, como reforço no desenvolvimento cognitivo/lingüístico, psicomotor e socioafetivo do aluno.
Seu desenvolvimento cognitivo/ lingüístico é a fonte de conhecimento do aluno, onde ele tem a oportunidade de experimentar em seu dia a dia. Dessa forma, quanto maior a riqueza de estímulos que o aluno receba melhor será seu desenvolvimento intelectual.
No seu desenvolvimento psicomotor, as atividades musicais oferecem inúmeras oportunidades para que o aluno aprimore sua habilidade motora, aprendendo a controlar seus impulsos e controlando o seu equilíbrio do seu sistema nervoso. Isto, porque toda expressão musical ativa age sobre a mente, favorecendo a descarga emocional, a reação motora e aliviando as tensões. Daí nasce, na sala de aula a necessidade das atividades como cantar fazendo gestos, bater palmas, sendo experiência importante para o aluno, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, que são fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita.
E por ultimo temos o desenvolvimento socioafetivo, aonde o aluno aos poucos vai formando sua identidade, percebendo-se diferentes dos outros e ao mesmo tempo buscando integrar-se com os outros. Nesse processo a autoestima e a autorealização desempenham um papel muito importante, na hora do ensinar/aprender. Através do desenvolvimento da autoestima, o aluno aprende a se aceitar como é, com suas capacidades e limitações.
As atividades musicais coletivas numa sala de aula favorecem o desenvolvimento da socialização, estimulando a compreensão, a participação e a cooperação entre o professor e a aluno. Através dessas atividades, o professor pode perceber quais os pontos fortes e fracos dos alunos, principalmente quanto à capacidade de memória auditiva, observação, discriminação e reconhecimento dos sons, podendo assim, vir a trabalhar melhor o que está defasado.
O professor pode selecionar músicas que falem do conteúdo a ser trabalhado em sua área, isso vai tornar as aulas dinâmicas, atrativas e vai ajudar a recordar informações passadas. Mas, a música também deve ser estudada como matéria em si, como linguagem artística, forma de expressão e como um bem cultural da nossa sociedade.
Ao considerar as diferentes habilidades, a escola esta dando oportunidade para que o aluno se destaque em pelo menos uma delas, ao contrário do que acontece quando se privilegiam apenas as capacidades lógico/matemática e linguística.
De acordo com esta perspectiva, a música é concebida como um universo que conjuga expressão de sentimentos, idéias, valores culturais e facilita a comunicação do individuo consigo mesmo e com o meio em que vive.
Ao atender diferentes aspectos do desenvolvimento humano: físico, mental, social, emocional e espiritual, a musica pode ser considerada um agente facilitador e descontraído em todo o processo educacional.
A presença da música na educação auxilia a percepção, estimula a memória e a inteligência, relacionando-se ainda com as habilidades lingüísticas e lógico/matemática, ao desenvolver procedimentos que ajudam o professor a se reconhecer e a se orientar melhor no mundo, contribuindo para o envolvimento social e despertando noções de respeito e consideração pelo outro, abrindo espaço para um melhor rendimento do ensinar/aprender.
A linguagem musical tem sido destacada como importante área de interesse e de gosto de todo ser humano. Sendo assim, considerada como um recurso interessante, importante e vasto para a elaboração de atividades na sala de aula. Tendo com certeza, um aprendizado de qualidade e satisfação tanto para o aluno como para o professor. A música como alternativa didática aguça o interesse do aluno, que muitas vezes, sem perceber se encontra totalmente envolvido no processo, uma vez que o conjunto de palavras contidas no texto da música é aproveitável em distintas temáticas como ponto de partida na construção do ensino/aprendizagem.
A música promove em alunos com necessidades especiais uma maior inserção no convívio social. É notável em uma sala de aula que a musica utilizada como base curricular em diferentes disciplinas é de extrema importância, pois garante um resgate do aluno para com o conteúdo e para com o professor. O simples fato de ter uma musica no ambiente escolar, enquanto são desenvolvidas as explicações do conteúdo didático, já favorece um melhor comportamento disciplinar por parte dos alunos no transcorrer da aula.
O professor pode e deve trabalhar todo o tipo de música: popular, clássica, massa, folclórica, vanguarda, religiosa, entre outras, pois reforçam a pluralidade do universo musical e abre portas para que o ensinar/aprender torne-se prazeroso, facilitador e descontraído no ambiente de sala de aula.
Entretanto, vale ressaltar no texto que, infelizmente, o uso da música na escola não é uma realidade para todos os alunos. Se pararmos para verificar, vamos concluir que a música, como ensino sumiu das escolas. Isso é ruim porque o aprendizado da prática musical favorece a condição do aluno em relação a sua criatividade. Porém, pior do que não trabalhar a musicalidade, como uma ferramenta importante para a aprendizagem, é enxergá-la somente sob o ponto de vista estético.
Portanto, através da música, o professor tem uma forma privilegiada de alcançar seus objetivos, podendo explorar e desenvolver características no aluno. O aluno com a educação musical cresce emocionalmente, afetivamente e cognitivamente, desenvolvendo sua coordenação motora, acuidade visual e auditiva, bem como memória e atenção e, ainda, sua capacidade e sua criatividade na comunicação.

Como fazer uma paródia musical


Não dá para negar que a paródia é uma atividade didática popular entre alunos e professores das mais variadas disciplinas. Sendo assim, resolvi disponibilizar algumas dicas que possam auxiliar na preparação e apresentação deste tipo de atividade.
Primeiramente, é importante saber que a paródia - imitação, na maioria das vezes cômica, de uma composição literária - não está restrita apenas às músicas. O prof. Roberto Lima, ao escrever sobre tipos de paródia, distingue quatro tipos principais que podem ser utilizados em sala de aula.





Por exemplo, na paródia dramática, pode-se utilizar fatos históricos e modificá-los de maneira cômica; na paródia poética, pode-se utilizar textos ou poemas preexistentes e modificá-los de acordo com o contexto histórico ou tema estudado; na paródia gráfica, enfim, pode-se pegar uma história em quadrinhos ou tirinha, retirar os balões e recriar a história baseada em temas diversos.




Ficha para acompanhamento de atividade com música:

1.    Formulário do professor

Quanto aos resultados obtidos neste conteúdo que foi reforçado pelo uso da canção
Professor (a): _________________________________________________________________
Tema conteúdo estudado):___________________________________________________________
Música:______________________________________________________________________
Motivação para o tema: ( ) aumentada ( ) diminuída ( ) sem alteração
Participação do aluno: ( ) ótima ( ) boa ( ) regular
Acertos nas questões ou temas
estudados com música ( ) maior ( ) igual ( ) menor
Ideologia da música ( ) compreendida ( ) não compreendida
Considerações pessoais:__________________________________________________________

2.    Relatório final do professor no encerramento do ano letivo

Professor(a):____________________________________________________________________
Aplicação da metodologia: ( ) viável ( ) inviável
Aceitação da parte dos alunos ( ) boa ( ) de rejeição
Faça considerações quanto a:
- Antagonismos professor-aluno provocados pelo gosto musical do professor em confronto com o do aluno.
- Dificuldades e possibilidades de ensino con¬statadas no uso da metodologia.
- Gosto musical dos alunos observado quanto a gênero do presente e do passado.
- Atribuição de uma nota à experiência musical utilizada (de zero a dez).
- Possibilidades de desenvolvimento de uma pedagogia musical a partir do uso freqüente da músi¬ca por todos os professores.
- Considerações pessoais do professor (críti¬cas, observações, deduções, sugestões).
- Da necessidade de se conhecer a história da MPB para se aplicar a metodologia.
- Da necessidade de se ter na escola a Enci¬clopédia da Música Brasileira, da Publifolha, para se ter as biografias de autores e intérpretes.

Resultados Obtidos

Considerando-se apenas a atribuição de no¬tas em avaliações quantitativas, aferiu-se que os con¬teúdos reforçados com a audição musical foram 8% maiores.
Ademais, constatou-se, de parte dos alunos, os seguintes resultados, levantados através das fichas de avaliação do método.
a) música adequada ao tema? sim (98%).
b) a música facilitou o entendimento do tema? sim (95%).
c) essa música você considera de gente ultrapas¬sada? Não (98%).
d) você entendeu a ideologia da letra da canção? sim (94%).
e) esteticamente você considera esta música: bonita (95%).
f) ajudou na fixação do conteúdo? sim (97%).
g) a apresentação da música no decorrer da aula é um momento: agradável (97%).
Quanto às considerações pessoais sobre as vanta¬gens da audição da canção em sala de aula, as res¬postas foram positivas, no sentido de que:
- propicia um momento mais descontraído e agradáv¬el;
- é bem mais fácil a fixação do conteúdo;
- aprendeu-se mais ouvindo do que copiando do quadro;
- melhorou a aprendizagem, etc.

3. Formulário do aluno

Apreciação do aluno quanto à audição da música para o conteúdo:_________________
Música adequada ao tema? ( ) sim ( )
A música facilitou o entendimento do tema? ( ) sim ( ) não
Essa música você considera de gente ultrapassada? ( ) sim ( ) não
Você entendeu a ideologia da letra da canção? ( ) sim ( ) não
Esteticamente você considera esta música: ( ) bonita ( ) feia
Ajudou na fixação do conteúdo? ( ) sim ( ) não
A apresentação da música, no decorrer da aula,
é um momento agradável? ( ) sim ( ) não
1-Faça alguma consideração pessoal sobre as vantagens da audição desta canção, nesta aula:_____________________________________________________________
2-Manifeste sua opinião quanto ao uso da canção popular em sala de aula nas diversas disciplinas:____________________________________________________________________


Sites:

- letras de músicas: www.vagalume.com.br
- vídeos das músicas: http://www.youtube.com
- gravar as músicas: http://www.4shared.com


SUGESTÕES DE MÚSICAS E PARÓDIAS PARA A ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS,
 DE LINGUAGEM E CIÊNCIAS NATURAIS E EXATAS


1-    Navio negreiro  -  O Rappa   -    aborda a discriminação racial

Todo Camburão tem um pouco de Navio Negreiro.
Tudo começou quando a gente conversava
Naquela esquina alí
De frente àquela praça
Veio os homens
E nos pararam
Documento por favor
Então a gente apresentou
Mas eles não paravam
Qual é negão? qual é negão?
O que que tá pegando?
Qual é negão? qual é negão?
É mole de ver
Que em qualquer dura
O tempo passa mais lento pro negão
Quem segurava com força a chibata
Agora usa farda
Engatilha a macaca
Escolhe sempre o primeiro
Negro pra passar na revista
Pra passar na revista
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
É mole de ver
Que para o negro
Mesmo a aids possui hierarquia
Na áfrica a doença corre solta
E a imprensa mundial
Dispensa poucas linhas
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Figurinha do cinema
Comparado, comparado
Ao que faz com qualquer
Figurinha do cinema
Ou das colunas sociais
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Todo camburão tem um pouco de navio negreiro
Questões que podem ser analisadas:

* Você acha que essas cenas são comuns em nosso país? Por quê?
* Descreva com suas palavras a situação relatada no rap?
* O que significa a frase: “Mesmo a AIDS possui hierarquia”?
* Escreva um parágrafo explicando o título do texto dessa letra.
* A escravidão no Brasil foi definitivamente abolida em 13 de maio de 1888, através de um decreto da princesa Isabel. No entanto, a abolição não transformou os recém- libertos em cidadãos… Por quê? Poderia ter sido diferente? Explique .


2-    Agnus Sei  -  (Elis Regina)
Bosco & Blanc

Faces sob o sol, os olhos na cruz
Os heróis do bem prosseguem na brisa na manhã
Vão levar ao reino dos minaretes
A paz na ponta dos arietes
A conversão para os infiéis
Para trás ficou a marca da cruz
Na fumaça negra vinda na brisa da manhã
Ah, como é difícil tornar-se herói
Só quem tentou sabe como dói
Vencer Satã só com orações
Á andá pa Catarandá que Deus tudo vê
Á andá pa Catarandá que Deus tudo vê
Á anda, ê hora, ê manda, ê mata,
Responderei não!
Dominus dominium juros além
Todos esses anos agnus sei que sou também
Mas ovelha negra me desgarrei
O meu pastor não sabe que eu sei
Da arma oculta na sua mão
Meu profano amor eu prefiro assimá nudez
sem véus diante da Santa-Inquisição
Ah, o tribunal não recordará
Dos fugitivos de Shangri-Lá
O tempo vence toda a ilusão.

       Para conversar:

A princípio é necessário situar os alunos no tempo, isto é, explicar o que foi a Idade Média mesmo que em termos gerais, onde deve constar a estratificação social (Clero, Nobreza e povo), o feudalismo em si, a diferença entre servidão e escravidão e a predominância da religião no aspecto ideológico geral. Antes mesmo de apresentar a música, numa aula anterior, eu sempre passava o filme “O Exército Brancaleone”, para que os alunos pudessem visualizar o gestual, as roupas, a alimentação, a ordem e o ideal de cavalaria.
Ainda antes da apresentação era feito um histórico geral das Cruzadas, informando que foi um movimento não apenas religioso (pano de fundo), mas geopolítico, onde os cristãos ocidentais procuravam conquistar terras e riquezas no Oriente Médio, tendo como motivação ideológica a libertação da cidade sagrada de Jerusalém, que naquele momento estava em mãos muçulmanas. A primeira cruzada data do século XI, mais precisamente 1096 e prosseguiu em várias ondas até meados do século XV. Houve várias cruzadas, como a Cruzada das Crianças, por exemplo.
          Ao apresentar a música, praticamente eu explicava a etimologia de algumas palavras. Na verdade, a letra e a música podem até mesmo ser encenadas. Eu diria que poderia ser feita uma pequena dramatização do texto. Por exemplo, a frase “Faces sob o sol, os olhos na cruz”, mostra a determinação dos cruzados em sua missão.
          Em “Vão levar ao reino dos minaretes a paz na ponta dos aríetes. A conversão para os infiéis”, há um prato cheio. Vejamos: Minarete (explicar o que é – um símbolo (torre) do islamismo, onde os muçulmanos são convocados por cânticos a orar). Depois a palavra ARIETE (Instrumento de guerra utilizado para invadir fortificações e portões) é explicada com seu sentido etimológico, derivando de Ares ou Áries (carneiro). Não era necessariamente a forma de um carneiro que havia em uma extremidade, mas o instrumento de guerra tomou este sentido devido os carneiros baterem as cabeças contra seus adversários. Conseqüentemente, os infiéis muçulmanos, seriam derrotados e a fé cristã prevaleceria.
          Em “Ah, como é difícil tornar-se herói. Só quem tentou sabe como dói. Vencer Satã só com orações”. É muito claro que foi necessário “pegar em armas” para que a fé cristã fosse levada aos infiéis e assim, ao combatê-los, quando da morte de um cristão, o reino dos céus estaria com sua vaga reservada para esta alma, que lutou até a morte contra o inimigo da fé e também contra o demônio. No caso da letra da música, parece mais que é uma luta contra os demônios interiores, quando a ordem era matar o infiel e o cruzado se nega “Ê anda, ê hora, ê manda, ê mata, responderei não!”
          Em “Dominus dominium juros além”, podemos ver que a palavra Dominus significa Senhor, que tanto pode ser um senhor feudal ou Deus. Neste ponto eu aproveitava para falar do conceito de vassalagem e suserania. Dominus dominium tem um sentido de poder total sobre alguém que se submete como vassalo a um suserano que o protegerá. Havia todo um cerimonial para a “homenagem” e a “investidura”. Os “juros além”, eu aproveitava para falar que a conta seria paga no céu, de acordo com as “boas ações” praticadas pelos fiéis, e também falava sobre o pecado da usura, já puxando um gancho para nas aulas seguintes, falar sobre a Reforma.
          A citação à Inquisição mostra bem a hipocrisia em que esta instituição estava fundamentada. Novamente era explicado o conceito e as formas pelas quais a Inquisição fazia valer os preceitos cristãos. E o tribunal que se esquece de quem fugiu do Paraíso (Shangri-Lá) é a memória que se perde como o tempo e a ilusão de ser herói para alcançar a glória numa vida celestial.


3-    Ditadores  (Zé Geraldo) – tema: Ditadura militar no Brasil 

Quanto mais eu conheço os ditadores
Mais eu amo meu cachorro (4 vezes)
Confinam as cabeças pensantes em campos gelados
A corrupção é cria do homem
Que está por todo lado
Aumentam pedágios, escolas, dru
200% de aumento no IPTU
tamos nu.

Aprovam os decretos
 por decurso de prazo
Botam os velhos nas filas
Mas isso não vem ao caso
Os negros, os índios,
 os demais sem terra
Deixa pra depois
Uma boa ajuda aos contras
Para equilibrar as baixas
Debita isso tudo no caixa dois
Ora, pois.

Mete fogo na mata, mata o bicho
Jogam o lixo atômico
No fundo de qualquer quintal
Não faz mal.


4-     Era um garoto que como eu amava os Beatles e Rolling Stones
tema: Guerra do Vietnã –

Era um garoto que, como eu,
Amava os Beatles e os Rolling Stones
Girava o mundo sempre a cantar
As coisas lindas da América
Não era belo, mas mesmo assim
Havia mil garotas a fim
Cantava Help na Ticket to ride
Oh! Lady Jane and Yesterday
Cantava viva à liberdade
Mas uma carta sem esperar
Da sua guitarra o separou
Fora chamado na América
Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
Mandado foi ao Vietnã
Lutar com vietcongues.

Tatá- ratatatá, Tatá- ratatatá ...

Era um garoto que, como eu,
Amava os Beatles e os Rolling Stones
Girava o mundo, mas acabou
Fazendo a guerra do Vietnã
Cabelos longos não usa mais
Não toca sua guitarra e sim
Um instrumento que sempre dá
A mesma nota rata-tatá
Não tem amigos
Não vê garotas
Só gente morta caída ao chão
Ao seu país não voltará
Pois está morto no Vietnã
Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
No peito um coração não há
Mas duas medalhas sim

Tatá- ratatatá, Tatá- ratatatá ...


5-     Homem primata  (Titãs)  - Sobre o capitalismo

Desde os primórdios até hoje em dia
O homem ainda faz
O que o macaco fazia
Eu não trabalhava
Eu não sabia
O homem criava e também destruía.

Homem primata
Capitalismo selvagem ô, ô, ô

Eu aprendi a vida é um jogo
Cada um por si
E Deus contra todos
Você vai morrer e não vai pro céu
É bom aprender a vida é cruel.

Eu me perdi na selva de pedra
Eu me perdi
Eu me perdi ...


6-    Imagine (Paulo Ricardo)  de John Lennon – sobre a Guerra Fria

Esqueça os seus problemas, é só você tentar
Por um momento apenas procure imaginar
E acreditar no sonho de um mundo melhor.
Esqueça a guerra e a fome e toda a confusão
Causada pelo homem e sua ambição
Esqueça e imagine todo o mundo em paz ...
Eu não sei pode ser, que eu seja um sonhador
Mas se você quer saber, o caminho é o AMOR.
Hei,
Esqueça o que foi dito e o que você já ouviu
O que foi prometido e que ninguém cumpriu
Esqueça e imagine o que você quiser
Eu não sei pode ser, que eu seja um sonhador ...
Mas se você quer saber, o caminho é o AMOR.


7-    O profeta - Zé Geraldo  -   tema: valores, a prática do bem etc. -

O dia vai chegar estou me preparando
Porque ante vi, no livro que lhe empresto
E você não aceita a verdade eu li
Existe tanta gente por aí as tontas
Sem se definir, na hora da balança
O peso não alcança oque deve atingir.

Ei homem de Deus acorda é tempo ainda
Eis que o teu tempo finda faz uma oração
Ei homem de Deus deixa a incoerência
Em sua conferência fale de perdão.

Quem você não conhece
Aqui vai conferir se você passa ou não
Esqueça o seu padrinho
Pois lá não tem carta de apresentação
O que vai influir é o bem que você fez
Ou deixou de fazer existe em cada estante
Um livro importante evocê não quer ler.

Quem sabe se o juiz não foi algo de risos
Quando aqui passou
Sofrendo a indiferença, pagando tributos
Da classe ou da cor
Quem sabe se você não vai se ver chorando
 A mais tirana dor e implorar baixinho
Aquela mesma ajuda que você negou.
A vida é uma escola onde o viver é o livro
E o tempo o professor
Onde alguns são sábios, porém até hoje
Ninguém se formou
A única certeza é que o dia do acerto
Já está prá vir, prepare a sua alma
Pois na hora certa você vai ouvir.
O som de um instrumento
Que não se afina ao diabasão
Virá anunciando, sem segundo aviso
 A hora da razão
Estou me reparando, estou lhe aconselhando
Porque quero ir
Você se nega a ler erroneamente crê
Que a vida é só aqui !

8-    Questões sociais - Menino de rua (Zezé di Camargo e Luciano)

Você que está aí parado vendo televisão
De repente uma notícia forte te chama a atenção
Uma cena estúpida, brutal e cruel
Mais ainda parece tão pouco pra mudar seu coração
Eu sou o personagem central de toda essa história
História que você ignora e faz que não vê
E escuta o seu consciente
A vontade de um povo que luta
E sofre pra sobreviver.

Você tem em suas mãos a força e o poder
Mas não tem a sabedoria pra entender
Que o Brasil é a sua pátria acima de tudo
E o povo precisa de luz pra sair desse escuro.

Eu sou muito pequeno perante você
Eu sou apenas pedaços
De alguém tão comum
Eu sou a ignorância da cabeça sua
Simplesmente sou, mais um garoto de rua.


9-    Meu Brasil - Gian & Giovani

Uma luz brilhou no céu
sobre as caravelas que vieram do alto mar
E o sinal daquela luz
deu ao navegante a direção de "Vera Cruz"

Foi assim que começou a nossa história
há quinhentos anos, dia vinte e dois de abril
O passado está presente na memória
mas a porta do futuro já se abriu

Meu Brasil, (Meu Brasil)
verde de eterna esperança
branco de paz de criança,
azul e amarelo de céu e de sol

Meu Brasil, (Meu Brasil)
você tem um grande destino
embora ainda seja um menino
já é no planeta o país do futebol

Hey Brasil, (Hey Brasil)
táí o terceiro milênio
pra nós o seu oxigênio
é mais que um orgulho profundo

Hey Brasil, (Hey Brasil)
seu lema é vencer ou vencer
aposto que você vai ser
a maior nação desse mundo

Meu Brasil, (Meu Brasil)
verde de eterna esperança
branco de paz de criança,
azul e amarelo de céu e de sol

Meu Brasil, (Meu Brasil)
você tem um grande destino
embora ainda seja um menino
já é no planeta o país do futebol

Hey Brasil, (Hey Brasil)
táí o terceiro milênio
pra nós o seu oxigênio
é mais que um orgulho profundo

Hey Brasil, (Hey Brasil)
seu lema é vencer ou vencer
aposto que você vai ser
a maior nação desse mundo

Foi assim que começou a nossa história
há quinhentos anos, dia vinte e dois de abril
O passado está presente na memória
mas a porta do futuro já se abriu!


10- Música: Sorriso Negro – Elimar Santos

Um sorriso negro,
um abraço negro
Traz....felicidade
Negro sem emprego,
fica sem sossego
Negro é a raiz da liberdade 2 X
..Negro é uma cor de respeito
Negro é inspiração
Negro é silêncio, é lutonegro é...a solução
Negro que já foi escravo
Negro é a voz da verdade
Negro é destino é amor
Negro também é saudade...
(um sorriso negro !)

Atividade:

           No primeiro momento ouvimos a música Sorriso Negro, cantamos juntos. Os alunos empolaram-se e pediram para dançar, o que foi feito de maneira muito prazerosa. Passado o momento de descontração, fomos para a analise da letra da música. Foi um momento muito rico, onde pude perceber o nível de conhecimento das questões relacionadas à raça negra. Nesta analise surgiram elementos como: a escravidão no Brasil, os preconceitos, o trabalho negro no passado e no presente, desigualdades, descriminação racial, poder, riqueza X miséria, etc.
           No segundo momento, passamos a um trabalho de grupos para que os alunos pudessem colocar suas certezas e dúvidas em relação ao Continente Africano. Concluído os trabalhos dos grupos, passamos a construção de um painel coletivo com as certezas e duvidas de toda a turma. Este foi um momento bem especial, onde cada um pode colocar-se diante da classe, expondo suas certezas, suas duvidas e podendo compará-las com as dos colegas
          No terceiro momento a turma foi dividia em duplas. Cada dupla ficou encarregada de realizar as pesquisas sobre o assunto escolhido entre os temas propostos: África: O berço da Humanidade; História da África; África - aspectos físicos; Economia da África; População da África; África, a geografia da África etc.
          Diversidade num Continente; Africanos enriqueceram a cultura brasileira; O Apartheid; Para conviver em um ambiente de diversidade; Segregação Racial ; Negros no Brasil; Curiosidades sobre a África, Ser negro no Brasil.
          Neste momento o desafio dado a cada dupla foi que registrassem as suas descobertas em formato de uma revista. O envolvimento na atividade proposta foi surpreendente! Além dos textos relacionados ao temas específicos de cada dupla, foram produzidos: Poemas, Charges, Jogos, Horóscopo; Paródias. Passa tempo e belas ilustrações que mostram a compreensão dos elementos pesquisados sobre o Continente Africano.
          No quarto momento, assistimos pequenos documentários sobre aspectos diversos da África: África: Mundo de Contrastes; África – Miséria; África - consciência mundial; A violência e a fome; Nosso Mundo X África; Uma Imagem vale mais de mil palavras.
          Após o vídeo, voltando à sala de aula, numa mesa redonda, cada aluno pode expressar seus sentimentos. O que presenciei foi manifestação de indignação, de criticas, de solidariedade e vontade de modificar a realidade tão cruel de parte da população africana. Para complementar essa atividade, a turma fez uma produção de texto com tema: “Uma imagem vale mais que mil palavras”.
          Quinto momento, o da apresentação da revista com as descobertas realizada através da pesquisa. Pretendi que este momento fosse também significativo e dinâmico.
Para a apresentação, fomos a sala de vídeo, conectei a câmara na televisão e cada dupla passou a apresentar seu trabalho. Os alunos não desgrudavam o olho da tela para ver as imagens produzidas pelos colegas. Foi divertido, diferente e prazeroso.


11- A Cor De Deus - Banda Mel
Composição: Luiz Carlos-branca Di Neve-mazinho Xerife

Você sabe a cor de deus
Quem sabe não revela,a,a,
O,o,o,o,o,o, vamos dizer
O,o,o,o,o,o, vamos dizer
Em vez do apartheid,
Aperta a mão do negro
O negro tem direito de viver
Negro é amor, negro é a paz
Não quer a guerra
O negro também dessa terra
O seu sentimento, é como um lamento
Que leva aos quatro cantos
O canto do sofrimento
Fraternidade,igualdade,liberdade
O negro quer o universo
Cheio de felicidade
Na áfrica tem negro com sofrimento
Aqui também o negro, tem seu lamento
No mundo inteiro o negro
Tem o seu sentimento


12- Portela - Samba Enredo 1972

Ilu Ayê, Ilu Ayê Odara
Negro dançava na Nação Nagô
Depois chorou lamento de senzala
Tão longe estava de sua Ilu Ayê
Tempo passou ôô
E no terreirão da Casa Grande
Negro diz tudo que pode dizer
É samba, é batuque, é reza
É dança, é ladainha
Negro joga capoeira
E faz louvação à rainha
Hoje
Negro é terra, negro é vida
Na mutação do tempo
Desfilando na avenida
Negro é sensacional
É toda a festa de um povo
E dono do carnaval


13- Nas Veias do Brasil - Beth Carvalho
Composição: Luiz Carlos da Vila

Os negros
Trazidos lá do além-mar
Vieram para espalhar
Suas coisas transcendentais
Respeito
Ao céu, à terra e ao mar
Ao índio veio juntar
O amor, à liberdade
A força de um baobá
Tanta luz no pensar
Veio de lá
A criatividade

Tantos o preto velho já curou
E a mãe preta amamentou
Tem alma negra o povo
Os sonhos tirados do fogão
A magia da canção
O carnaval é fogo
O samba corre
Nas veias dessa pátria - mãe gentil
É preciso altitude
De assumir a negritude
Pra ser muito mais Brasil.


14- Samba Enredo 1994 - Quando o Samba Era Samba Portela (RJ)
Composição: Wilson Cruz, Cláudio Russo, Zé Luiz

África encanto e magia
Berço da sabedoria
Razão do meu cantar
Nasceu a liberdade a ferro e fogo
A Mãe Negra abriu o jogo
Fez o povo delirar
Deixa falar, ô, ô, ô
Deixa falar, ô, iaiá
Esse batuque gostoso não pode parar
Entra na roda ioiô
Entra na roda iaiá
Lá vem Portela é melhor se segurar
Axé vem de Luanda
Sacode negritude da cidade
Trazendo a bandeira do samba
Na apoteose da felicidade
Samba é nó na madeira
É moleque mestiço
Foi preciso bancar
Resistência que a força não calou
Arte de improvisar
Capoeira
O samba vai levantar poeira
Tem zoeira
Em Oswaldo Cruz e Madureira


15- Racismo É Burrice (nova Versão De Lavagem Cerebral)    -   Gabriel Pensador
Composição: Gabriel O Pensador

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"
Racismo, preconceito e discriminação em geral;
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral

Racismo é burrice

Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral

Racismo é burrice

Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral

Racismo é burrice

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice

Racismo é burrice

E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.


16- Raça Negra   -  Margareth Menezes
Composição: Jorge Zarath, Dito

O grito da terra se expande por todo o Universo
No verso da mão calejada que afaga o rebento
O amor relampeja quebrando a semente da guerra
Sagrada é a força da Terra brilhando num só pensamento
Olorum mandou botar
Um presente pra Iemanjá
Colocar no mar do amor
Pra saudar seu ganzuá
Mãe Oxum me batizou
Com a benção de Oxalá
É felicidade é com,oh yeah
Raça Negra,Raça Negra
Raça Negra,Raça Negra
Sou erê,sou mandinga,sou manhã
Sou dendê,afilhada de Yansã
Sou café,cana-verde,que beleza
Raça Negra!
Sou de paz,sou axé,sou natureza
Raça Negra,Raça Negra
Raça Negra,Raça Negra
Aiá,aiá,aiá...
Aiê,iê,aiá,aiê,aiê...


17- Beleza pura     -    Caetano Veloso
Composição: Caetano Veloso

não me amarra dinheiro não
mas formosura
dinheiro não
a pele escura
dinheiro não
a carne dura
dinheiro não

moça preta do curuzu
federação
boca do rio
beleza pura
beleza pura
beleza pura
dinheiro não

quando essa preta começa a tratar do cabelo
é de se olhar
toda a trama da trança da transa do cabelo
conchas do mar
ela manda buscar pra botar no cabelo
toda minúcia, toda delícia

não me amarra dinheiro não
mas elegância
não me amarra dinheiro não
mas a cultura
dinheiro não
a pele escura
dinheiro não
a carne dura
dinheiro não

moço lindo do badauê
beleza pura
do ilê-aiê
beleza pura
dinheiro iê
beleza pura
dinheiro não

dentro daquele turbante dos filhos de gandhi
é o que há
tudo é chique demais, tudo é muito elegante
manda botar
fina palha da costa e que tudo se trance
todos os búzios
todos os ócios

não me amarra dinheiro não
mas os mistérios

beleza pura
dinheiro não
beleza pura
boca do rio
beleza pura
federação
beleza pura
o ilê-aiê
beleza pura
e do badauê
beleza pura


18- Alma Não Tem Cor   -   Chico César
Composição: André Abujamra

Alma não tem cor
Porque eu sou branco?
Alma não tem cor
Porque eu sou negro?

Branquinho
Neguinho
Branco negão
Percebam que a alma não tem cor
Ela é colorida
Ela é multicolor

Azul amarelo
Verde verdinho marrom



19- Respeitem Meus Cabelos Brancos   -   Chico César
Composição: Chico César

Respeitem meus cabelos, brancos
Chegou a hora de falar
Vamos ser francos
Pois quando um preto fala
O branco cala ou deixa a sala
Com veludo nos tamancos

Cabelo veio da áfrica
Junto com meus santos

Benguelas, zulus, gêges
Rebolos, bundos, bantos
Batuques, toques, mandingas
Danças, tranças, cantos
Respeitem meus cabelos, brancos
Se eu quero pixaim, deixa
Se eu quero enrolar, deixa
Se eu quero colorir, deixa
Se eu quero assanhar, deixa
Deixa, deixa a madeixa balançar



20- Meu Pai Oxalá  -   Daniela Mercury
Composição: Vinícius de Moraes/ Toquinho

Atotô abaluyê
Atotô babá
Vem das águas de Oxalá
Essa mágoa que me dá
Ela parecia o dia
A romper da escuridão
Linda no seu manto todo branco
Em meio à procissão.
E eu que ela nem via,
Ao Deus pedia amor e proteção:
Meu pai Oxalá é o Rei,
Venha me valer
E o velho Omulu
Atotô abaluayê
Que vontade de chorar
No terreiro de Oxalá
Quando eu dei com a minha ingrata
Que era filha de Yansã
Com sua espada cor de prata
Em meio à multidão
Cercando Xangô num balanceio
Cheio de paixão
Meu pai Oxalá é o rei
Venha me valer
E o velho Omulu
Atotobaluaiê



21- Milagres do Povo    -    Daniela Mercury

Quem é ateu
E viu milagres como eu
Sabe que os Deuses sem Deus
Não cessam de brotar,nem cansam de esperar

E o coração
Que é soberano e que é senhor
Não cabe na escravidão
Não cabe no seu não
Não cabe em si, de tanto sim
É pura dança e sexo e glória
E paira para além da história

Refrão:
Oju obá ia lá e via
Oju obá ia

Xangô manda chamar, Obatalá guia
Mamãe Oxum chorar, lágrima alegria
Pétala de Iemanjá, Inasã oiá ria
Oju obá ia lá e via
Ojú obá ia
Obá

É no charéu, que brilha a prata luz do céu
E o povo negro entendeu
Que o grande vencedor
Se ergue além da dor

Tudo chegou
Sobrevivente num navio
Quem descobriu o Brasil
Foi o negro que viu
A crueldade bem de frente e ainda produziu milagres
De fé no extremo ocidente

Refrão:

Oju obá ia lá e via
Oju obá ia

Xangô manda chamar, obatalá guia
Mamãe oxum chorar, lágrima alegria
Pétala de iemanjá, inasã oiá ria
Oju obá ia lá e via
Ojú obá ia
Obá

(Obáááá...)



22- No Tabuleiro Da Baiana   -   Daniela Mercury
Composição: Ary Barroso

No tabuleiro da baiana tem
Vatapá, oi
Caruru
Mungunzá
Tem umbu
Pra ioiô
Se eu pedir você me dá
O seu coração
Seu amor de iaiá

No coração da baiana tem
Sedução
Canjerê
Ilusão
Candomblé
Pra você

Juro por Deus
Pelo senhor do Bonfim
Quero você, baianinha, inteirinha pra mim
E depois o que será de nós dois
Seu amor é tão fulgáz, enganador

Tudo já fiz
Fui até num canjerê
Pra ser feliz
Meus trapinhos juntar com você
E depois vai ser mais uma ilusão
No amor quem governa é o coração

No tabuleiro da baiana tem
Vatapá, oi
Caruru
Mungunzá
Tem umbu
Pra ioiô
Se eu pedir você me dá
O seu coração
Seu amor de iaiá

No coração da baiana também tem
Sedução
Canjerê
Ilusão
Candomblé
Pra você



23- Preto  e  Branco    -    Daniela Mercury
Composição: Dudu Fagundes / Santos Diniz

Sou amarrado nessa pele escura
Na sua cultura
Em sua formosura
Mas no final tudo é uma só mistura
A mesma estrutura
Isso é beleza pura
E baseado nessa ideologia
Que a nossa magia pode aí se explicar
A europa , a africa e a bahia
Têm a alegria
De aqui se misturar
Preto
E todo mundo aqui é branco e preto
E todo mundo aqui é branco e preto
E todo mundo aqui é preto e branco
preto
E todo mundo aqui é branco e preto
E todo mundo aqui é branco e preto
E todo mundo aqui é preto e branco



24- Canto da Cor - Reflexus
Composição: Moises e Simão

A simbolização do negro africano
Recorda o manto sofrido hargalo de dor
O negro batendo na palma da mão
Este canto
Este canto é a sua origem e cintila a cor
Ilê Aiyê ê ê
É a nossa cor
Negro a dizer é a nossa cor
ôhô ôhô ôhô
ôhô
ehê ehê ehê
ehê
O negro se farta do fruto da sua beleza
Atribui-se tambem a ele esta sua grandeza
Ilê Aiyê
Sendo a propria razão
Que a razao nao pode explicar
Ecoa-se ate o firmamento
Este nosso cantar
Ilê Aiyê ê ê
É a nossa cor
Negro a dizer é a nossa cor
ôhô ôhô ôhô
ôhô ehê ehê ehê ehê



25- Canto Para o Senegal   -   Reflexus
Composição: Ythamar Tropicália e Valmir Brito

Sene sene senegal
Sene sene senegal
Diz povão senegal região
Diz povão senegal região
Diz povão senegal região

A grandeza do negro
Se deu quando houve este grito infinito
E o muçulmanismo que contagiava como religião
Ilê-aiyê traz imensas verdades ao povo fulani

Senegal faz fronteira com Mauritânia e Mali
Os seres ê ê ê, a tribo primeira que simbolizava
Salum, gâmbia, casamance, seus rios a desembocar
Mandigno, tukuler, uolof, são os povos negros

E uma das capitais mais lindas hoje se chama dakar, ilê
Ilê ê ê ê, dakar á á, obatala ago iê ê ê ê
Esses são os meus sentimentos do nosso antepassado
Senegal narrado como tema ilê aiyê

sene, sene, sene, sene, senegal
diz povão, senegal região
ê ahê, ahê
á, ia, iê

Baol reino de lá
Hamba-kalo povo de dakar
Negros ilê-aiyê avançam pelas ruas centrais da cidade
Senegalesas mulheres vaidosas mostrando intensidade

Incorporadas num só movimento na dança frenética do carnaval
Caolak, rufisque, zinguichor, são as cidades do senegal
Ilê-aiyê ê ê... está nos torsos, nas indumentárias africanas
Lingüisticamente o francês na dialética união baiana

Baobás árvore símbolo da nação
dos deniakes, os berberes, dinastia da região, ilê...
ilê ê ê ê, dakar á á á, obatalá, ago iê, ê ê ê...
esses são os meus sentimentos do antepassadoaval
Caolak, Rufisque, Zinguichor, são as cidades do Senegal
Ilê Ayiêêê esta nos torsos, nas indumentárias africanas
Lingüisticamente o francês na dialética união baiana
Baobás, árvore símbolo da nação
Dos deniakes, os Berberes, dinastia da região, ilê
Ilêêê, Dacar, obatalá, agô iêêê
Esses são os meus sentimentos do nosso antepassado

26- Dialeto Negro   -   Reflexus
Composição: Valmir Brito e Gibi

Mamêtro Kavisó
De umbanda
Umbanda gira gira
Azulê no abanto

Ungagá zara tempo
Sambangola de mucaia
Sequê sequê dandalunda
Agorigê meu atotó

Agolónan Godemá nagô
Agonilê Agonilê
ê carnaxe ara
Ara mogibi
Mogibi mocualê babá
Ara vá
Mogibi mocualê babá

Ara vá



27- Libertem Mandela    -    Reflexus

Batalhas e conflitos
vítimas de sofrimentos
sou eu um negro bonito
desabafando meus sentimentos

De geração em geração
que é discriminado o negão
e hoje somos cultura
nosso grito de força é a nossa união

Tire o chapéu e levante a mão
Tire o chapéu e levante a mão
Diga não ao Apartheid e liberte Mandela
Nosso grande irmão
Madagascar Olodum
Reflexus
Criaram-se vários reinados
Ponto de Imerinas ficou consagrado
Rambozalama o vetor saudável
Ivato cidade sagrada
A rainha Ranavalona
Destaca-se na vida e na mocidade
Majestosa negra
Soberana da sociedade
Alienado pelos sues poderes
Rei Radama foi considerado
Um verdadeiro Meiji
Que levava seu reino a bailar
Bantos, indonésios, árabes
Se integram à cultura malgaxe
Raça varonil alastrando-se pelo Brasil
Sankara Vatolay
Faz deslumbrar toda nação
Merinas, povos, tradição
E os mazimbas foram vencidos pela invenção
êêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Iêêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
E viva Pelô Pelourinho
Patrimônio da humanidade é
Pelourinho, Pelourinho
Palco da vida e das negras verdades
Protestos, manifestações
Faz o Olodum contra o Apartheid
Juntamente som Madagascar
Evocando liberdade e igualdade a reinar
Iêêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Iêêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Aiêêê, Madagascar Olodum
Aiêêê, eu sou o arco–íris de Madagascar
Aiêêê, Madagascar Olodum
Aiêêê, eu sou o arco–íris de Madagascar
Iêêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Iêêê Sakalavas oná ê
Iááá Sakalavas oná á
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor
Madagascar, ilha, ilha do amor



28- Olodum Ologbom - Reflexus
Composição: Tita Lopes e Lazinho

Akewi Ati Onilu
Cantam e tocam para anunciar
Nubia, Axum e Etiópia
Olodum vem mostrar
Registrado pela história
Soberania momentânea
Menelik, rei Cabeb
Rastafari, Ei Ezana
A rainha do Sabá
Casou-se com o Rei Salomão
Originando a mista raça
São raízes do Sudão
A cultura sudanesa
Pelo mundo se espalhou
Fons, dogons, sereres, Haussás
Mossis, mandingas, ibôs, iorubás
Olodum do Pelourinho
Sempre contra a opressão
Busca paz e liberdade
Quer o mundo em união
ô ô ô
Ago Olodum Ti-de
Ibere ifé ati axé.



 29- Serpente Negra - Reflexus
Composição: (Ythamar Tropicália, Gibi, Roque Carvalho, Walmir Brito)

Ará Ará eu sou AraKetu
Ketu Ketu ode oba nixar
Kê Kê Kê leva eu
Kê Kê Kê AraKetu sou eu

Daomé nação de uma serpente negra
O rei manda lhe falar
O arco–íris ao se dissipar
Orixá maior é a força da natureza
Que representa Ketu nação
De um rei Olofin da atual República Beniin

No reino de Daomé
Serpente Negra era um babalaô
O arco-íris que vem lá do alto
Trás a força do superior

Ará Ará eu sou AraKetu
Ketu Ketu ode oba nixar
Kê Kê Kê leva eu
Kê Kê Kê AraKetu sou eu

O quadro negro
Representa na face da Terra
Hoje não existe mais guerra
A escravidão acabou ô ô
AraKetu retrato da tal mocidade
Representando o passado
E tudo que aqui ficou
Derramando nossos prantos de felicidade
Por ser essa tal entidade
Nomeada a Ode caçador
AraKetu força divina força maior
Ô ô ô ô ó ó ó ó ó
Pois o sangue desses negros
Derramavam na Terra
Para que os senhores passassem
Um tipo de vida melhor

Orá orá orá orá Orayê
Orá orá orá eis Oxumaré



30- Morro Velho   -  Milton Nascimento  
Composição: Milton Nascimento

No sertão da minha terra, fazenda é o camarada que ao chão sedeu
Fez a obrigação com força, parece até que tudo aquilo ali é seu
Só poder sentar no morro e ver tudo verdinho, lindo a crescer
Orgulhoso camarada, de viola em vez de enxada


Filho do branco e do preto, correndo pela estrada atrás depassarinho
Pela plantação adentro, crescendo os dois meninos, semprepequeninos
Peixe bom dá no riacho de água tão limpinha, dá pro fundo ver
Orgulhoso camarada, contra histórias prá moçada


Filho do senhor vai embora, tempo de estudos na cidade grande
Parte, tem os olhos tristes, deixando o companheiro na estaçãodistante
Não esqueça, amigo, eu vou voltar, some longe o trenzinho aodeus-dará
Quando volta já é outro, trouxe até sinhá mocinha práapresentar

Linda como a luz da lua que em lugar nenhum rebrilha como lá
Já tem nome de doutor, e agora na fazenda é quem vai mandar
E o seu velho camarada, já não brinca, mas trabalha



31-Raça – Milton Nascimento
Composição: Milton Nascimento/Fernando Brant

Lá vem a força, lá vem a magia
Que me incendeia o corpo de alegria
Lá vem a santa maldita euforia
Que me alucina, me joga e me rodopia
Lá vem o canto, o berro de fera
Lá vem a voz de qualquer primavera
Lá vem a unha rasgando a garganta
A fome, a fúria, o sangue que já se levanta
De onde vem essa coisa tão minha
Que me aquece e me faz carinho?
De onde vem essa coisa tão crua
Que me acorda e me põe no meio da rua?
É um lamento, um canto mais puro
Que me ilumina a casa escura
É minha força, é nossa energia
Que vem de longe prá nos fazer companhia
É Clementina cantando bonito
As aventuras do seu povo aflito
É Seu Francisco, boné e cachimbo
Me ensinando que a luta é mesmo comigo
Todas Marias, Maria Dominga
Atraca Vilma e Tia Hercília
É Monsueto e é Grande Otelo
Atraca, atraca que o Naná vem chegando



32- Reis e Rainhas do Maracatu
Milton Nascimento

Dentro das alas, nações em festa
Reis e rainhas cantar
Ninguém se cala louvando as glórias
Que a história contou
Marinheiros, capitães, negros sobas
Rei do congo, a rainha e seu povo
As mucamas e os escravos no canavial
Amadês senhor de engenho e sinhá
Traz aqui maracatu nossa escola
Do Recife nós trazemos com alma
A nação maracatu, nosso tema geral



33- Banho de Manjericão    -    Clara Nunes
Composição: João Nogueira-Paulo Cesar Pinheiro

Eu vou me banhar de manjericão
Vou sacudir a poeira do corpo batendo com a mão
E vou voltar lá pro meu congado
Pra pedir pro santo
Pra rezar quebranto
Cortar mau olhado

E eu vou bater na madeira três vezes com o dedo cruzado
Vou pendurar uma figa no aço do meu cordão
Em casa um galho de arruda que corta
Um copo dágua no canto da porta
Vela acesa, e uma pimenteira no portão

É com vovó Maria que tem simpatia pra corpo fechado
É com pai Benedito que benze os aflitos com um toque de mão
E pai Antônio cura desengano
E tem a reza de São Cipriano
E têm as ervas que abrem os caminhos pro cristão.



34- Brasil  Mestiço Santuário Da Fé
Clara Nunes

Vem desde o tempo da senzala
Do batuque e da cabala
O som que a todo povo embala 2x
E quanto mais o chicote estala
E o povo se encurrala
O som mais forte se propala 2x
E é o samba
E é o ponto de umbanda
E o tambor de Luanda
é o maculelê e o lundu
É o jogo do caxambu
É o cateretê, é o cõco e é o maracatu
O atabaque do caboco, o agogô de afoxé.
É a curimba do batucajé
É a capoeira e o candomblé
É a festa do Brasil mestiço, santuario da fé.
E aos sons a palavra do poeta se juntou
E nasceram as canççoes e os mais belos poemas de
amor.
Os cantos de guerra e os lamentos de dor
E pro povo não desesperar
Nós não deixaremos de cantar
Pois esse é o único alento do trabalhador
Desde a senzala....



35- Canto Das Três Raças   -   Clara Nunes
Composição: Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou

Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

ô, ô, ô, ô, ô, ô
ô, ô, ô, ô, ô, ô

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador

Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor

Para conversar:

Abordar elementos da cultura africana em suas aulas já é uma exigência. Por isso, evite preconceitos quanto a elementos das religiões afrobrasileiras, como a Umbanda e o Candomblé, que possuem elementos da religião Espírita.
Assim, não será necessário aprofundar nesses conhecimentos para que não se gere situações desagradáveis. Tome esses elementos de forma cultural, demonstrando a sua peculiaridade na MPB. Ao cantar sobre os orixás, intérpretes, como por exemplo Clara Nunes, amplia a divulgação e a desmistificação de preconceitos existentes.
Fale, para os alunos, sobre:
•    intolerância religiosa (cite guerras, crimes, atentados);
•    sincretismo cultural no Brasil (a grande mistura que forma a nossa cultura).
•    quem são as três raças citadas em uma das músicas (índio, negro, trabalhador)?


36- Ê Baiana - Clara Nunes
Composição: Fabricio da Silva/Baianinho/Enio Santos Ribeiro/Miguel Pancracio

Ê baiana
Ê ê ê baiana, baianinha
Ê baiana
Ê ê ê baiana
Baiana boa
Gosta do samba
Gosta da roda
E diz que é bamba
Baiana boa
Gosta do samba
Gosta da roda
E diz que é bamba
Olha, toca a viola
Que ela quer sambar
Ela gosta de samba
Ela quer rebolar
Toca a viola
Que ela quer sambar
Ela gosta de samba
Ela quer rebolar

Ê baiana
Ê baiana
Ê ê ê baiana, baianinha
Ê baiana
Ê ê ê baiana

Dinâmica:

Antes de iniciar as atividades, exiba para os alunos, dois vídeos que demonstram as origens do samba, bem como a influência da cultura africana nesse ritmo musical. A partir da exibição desses dois vídeos, peça que os alunos, individualmente, anotem em seus cadernos informações relevantes acerca da origem do ritmo, bem como de sua relação com a cultura africana.
Posteriormente, escolha um dado intérprete desse gênero musical para desenvolver as atividades subsequentes. Nós optamos por Clara Nunes, mas você poderá adaptar a presente aula a vários intérpretes.
Por exemplo: Martinho da Vila, Bezerra da Silva, Chico Buarque.
A presente atividade tem como objetivo uma pesquisa, por parte dos alunos, sobre o gênero samba. Caso considere possível, permita que os alunos pesquisem intérpretes e compositores musicais que tratam da cultura africana no gênero musical em questão.
Como exemplificação, selecionamos a intérprete Clara Nunes, em cujas letras retrata a cultura africana, principalmente os aspectos religiosos e a dança. 
Organize a classe em grupos com 5 componentes, e proponha que os mesmos desenvolvam uma pesquisa sobre os seguintes pontos (caso opte por trabalhar com outros intérpretes, os pontos podem ser os mesmos):
•    biografia artística;
•    influência da cultura africana em sua música.
Caso haja mais grupos do que temas de pesquisa, privilegie o último ponto, "influência da cultura africana em sua música".



37- Festa Para Um Rei Negro   -   Clara Nunes

Nos anais da nossa História
Vamos relembrar
Personagens de outrora
Que iremos recordar
Sua vida, sua glória
Seu passado imortal
Que beleza
A nobreza do tempo colonial

O lê lê, ô lá lá
Pega no ganzê
Pega no ganzá

Hoje tem festa na aldeia
Quem quiser pode
38- Ilê! Pérola Negra (O Canto do Negro)   -  Daniela Mercury
Composição: Miltão / Renê Veneno / Guiguio

O canto do negro
Veio lá do alto
É belo como a íris dos olhos de Deus, de Deus
E no repique, no batuque
No choque no aço
Eu quero penetrar
No laço afro que é meu, e seu
Vem cantar meu povo
Vem cantar você
Bate os pés no chão moçada
E diz que é do Ilê Ayê
Lá vem a negrada que faz
O astral da avenida
Mas que coisa bonita
Quando ela passa me faz chorar
Tu és o mais belo dos belos
Traz paz e riqueza
Tens o brilho tão forte
Por isso te chamo de Pérola Negra
Ê, Pérola Negra
Pérola Negra Ilê Ayê
Minha Pérola Negra
Lá vem a negrada que faz
O astral da avenida
Mas que coisa mais linda
Quando ela passa me faz chorar
Tu és o mais belo dos belos
Traz paz e riqueza
Tens o brilho tão forte
Por isso te chamo de Pérola Negra
Com sutileza
Cantando e encantando a nação
Batendo bem forte em cada coração
Fazendo subir a minha adrenalina
Como dizia Buziga
Edimin
Emife Nagô Dilê
Edimin
Emife Nagô Dilê
Ê, Pérola Negra
Pérola Negra, Ilê Ayê
Minha Pérola Negra.

Para conversar:

A música faz referência ao bloco-afro Ilê Ayê, o mais antigo da Bahia, que se destaca como grupo cultural de luta pela valorização e inclusão da população afro-descendente.
     Que outros grupos culturais conhecemos? Qual sua importância?
     Como a música, a dança, a religiosidade, contribuem para a aproximação entre as pessoas nas nossas comunidades?
     Converse com o grupo sobre as expressões culturais afro-brasileiras, sua importância para a identidade de nosso povo e como podem ser preservadas.


39-  Mama África  -  Chico César

Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E tem que
Fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas Casas Bahia...(2x)

Mama África, tem
Tanto o que fazer
Além de cuidar neném
Além de fazer denguim
Filhinho tem que entender
Mama África vai e vem
Mas não se afasta de você...

Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E tem que
Fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas Casas Bahia...

Quando Mama sai de casa
Seus filhos de olodunzam

Rola o maior jazz
Mama tem calo nos pés
Mama precisa de paz...

Mama não quer brincar mais
Filhinho dá um tempo
É tanto contratempo
No ritmo de vida de mama...

Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E tem que
Fazer mamadeira
Todo dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas Casas Bahia...(2x)

É do Senegal
Ser negão, Senegal...

Deve ser legal
Ser negão, Senegal...(3x)

Mama África
A minha mãe
É mãe solteira
E tem que
Fazer mamadeira
Todo o dia
Além de trabalhar
Como empacotadeira
Nas Casas Bahia...(2x)

Mama África
A minha mãe
Mama África
A minha mãe
Mama África...


40-Paródia: O mercantilismo
           
Música: Chico Mineiro (autora: Profª Deonice)

Fizemos um estudo na história
E vimos o mercantilismo
Foi a expansão comercial
Do século 16 ao 18
Para aumentar a riqueza
E o poderio das nações
A Europa o que ela queria
Era os metais preciosos na América.

A balança era comercial
Ser favorável também
Possuindo colônias na América
Um dos pilares do mercantilismo
Para obter mais dinheiro
E conquistar mais mercados
As companhias de comércio
Pertenciam aos reis europeus.

Foi então que nesse período
Surgiram muitos piratas
E também os corsários
Que tinham licença de saquear
Inglaterra, França e Holanda
Tinham muita cobiça
Avançar sobre as colônias
Espanholas e portuguesas.

A Companhia das Índias
Os flamengos queriam o açúcar
Regional de Pernambuco
Permaneceram por muito tempo
Sob o comando de Nassau
E quando foram expulsos
O açúcar foi para as Antilhas
E o Brasil entrou em decadência.


41-paródia : A civilização grega
Música: O menino da porteira (autora: Profª Deonice)

A civilização grega
Existiu por mais mil anos
O primeiro narrador
Foi chamado pai da história
E seu nome era Heródoto
Sendo um grande historiador
O esplendor dessa civilização
Pode ser bem explicado
Pelo desenvolvimento de suas colônias
Fundadas no mediterrâneo.

A riqueza das cidades
Despertou muita cobiça
Porém, o rei da Pérsia
Tentou sua invasão
Mas as cidades logo se uniram
Na Confederação de Delos
Para livrar dos inimigos.

A cidade de Atenas
Que passou a liderar
Mas Esparta resolveu
Não mais aceitar
Surgindo uma guerra
Por mais de trinta anos
E a Grécia enfraquecida
Foi invadida aos macedônios.


42- tente outra vez   -   Raul Seixas - tema: otimismo, ânimo pela vida etc.

Veja ,
não diga que a canção
Está perdida
Tenha fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez.

Beba,
pois a água viva
Ainda tá na fonte
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou, não, não não ...

Tente,
 na fonte com sua mão sedenta
E recomece a andar.
Não pensa que a cabeça aguenta
Se você parar
Não, não, não ...

Há uma voz que canta
Há uma voz que dança
Uma voz que gira
Bailando no ar.

Queira,
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo
Vai, tente outra vez
Tente,
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Tente outra vez ...


43- Música: É uma Partida de Futebol (Skank)

Bola na trave não altera o placar
Sem ninguém para cabecear
Bola na rede para fazer um gol
Como jogador
Quem não sonhou
Em fazer um gol, ser jogador
de futebol?

A bandeira no estádio é um estandarte
A flâmula pendurada na parede do quarto
O distintivo na camisa do uniforme
Que coisa linda
É uma partida de futebol

Posso morrer pelo meu time
Se ele perder, que dor, imenso crime
Posso chorar se ele não ganhar
Mas se ele ganha

Não adianta
Não há garganta que não pare de berrar

A chuteira veste a meia que veste o pé descalço
O tapete da realeza é verde é o gramado
Olhando para bola eu vejo o sol
Está rolando agora
É uma partida de futebol

O meio campo é o lugar dos craques
Que vão levando o time todo para o ataque
O centro avante, o mais importante
Que emocionante
É uma partida de futebol
O meu goleiro é um homem de elástico
Só os dois zagueiros tem as chaves do cadeado
Os laterais fecham a defesa
Mais que beleza, com certeza
É uma partida de futebol.

          Para conversar:

Essa música aborda a relação entre o futebol e a situação sócio-econômica da maioria da população brasileira. O compositor através de um ritmo que contagia boa parte da juventude consegue mostrar a contradição que existe entre a miséria dos favelados e o sonho que a maioria da população tem de ser jogador de futebol.
          Essa discussão nos parece pertinente, haja vista que desde cedo precisamos contribuir com a formação de pessoas que pensem criticamente sobre essa realidade para reconstruí-la com base em outros princípios.


44- Sampa, de Caetano Veloso  - Tema urbanização/cidades

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa


45- A Cidade, de Chico Science e Nação Zumbi - Tema urbanização/cidades

O sol nasce e ilumina as pedras evoluídas
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas
Não importa se são ruins, nem importa se são boas
E a cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais, camelos
A cidade não para, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
A cidade se encontra prostituta
Por aqueles que a usaram em busca de saída
Ilusora de pessoas de outros lugares
A cidade e sua fama vai além dos mares
No meio da esperteza internacional
A cidade até que não está tão mal
E a situação sempre mais ou menos
Sempre uns com mais e outros com menos
A cidade não para, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tu
Pra a gente sair da lama e enfrentar os urubu
Num dia de sol Recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior

Procedimento:

•  A classe ouve a música, acompanhando a letra.
•  Professor e alunos analisam e interpretam a letra.
•  Todos ouvem pela segunda vez a música, se possível cantando juntos.
•  O professor pode formular a seguinte questão: “Que imagens traduziriam visualmente o assunto tratado nessa música?”
Depois disso, o professor propõe aos alunos a localização de fotos, slides, gravuras, cartões postais que tenham alguma relação com essas músicas. Se houver condição, é interessante que eles fotografem o bairro e/ou a cidade.
No dia marcado para a apresentação do material coletado ou produzido, os alunos podem elaborar painéis, cartazes, ou projetar as imagens pesquisadas ao som da música escolhida. Os alunos também podem acrescentar ao material breves comentários sobre a importância do trabalho por eles realizado.


46- Desafios da educação - música Anjos da Guarda - (Leci Brandão)

Professores
Protetores das crianças do meu país
Eu queria, gostaria
De um discurso bem mais feliz
Porque tudo é educação
É matéria de todo o tempo
Ensinem a quem sabe tudo
A entregar o conhecimento
Na sala de aula
É que se forma um cidadão
Na sala de aula
Que se muda uma nação bis
Na sala de aula
Não há idade, nem cor
Por isso aceite e respeite
O meu professor
Batam palmas pra ele
Batam palmas pra ele
Batam palmas pra ele



47-Brasileiro - Ivete Sangalo

Fim de semana, todo brasileiro gosta de fazer um som
Uma cerveja bem gelada
Violão de madrugada, samba e futebol
Eu trabalho o ano inteiro
De janeiro a janeiro e não me canso de plantar
Ô ô ô ô
Passa boi, passa boiada
Debruçada na janela, que vontade de cantar
Eu sou brasileiro
Índio, mulato, branco e preto
Eu vou vivendo assim
Eu sou batuqueiro (Cafuzo)
Ando de buzu precário, tão pequeno o meu salário
Na vitrine é tudo caro e assim mesmo quer sorrir
Reza pra todos os santos
São Vicente, São Jerônimo
Vai atrás de um pai-de-santo pro barraco construir
No domingo tem preguiça
Vou com fé, eu vou à missa
E na segunda ao candomblé
Ó, que linda criatura
Não entendo essa mistura, com esse tal de silicone
Ninguém sabe se é homem ou se é mulher
Doze meses de agonia
Chegou na periferia com o presente de Natal (legal)
Dou comida à molecada
Mando brincar na calçada
Tá na hora do jornal
Falta rango, falta escola
Falta tudo a toda hora
Tá na hora de mudar
Vivo com essa vida dura
São milhões de criaturas
Brasileiro sempre acha algum motivo pra comemorar.

Para conversar:

A música fala de um jeito brasileiro de viver, driblando as dificuldades para não desanimar. Há quem considere isso um valor e quem considere isso como um atraso cultural, acomodação. O que você pensa disso? O que tem levado à manutenção das desigualdades em nosso país: nossa cultura ou a ganância e o descaso histórico com o povo brasileiro? Converse sobre isso com seus colegas.


48-    Problema Social  -  Seu Jorge

Se eu pudesse eu dava um toque em meu destino
Não seria um peregrino nesse imenso mundo cão
Nem o bom menino que vendeu limão
Trabalhou na feira pra comprar seu pão
Não aprendia as maldades que essa vida tem
Mataria a minha fome sem ter que roubar ninguém
Juro que nem conhecia a famosa Funabem
Onde foi a minha morada desde os tempos de neném
É ruim acordar de madrugada pra vender bala no trem
Se eu pudesse eu tocava em meu destino
Hoje eu seria alguém
Seria um intelectual
Mas como não tive chance de ter estudado em colégio legal
Muitos me chamam de pivete
Mas poucos me deram um apoio moral
Se eu pudesse eu não seria um problema social.

Para conversar:

- As oportunidades que as pessoas têm na vida, influenciam suas escolhas?
- Você conhece experiências em que as pessoas puderam crescer devido às oportunidades que tiveram?
- Que realidades influenciam para que jovens se envolvam na criminalidade?
- Quando falamos em ações afirmativas, o que é preciso considerar?


49-    Admirável Chip Novo – Pit

Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor (2x)

    Para conversar:

Que sistema é esse que quer nos programar/controlar?
Como ele funciona?
A quem interessa que as pessoas não pensem, não façam escolhas, não sejam livres?
De que forma podemos romper com isso?


50-    Somos Quem Podemos Ser - Engenheiros do Hawaii
Composição: Humberto Gessinger

Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos
Às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração...
A vida imita o vídeo
Garotos inventam
Um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez...
Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...
Um dia me disseram
Quem eram os donos
Da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro, ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum...
A vida imita o vídeo
Garotos inventam
Um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez...
Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...
Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Um dia me disseram que os ventos
Às vezes erram a direção
Quem ocupa o trono
Tem culpa
Quem oculta o crime
Também
Quem duvida da vida
Tem culpa
Quem evita a dúvida
Também tem...
Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...

Para conversar:

Esta música, do final dos anos 1980, fala de realidades e sonhos de uma geração de jovens. De lá para cá, aconteceram muitas mudanças e grandes desafios! Os jovens ainda questionam o mundo do jeito que está aí; os direitos que não saíram do papel. Como nada cai do céu, temos que pensar como vamos nos envolver e lutar pelos nossos direitos.


51-    A Lista  -  Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

Para conversar:

Há quem lamente as perdas que a vida impõe e quem faça delas um aprendizado.
- O que realmente importa na vida?
- Das experiências já vividas, quais você destacaria em sua lista?
E quais amigos participaram destes momentos?


52-    Quase Sem Querer  -  Legião Urbana

Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranqüilo
E tão contente...

Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém...

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira...

Mas não sou mais
Tão criança,
A ponto de saber tudo...

Já não me preocupo
Se eu não sei porque
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê...

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo
O mesmo que você...

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?...

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto...

Já não me preocupo
Se eu não sei porque
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê...

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero
O mesmo que você...

Para conversar:

          Um amigo nos ajuda a entendermos a nós mesmos e ao sentido da vida. Esta música pode motivar para uma reflexão sobre esta característica da amizade: ajudar o outro a se encontrar e encontrar seu lugar no mundo.


53-    Tocando em Frente  -  Almir Sater

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs,
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder seguir,
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, e no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder seguir,
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
Levo esse sorriso porque já chorei demais
Cada um de nós compõe a sua história,
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
E ser feliz.


54-    Deixa a Vida me Levar  -  Zeca Pagodinho

Eu já passei
Por quase tudo nessa vida
Em matéria de guarida
Espero ainda a minha vez
Confesso que sou
De origem pobre
Mas meu coração é nobre
Foi assim que Deus me fez...

E deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Deixa a vida me levar
(Vida leva eu!)
Sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu...

Só posso levantar
As mãos pro céu
Agradecer e ser fiel
Ao destino que Deus me deu
Se não tenho tudo que preciso
Com o que tenho, vivo
De mansinho lá vou eu...

Se a coisa não sai
Do jeito que eu quero
Também não me desespero
O negócio é deixar rolar
E aos trancos e barrancos
Lá vou eu!
E sou feliz e agradeço
Por tudo que Deus me deu...

Para conversar:

          A música sugere uma atitude otimista frente à vida. Há quem reclama e não faz nada. Há quem se acomoda e não se compromete. Há quem luta a vida inteira para a vida melhorar. Qual a nossa atitude?  Como podemos ser gratos a Deus pelo presente da Vida?


55-    Gracias a la vida  -  Violeta Parra – Chile

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros, que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del branco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
En las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
Grava noche y día grillos y canarios
Martillos, turbinas, ladridos, chuvascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Padre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve, ciudades y charcos
Playas y desiertos, montaña y llano
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón, que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros.

Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto.

Gracias a la vida que me ha dado tanto.

Tradução: por Márcia Viegas

Dou graças à vida que tem me dado tanto
Me deu dois luzeiros, que quando os abro
Perfeitamente distingo o preto do branco
E no alto do céu seu fundo estrelado
Nas multidões o homem que eu amo.

Dou graças à vida que tem me dado tanto
Me deu o ouvido, que em toda sua amplidão
Grava noite e dia grilos e canários
Martelos, turbinas, latidos, chuvadas
E a voz tão terna do meu bem-amado.

Dou graças à vida que tem me dado tanto
Me deu o som e o abecedário
Com ele as palavras, que penso e declaro
Pai, amigo, irmão e luz iluminando
A rota da alma do que estou amando.

Dou graças à vida que tem me dado tanto
Me deu a marcha dos meus pés cansados
Com eles andei cidades e charcos
Praias e desertos, montanha e plano
E a casa tua, tua rua e teu pátio.

Dou graças à vida que tem me dado tanto
Me deu o coração, que agita seu ritmo
Quando vejo o fruto do cérebro humano
Quando vejo o bom tão longe do mau
Quando vejo a profundeza de teus olhos claros.

Dou graças à vida que tem me dado tanto
Me deu o sorriso e também o pranto
Assim eu distingo, dita de quebranto
Os dois materiais que formam meu canto
E o canto de vocês que é o mesmo canto
E o canto de todos que é meu próprio canto.

Dou graças à vida que tem me dado tanto

Dinâmica

• Escutar a música (é mais fácil achar com Mercedes Sosa), sempre em espanhol. Ou ler, ou declamar o texto como um poema.
• O que a compositora agradece?
Observar a riqueza das dimensões da vida humana, expressas em nossos sentimentos: olhar, ouvir, falar/cantar, caminhar, sentir, sorrir/chorar...
• O que temos a agradecer na “Ação de Graças” deste ano e de que forma vamos fazê-lo?


56-    500 Anos de Sobrevivência  -  Gabriel Pensador

500 anos de vida,
500 anos de sobrevivência,
500 anos de história,
500 anos de experiência,
500 anos de batalhas, derrotas e vitórias,
Desordem e progresso, fracasso, sucesso,
Dor e alegria, tristeza e paixão,
500 anos de trabalho,
e a obra ainda está em construção,
A luta continua, a vida continua,
Apesar do sangue que escorre,
O guerreiro não se cansa e acredita na mudança,
Porque a esperança é última que morre.
Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Eu odeio tudo isso, mas eu tenho que saber,
O que eu leio no jornal e eu vejo na TV,
Eu odeio tudo isso, mas eu tenho que vencer,
Porque eu tenho um compromisso com a vida e com você,
O que eu vejo no jornal não me deixa feliz,
Mas não mudo de canal e não mudo de país,
Eu tenho medo, porque o medo está no ar,
Mas ainda é cedo pra deixar tudo pra lá,
Não adianta ficar aqui à toa,
Só esperando pra ouvir notícia boa,
O que se planta é o que se colhe,
O futuro é um presente que a gente mesmo escolhe,
A semente já está no nosso chão,
Agora é só regar com a mente e o coração,
A transformação da revolta em amor,
Faz a água virar vinho e o espinho virar flor,
Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Não adianta ficar aqui à toa,
Só esperando pra ouvir notícia boa,
O que se planta é o que se colhe,
O futuro é um presente que a gente mesmo escolhe,
A semente já está no nosso chão,
Agora é só regar com a mente e o coração,
A transformação da revolta em amor,
A transformação...
Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Nem todos que sonharam conseguiram, mas pra conseguir é preciso
sonhar.

Para conversar:

    O desrespeito ao direito que toda pessoa humana tem de ser tratada com dignidade é histórico, mas não pode ser eterno. Como dizia Mandela: “Não nascemos odiando. Se aprendemos a odiar, podemos aprender a amar e a respeitar”.
     Converse com seus colegas sobre as ações que no dia a dia podem contribuir para a mudança no modo de tratar as pessoas, para uma cultura de solidariedade e paz.
     O que podemos fazer e por onde vamos começar?


57-    Eu só peço a Deus  -  Mercedes Sosa e Beth Carvalho

Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria
Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente
Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda fome e inocência dessa gente
Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente
Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver uma cultura diferente.


58-    Haiti  -  Interpretação: Afroreggae
Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for à festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for transar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui.

Para conversar:

          A luta pelos direitos humanos só existe por força daqueles que não se conformaram com as injustiças. Faça uma pesquisa sobre a luta de Gandhi, de Mandella, de Martin Luter King, de D. Helder Câmara, de Chico Mendes, de Ir Dorothy e outros tantos que defenderam a causa dos excluídos porque entenderam que a paz só é possível pela prática da justiça.
          É possível viver com sentido sem abraçar a causa de melhorar a vida das pessoas?


59-    Homem que faz a Guerra  -  Interpretação: Cidade Negra
Composição: Lazão / Toni Garrido / Da Gama / Bino Farias / Rappin’Hood

O homem que faz a guerra
Não tem tempo de fazer o amor (2x)
Manipula a vitória
Muda o rumo da história
Tipo o dono da razão
Ele já não lembra mais
Das lágrimas do passado
E das vidas desperdiçadas
Ele já não sabe que perdeu
Grande parte da sua vida
E todo senso de humor
Ele perdeu o pôr-do-sol
Ele perdeu a lua no seu quintal
E não sentiu o cheiro do mar...
“O homem fez a guerra, Quase explodiu a terra,
O homem poluiu o ar, De toda a atmosfera,
Quase acabou com tudo, Se achou o dono do mundo,
Não importa se os pais, De família virem defuntos,
O homem escraviza, Só o lucro visa,
Se dane o trabalhador, Que sua a camisa,
Não preza a amizade, Não passa de um covarde,
Nunca conheceu um parceiro, Como “Sabotage”,
Não tem piedade, Não acredita em Deus,
Quanto mais melhor, Que se danem os plebeus,
Pois é tudo por dinheiro, Batalha o dia inteiro,
De sol a sol, Por pouco a luta dos guerreiros,
Drama dos brasileiros, Vejo todos os dias,
Enquanto poucos ganham, Chora a maioria,
Dinheiro pros playboys, Armas e drogas prá favela, Século 21,
O homem ainda faz a guerra”
O homem que faz a guerra
Não tem tempo de fazer o amor (2x)
Manipula a vitória
Muda o rumo da história
Tipo o dono da razão
Ele já não lembra mais
Das lágrimas do passado
E das vidas desperdiçadas
Ele já não sabe que perdeu
Grande parte da sua vida
E todo senso de humor
Ele perdeu o pôr-do-sol
Ele não viu a lua no seu quintal
Ele não viu as cores do mar...
“Homem sem tempo, Grana é seu movimento,
Amigo é dinheiro, No bolso seu argumento,
Não observou o sorriso, De uma criança,
Nunca aprendeu, Sobre o amor e a esperança,
Nunca estudou, Sobre a vida de Marcus Garvey,
Nunca entendeu, A mensagem de Bob Marley,
Não sentiu na pele, O que é ter necessidade,
Nunca saberá, Conviver na simplicidade,
Diz que humildade, É coisa de otário,
Que vai ganhar pra sempre, Aquele mínimo salário,
Pra Jah eu oro agora, Pedindo proteção,
Força e saúde, Pra cantar mais um refrão”
Digam: Eu sou
Eu sou!
Vencedor
Vencedor!
Digam: Eu sou
Eu sou!
O Senhor
O Senhor!
Ele perdeu o pôr-do-sol
Ele não viu a lua no seu quintal
Ele não viu as cores do mar...

Para conversar:

Em que o desrespeito aos direitos fundamentais da pessoa humana, pobre ou rica, preta ou branca, nos atinge?
As atitudes egoístas e as injustiças colaboram para tornar o mundo um lugar de medos e incertezas? O que pode devolver ao ser humano o sentido da vida?


60-    O meu país  -  Zé Ramalho

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo.

Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem Deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram-se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo em comum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é, com certeza, o meu país

Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde a escola não ensina
E hospital não dispõe de raios X
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é, com certeza, o meu país

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o Brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é, com certeza, o meu país.

Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo.

Para conversar:

De quais direitos negados fala esta música? Por que isso acontece?
O que significa a atitude de ficar calado diante das injustiças e desigualdades?


61-    Índio do Brasil  -  Boi Garantido
Composição: Geandro Pantoja / Demetrios Haidos

Sou igara nessas águas
Sou a seiva dessas matas
E o ruflar das asas de um beija-flor
Eu vivia em plena harmonia com a natureza
Mas um triste dia o kariwa invasor
No meu solo sagrado pisou
Desbotando o verde das florestas
Garimpando o leito desses rios
Já são cinco séculos de exploração
Mas a resistência ainda pulsa no meu coração
Na cerâmica Marajoara, no remo Sateré
Na plumária ka'apor, na pintura kadiwéu
No muiraquitã da icamiaba
Na zarabatana Makú, no arco Mundurukú
No manto Tupinambá, na flecha kamayurá
Na oração Dessana...
Canta índio do Brasil
Canta índio do Brasil
Anauê nhandeva, anauê hei, hei, hei!
"Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada Brasil".

Para conversar:
Pergunte a seus pais e avós o que lhes era dito sobre os povos indígenas? Quem contava essa história?
E você, o que sabe sobre eles? Quem lhe disse? Onde você busca outras informações?
Qual a dívida histórica que temos com estes povos e como podemos resgatá-la?


62-    Amor de Índio -  Milton Nascimento

Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo cuidado, meu amor
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver passar
Tudo viver ao teu lado
Com o arco da promessa
No azul pintado pra durar

Abelha fazendo mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir teu calor
E ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for
E ser tudo

Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho
É mais que sagrado, meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver

No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar
E andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir teu calor
E ser tudo.


63-    Índios  -  Legião Urbana

Quem me dera
Ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro
Que entreguei a quem
Conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora
Até o que eu não tinha

Quem me dera
Ao menos uma vez
Esquecer que acreditei
Que era por brincadeira
Que se cortava sempre
Um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda

Quem me dera
Ao menos uma vez
Explicar o que ninguém
Consegue entender:
Que o que aconteceu
Ainda está por vir
E o futuro não é mais
Como era antigamente.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Provar que quem tem mais
Do que precisa ter
Quase sempre se convence
Que não tem o bastante
Fala demais
Por não ter nada a dizer.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
(Continua...)


64-    Todo Dia Era Dia de Índio  -  Baby do Brasil
Composição: Jorge Bem

Curumim,chama Cunhatã
Que eu vou contar

Curumim,chama Cunhatã
Que eu vou contar

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Curumim,Cunhatã
Cunhatã,Curumim

Antes que o homem aqui chegasse
Às Terras Brasileiras
Eram habitadas e amadas
Por mais de 3 milhões de índios
Proprietários felizes
Da Terra Brasilis

Pois todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio

Mas agora eles só tem
O dia 19 de Abril

Mas agora eles só tem
O dia 19 de Abril
Amantes da natureza
Eles são incapazes
Com certeza
De maltratar uma fêmea
Ou de poluir o rio e o mar

Preservando o equilíbrio ecológico
Da terra,fauna e flora

Pois em sua glória,o índio
É o exemplo puro e perfeito
Próximo da harmonia
Da fraternidade e da alegria

Da alegria de viver!
Da alegria de viver!
E no entanto,hoje
O seu canto triste
É o lamento de uma raça que já foi muito feliz
Pois antigamente

Todo dia era dia de índio
Todo dia era dia de índio
Curumim,Cunhatã
Cunhatã,Curumim

Terêrê,oh yeah!
Terêreê,oh!


65-    Pais e Filhos  -  Legião Urbana

Estátuas e cofres
E paredes pintadas
Ninguém sabe
O que aconteceu...

Ela se jogou da janela
Do quinto andar
Nada é fácil de entender...

Dorme agora
Uuuhum!
É só o vento
Lá fora...

Quero colo!
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com vocês
Estou com medo
Tive um pesadelo
Só vou voltar
Depois das três...

Meu filho vai ter
Nome de santo
Quero o nome
Mais bonito...

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar
Pra pensar
Na verdade não há...

Me diz, por que que o céu é azul
Explica a grande fúria do mundo
São meus filhos
Que tomam conta de mim...

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar
Eu moro na rua
Não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar...

Já morei em tanta casa
Que nem me lembro mais
Eu moro com os meus pais
Huhuhuhu!... Oh! Oh!...

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar
Pra pensar
Na verdade não há...

Sou uma gota d’água
Sou um grão de areia
Você me diz que seus pais
Não lhe entendem
Mas você não entende seus pais...

Você culpa seus pais por tudo
E isso é absurdo
São crianças como você
O que você vai ser
Quando você crescer?

Trocando ideias sobre a música:

Uma família que seja um refúgio é o que todos queremos. Os conflitos e desencontros na rotina familiar são desafios para o exercício do diálogo e do respeito desejados.
A música pode motivar para uma conversa sobre a família que temos, dificuldades, alegrias e como cada um se sente responsável e participa na construção de um ambiente acolhedor.


66-    Riacho do Navio  -  Luiz Gonzaga
Composição : Luiz Gonzaga / Zé Dantas

Riacho do Navio
Corre pro Pajeú
O rio Pajeú vai despejar
No São Francisco
O rio São Francisco
Vai bater no meio do mar
O rio São Francisco
Vai bater no meio do mar
Ah! se eu fosse um peixe
Ao contrário do rio
Nadava contra as águas
E nesse desafio
Saía lá do mar pro
Riacho do Navio
Saía lá do mar pro
Riacho do Navio
Pra ver o meu brejinho
Fazer umas caçada
Ver as "pegá" de boi
Andar nas vaquejada
Dormir ao som do chocalho
E acordar com a passarada
Sem rádio e nem notícia
Das terra civilizada
Sem rádio e nem notícia
Das terra civilizada.

Para conversar:

 Esta música fala de amor e encanto com o que a natureza nos presenteia.
     No pensamento de Marina Silva, defensora do meio ambiente, esse nosso modelo de desenvolvimento não leva em consideração aquilo que já existe de experiências dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Precisamos, então, encontrar formas de viver com a consciência de que é possível desenvolver protegendo e proteger desenvolvendo.
     - O que você pensa sobre isso? O que precisa mudar?
     Só defende o meio ambiente e a vida no planeta quem aprende a amar a natureza.
     Um exercício para esse aprendizado é ouvir a música de Luiz Gonzaga e contemplar as belíssimas e proféticas fotografias de João Zinclar, um fotógrafo comprometido com a revitalização da Bacia Sãofranciscana.


67-    Desconstruindo Amélia  -  Pitty e Martin

Já é tarde, tudo está certo
Cada coisa posta em seu lugar
Filho dorme, ela arruma o uniforme
Tudo pronto pra quando despertar
O ensejo a fez tão prendada
Ela foi educada pra cuidar e servir
De costume esquecia-se dela
Sempre a última a sair
Disfarça e segue em frente
Todo dia, até cansar
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa,
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Nem serva, nem objeto
já não quer ser o outro
hoje ela é um também
A despeito de tanto mestrado
Ganha menos que o namorado
E não entende o porquê
Tem talento de equilibrista
ela é muitas, se você quer saber
Hoje aos trinta é melhor que aos dezoito
Nem Balzac poderia prever
Depois do lar, do trabalho e dos filhos
Ainda vai pra night ferver
Disfarça e segue em frente
Todo dia, até cansar
E eis que de repente ela resolve então mudar
Vira a mesa,
Assume o jogo
Faz questão de se cuidar
Nem serva, nem objeto
já não quer ser o outro
hoje ela é um também.

Conversando sobre a música:

Que mudanças são apontadas pela música em relação à mulher?
- Que outras mudanças precisam ocorrer na sociedade para melhorar a vida das mulheres?
- De que forma homens e mulheres podem se ajudar para garantir uma vida mais digna e feliz?


68-    Novo Tempo  -  Ivan Lins

No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver.

Para pensar:

A mulher contribui para a humanização da sociedade.
Beleza, afeto, ternura, cuidado são características que homens e mulheres precisam desenvolver entre si e com o planeta, para que uma vida melhor seja possível.
- Que tempo é esse que estamos vivendo?
- Que novas relações são necessárias para a construção de um novo tempo?
- Como a mulher vem contribuindo para esse novo tempo?


69-    Dias Melhores  -  Jota Quest

Vivemos esperando
Dias melhores
Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos
Para trás
Vivemos esperando
O dia em que
Seremos melhores
Melhores no amor
Melhores na dor
Melhores em tudo

Vivemos esperando
O dia em que seremos
Para sempre
Vivemos esperando
Dias melhores pra sempre
Dias melhores pra sempre

Vivemos esperando
O dia em que seremos
Para sempre
Vivemos esperando

Dias melhores
Pra sempre...(4x)

Pra sempre!
Sempre! Sempre! Sempre!...

Para pensar:

Homens e mulheres não são inimigos nem competidores.
Por isso se unem, constroem relacionamentos, lutam juntos. Não só esperam, mas também sonham e trabalham para viver dias melhores.
- Por que a luta das mulheres é também de todos os homens?
- Qual o sentido de comemorar esta data?


70-    Flores em você  -  Banda Ira
Composição: Edgard Scandurra

De todo o meu passado
Boas e más recordações
Quero viver meu presente
E lembrar tudo depois...
Nessa vida passageira
Eu sou eu, você é você
Isso é o que mais me agrada
Isso é o que me faz dizer...
Que vejo flores em você!...

Para conversar:

     Perceber as belezas do outro; buscar além das aparências; não remoer mágoas e ressentimentos. De tudo isso e muito mais se fortalecem os relacionamentos.
- Quando as nossas diferenças pessoais não se tornam obstáculos num relacionamento?


71-    É pra rir ou pra chorar?  -  Gabriel Pensador

O Brasil proclamou sua independência,
mas o filho do rei é que assumiu a gerência.
O povo sem estudo não dá muito palpite,
e a nossa república é só pra elite.
(E quem faz greve o patrão ainda demite).
É pra rir ou pra chorar?
O Brasil aboliu a escravidão,
mas o negro da senzala foi direto pra favela.
Virou um homem livre e foi pra prisão.
Só que a tal da liberdade não entrou lá na cela.
(E a discriminação ainda é verde e amarela).
É pra rir ou pra chorar?
O Brasil foi parar na mão dos militares,
que calaram o povo no tempo da ditadura.
Torturaram e prenderam e mataram milhares,
mas ninguém foi condenado pelos crimes de tortura.
(E tem até torturador lançando candidatura).
É pra ri ou pra chorar?
O Brasil conseguiu as eleições diretas,
mas a gente que vota ainda é semianalfabeta.
O Collor foi eleito e roubou até cansar.
O povo deu um jeito de cassar o marajá.
Mas ele não foi preso e falou que vai voltar!
É pra rir ou pra chorar?
O Brasil tem mais terra do que a china tem chinês,
mas a terra tá na mão dos grandes latifundiários.
A reforma agrária, ninguém ainda fez.
Ainda bem que os sem-terra não são otários.
(E tudo que eles querem é direito a ter trabalho).
É pra rir ou pra chorar?
O Brasil tem miséria, mas tem muito dinheiro,
na mão de meia dúzia, no banco suíço.
O rico sobe na vida feito estrangeiro, e o pobre só sobe no elevador de serviço.
(E você aí fingindo que não tem nada com isso?)
É pra rir ou pra chorar?
O Brasil tem um povo gigante por natureza
que ainda não percebe o tamanho dessa grandeza.
Sempre solidário no azar ou na sorte,
um povo generoso, criativo e risonho.
Poderoso, e tem um coração batendo forte
que põe fé no futuro do mesmo jeito que eu ponho.
E vai ter que ser independência ou morte.
Um por todos, e todos por um sonho.
É pra rir ou pra chorar?
É pra ir ou pra voltar?
Pra seguir ou pra parar?
Pra cair ou levantar?
É pra rir ou pra chorar?
Pra sair ou pra ficar?
Pra ouvi ou pra falar?
Pra dormir ou pra sonhar?
É pra ver ou pra mostrar?
Aplaudir ou protestar?
Construir ou derrubar?
Repetir ou transformar?
É pra rir ou pra chorar?
Pra se unir ou separar?
Agredir ou agradar?
Pra torcer ou pra jogar?
Pra fazer ou pra comprar?
Pra vender ou pra alugar?
Pra jogar pra perder ou pra ganhar?
Dividir ou endividar?
Dividir ou individualizar?
É pra rir ou pra chorar?!

Conversando sobre a música:

- Que críticas e questionamentos estão presentes nesta música?
- Qual o sentido da indignação numa realidade como a nossa?
- A que instrumentos de participação temos acesso, para nos manifestar e ajudar a mudar essa realidade de incoerência e privilégios; falta de ética e de respeito para com o povo?


72-    Coração Civil  -  Milton Nascimento
Composição: Milton Nascimento e Fernando Brant

Quero a utopia, quero tudo e mais
Quero a felicidade nos olhos de um pai
Quero a alegria muita gente feliz
Quero que a justiça reine em meu país
Quero a liberdade, quero o vinho e o pão
Quero ser amizade, quero amor, prazer
Quero nossa cidade sempre ensolarada
Os meninos e o povo no poder, eu quero ver
São José da Costa Rica, coração civil
Me inspire no meu sonho de amor Brasil
Se o poeta é o que sonha o que vai ser real
Bom sonhar coisas boas que o homem faz
E esperar pelos frutos no quintal
Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço, cadê poder?
Viva a preguiça viva a malícia que só a gente é que sabe ter
Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida
Eu viver bem melhor
Doido pra ver o meu sonho teimoso
Um dia se realizar
E eu viver bem melhor.

Conversando sobre a música:

Partindo da música, conversar com os jovens sobre as justiças que gostaríamos que reinassem em nosso país, em nossa cidade, em nossa escola. Sobre a importância de não perdermos essas utopias e de não desistirmos de lutar por elas.


73-    Voz da massa  -  Seu Jorge
Composição: Gabriel Moura / João Carlos

Seu Zé do Caroço falou:
Quem cuida do nosso Brasil?
Quem livra essa gente da dor?
Quem tem peito de ser varonil?
O ano dois mil já passou
Parece primeiro de abril
O mundo tá aí, não acabou
Mas cadê?
Ninguém sabe, ninguém viu
Refrão
É a voz da massa
Que vai na raça
É a voz da massa
Que vem cantar em coro no meu samba
Criança no morro chorou
A autoridade não viu
Nem lembra que o trabalhador
É filho da pátria gentil
Meu samba é partido, é amor
Versando por esse Brasil
Pedindo respeito e valor
Mas cadê?
Ninguém sabe, ninguém viu.

Conversando sobre a música:
74-   
O descaso de nossos governantes diante do sofrimento vivido pelo povo brasileiro é tema desta música. Neste ano eleitoral, podemos manifestar nossa indignação e descontentamento para com aqueles que nos representam através do voto e de escolhas inteligentes. Muitos ficam indecisos quanto a votar ou não; desistem e deixam para que outros façam a escolha. E você, o que pensa sobre isso? Converse com seus colegas sobre como podemos nos organizar para fazer valer esse momento.


74-    Brasil  -  Cazuza / Nilo Roméro / George Israel

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...
Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha...
Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...
Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer...
Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer "sim, sim"
Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...
Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair...
Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim...(2x)
Confia em mim
Brasil!!

Conversando sobre a música:

A canção de Cazuza retrata a situação de corrupção e violência como sugere nos versos “meu cartão de crédito/é uma navalha.” A expressão “festa pobre” sugere o desdém a esse estado de coisas. O fato de ele ficar na porta reflete a sua exclusão social. A televisão colabora para que as pessoas não se rebelem contra o que está acontecendo, transformando-as em robôs. Estabelece diálogo com situações da época, exigindo conhecimento de mundo do ouvinte. Entre eles o quadro Garota do Fantástico apresentado pelo programa dominical da Rede Globo, que leva o mesmo nome. Nesse quadro, era realizado um desfile com meninas anônimas e as que se destacavam eram projetadas para a fama.
Quais fatos históricos são apontados nesta música? Que sentimentos estão expressos? Destaque alguma expressão da música que chama sua atenção e comente-a.
O que é civilidade e qual o seu valor para os dias atuais?


75-    Aquarela do Brasil   -   Composição de Ari Barroso

Brasil, meu Brasil brasileiro,
Meu mulato inzoneiro,vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá, bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor, terra de Nosso Senhor

Brasil, pra mim, pra mim, pra mim

Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do serrado
Bota o rei-congo no congado
Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda a canção do meu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões, arrastando o seu vestido rendado

Brasil, pra mim, pra mim, pra mim
Brasil, terra boa e gostosa
Da morena sestrosa, de olhar indiferente
O Brasil, samba que dá, bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor, terra de Nosso Senhor

Brasil, pra mim, pra mim, pra mim

Esse coqueiro que dá coco
Onde amarro a minha rede, nas noites claras de luar
Ah ouve essas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ah esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro

Brasil, pra mim, pra mim, Brasil
Brasil, pra mim, pra mim aquarela do Brasil.

Nota:

Composta em 1939, esta canção foi considerada um samba-hino, votada em 1997 como a Melhor Canção Brasileira do Século por um juri de 13 peritos, feito pela Academia Brasileira de Letras. Foi gravada inúmeras vezes e dos seus mais conhecidos intérpretes destacam-se João Gilberto, Carmen Miranda, Gal Costa, Elis Regina etc.


76-    Pra não dizer que não falei das flores   -    Geraldo Vandré

Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção

Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora não espera acontecer

Pelos campos a fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão

Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão

Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não

Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição.

Nota:

   Esta música que chegou ao 2º lugar no Festival da TV Globo de 1968, foi a preferida do público, que a cantou em uníssono no Maracanãzinho e virou hino contra a ditadura. Geraldo Vandré fugiu do país, após a apreensão, no festival da Record, da música de sua autoria Pra não dizer que não falei das flores (1968) – censurada pela repressão militar.
   A letra dessa música, com grande sensibilidade captou o momento histórico pelo qual o país passava na segunda metade dos anos sessenta. Essa canção ressurgiu cantada pelos operários do ABC paulista, em fins dos anos setenta, quando o sindicalismo brasileiro ganhava novo impulso.

Atividade:

- A partir do estudo da letra da música, é possível identificar as razões da proibição por parte da censura? Justifique.
- Como música de protesto, ainda hoje possui atualidade?
- Transcreva o verso em que toda a sociedade brasileira está resumida.
- Transcreva o verso em que demonstra a concentração da renda.
- o que significa: “que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer.”


77-    Que País é Este?   -   Legião Urbana – Renato Russo

Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação

Que país é este ? – 4 x

No Amazonas, no Araguaia ia ia, na Baixada Fluminense
Mato Grosso, nas Minas Gerais e no Nordeste tudo em paz
Na morte o meu descanso, mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão

Que país é este? – 4x

Terceiro mundo se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão

Que país é este? – 4x


78-    Sob o mesmo céu   -   Lenine e Lula Quieroga

Brasil,
Com quantos Brasis se faz um Brasil?
Com quantos Brasis se faz um país chamado Brasil?
Sob o mesmo céu
Cada cidade é uma aldeia, uma pessoa,
Um sonho, uma nação.
Sob o mesmo céu,
Meu coração não tem fronteiras,
Nem relógio, nem bandeira,
Só o ritmo de uma canção maior.
A gente vem do tambor do Índio,
A gente vem de Portugal,
Vem do batuque negro
A gente vem do interior e da capital,
A gente vem do fundo da floresta,
Da selva urbana dos arranha-céus,
A gente vem do pampa, do cerrado,
Vem da megalópole, vem do Pantanal,
A gente vem de trem, vem de galope,
De navio, de avião, motocicleta,
A gente vem a nado
A gente vem do samba, do forró,
A gente vem do futuro conhecer nosso passado.
Brasil,
Com quantos Brasis se faz um Brasil?
Com quantos Brasis se faz um País chamado Brasil?
A gente vem do rap e da favela,
A gente vem do centro e da periferia,
A gente vem da maré, da palafita,
Vem dos Orixás da Bahia,
A gente traz um desejo de alegria e de paz,
E digo mais:
A gente tem a honra de estar ao seu lado
A gente vem do futuro conhecer nosso passado.
Brasil,
Com quantos Brasis se faz um Brasil?
Com quantos Brasis se faz um país chamado Brasil. (bis)
A gente vem do futuro, conhecer nosso passado.

Conversando sobre a música:

A música traz imagens da diversidade que compõe o nosso país e que é a sua maior riqueza. Você concorda com isso? Faça uma pesquisa sobre a diversidade cultural do povo brasileiro, destacando seus aspectos positivos e as atitudes que ainda precisamos desenvolver para que as diversas culturas sejam igualmente valorizadas.


79-    Minha Alma - (A paz que eu não quero)  -  O Rappa

A minha alma está armada
e apontada para a cara
do sossego
pois paz sem voz
não é paz é medo

Às vezes eu falo com a vida
às vezes é ela quem diz
qual a paz que eu não quero
conservar
para tentar ser feliz

As grades do condomínio
São para trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se não é você que está nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo
Faça um filho comigo
Mas não me deixe sentar
Na poltrona no dia de domingo
Procurando novas drogas
De aluguel nesse vídeo
Coagido pela paz
Que eu não quero
Seguir admitindo.

Para pensar:

Qual a paz que eu quero? E qual o tipo de paz que eu não quero?
Olhando para a sociedade, que sinais de morte e violência percebo?
E que sinais de vida e de paz?


80-    A Canção do Senhor da Guerra  -  Legião Urbana

Existe alguém
Esperando por você
Que vai comprar
A sua juventude
E convencê-lo a vencer...
Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças
Com armas na mão
Mas explicam novamente
Que a guerra gera empregos
Aumenta a produção...

Uma guerra sempre avança
A tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Pra que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros
Na exportação...

Existe alguém
Que está contando com você
Pra lutar em seu lugar
Já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer...

E quando longe de casa
Ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando
Novos jogos de guerra...

Que belíssimas cenas
De destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação...

Veja que uniforme lindo
Fizemos pra você
Lembre-se sempre
Que Deus está
Do lado de quem vai vencer...

O senhor da guerra
Não gosta de crianças...(6x)

Para pensar:

Queremos a paz,  mas nossas atitudes muitas vezes dizem o contrário.
Como alimentamos nossos sonhos de paz?
Como resolvemos os conflitos do cotidiano?


81-    A Paz   -   Gilberto Gil

A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais

A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz

Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz

Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos “ais”.

Para pensar:

O mundo em que vivemos é um mundo de conflitos.
Decidir-se pela paz desinstala, provoca em nós uma revolução.
Como estou somando para a construção da paz nesta realidade


82-    Pela Paz   -   Titãs

Você espera sempre mais
Você não se conforma
Você não se satisfaz
Todo mundo diz acreditar na paz

E você acredita ou não?
E então, o que você faz pela paz?
O que você faz pela paz?
O que você faz pela paz?

Todos são capazes da guerra
Mas ninguém luta por você
Você ainda está sozinho
Ninguém acredita em ninguém

E você acredita ou não?
E então, o que você faz pela paz?
O que você faz pela paz?
O que você faz pela paz?

Para pensar:

A paz é uma construção que se faz em conjunto.
No meu projeto de vida, que outros estão incluídos?
Tem lugar para ações de paz?


83-    A Paz - Interpretação: Banda Roupa Nova
Composição: Michael Jackson; Versão: Nando

É preciso pensar um pouco nas pessoas que ainda vêm
Nas crianças
A gente tem que arrumar um jeito
De achar pra eles um lugar melhor.
Para os nossos filhos
E para os filhos de nossos filhos
Pense bem!
Deve haver um lugar dentro do seu coração
Onde a paz brilhe mais que uma lembrança
Sem a luz que ela traz já nem se consegue mais
Encontrar o caminho da esperança
Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens
Se fazendo irmão e estendendo a mão
Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Se você for capaz de soltar a sua voz
Pelo ar, como prece de criança
Deve então começar, outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança
Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.
Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz
Quanta dor e sofrimento em volta a gente ainda tem,
Pra manter a fé e o sonho dos que ainda vêm.
A lição pro futuro vem da alma e do coração,
Pra buscar a paz, não olhar pra trás, com amor.
Se você começar, outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança.
Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.
Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz.

Para conversar:

Um mundo melhor começa com mudanças a partir do local onde vivemos, onde certamente existem situações de conflitos para serem resolvidas sem violência, com conversa e perdão.
Que futuro estamos deixando para nossas crianças? O que estamos ensinando a elas?


84-    Sementes do Amanhã  (Nunca Pare de Sonhar)  - (Gonzaguinha)

Ontem o menino que brincava me falou
Que hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que esse tempo vai passar
Não se desespere
Nem pare de sonhar
Nunca se entregue
Nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida
Fé no homem
Fé no que virá
Nós podemos tudo nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será


85-     Amigos Para Sempre   -   Jayne

Eu não tenho nada pra dizer
você parece no momento até saber como eu estou sofrendo
Vem, veja através dos olhos meus a emoção que sinto
em estar aqui
Sentir seu coração me amando
Amigos para sempre é o que nós iremos ser
Na primavera ou em qualquer das estações
Nas horas tristes nos momentos de prazer
amigos para sempre
Você pode estar longe, muito longe sim
Mas por te amar sinto você perto de mim
e o meu coração contente
Não nos perderemos não te esquecerei
você é minha vida tudo que eu sonhei
E quis para mim um dia.

Amigos para sempre é o que nós iremos ser
Na primavera ou em qualquer das estações
Nas horas tristes nos momentos de prazer
amigos para sempre (Refrão 2X)

Olho, pra você e me pergunto assim
Se tudo é tão sincero
Por que tem que haver
Um tempo de dizer adeus ...
Amigos para sempre é o que nós iremos ser
Na primavera ou em qualquer das estações
Nas horas tristes nos momentos de prazer
amigos para sempre.

Para conversar:

    A música fala da amizade que alimenta os relacionamentos. Associada aos professores, podemos dizer que é um dos valores que permeia o seu trabalho.
     Além de instruir, eles também orientam e motivam as pessoas para a vida; estão muito próximos acompanhando o seu crescimento.


86-    Sem Trânsito, Sem Avião   -  Victor e Leo

Saia desse asfalto e vem
Pra nossa estrada que é de chão
Tem poeira e barro, tem
Tem cavalo e boi
Preste atenção
Você não vai se arrepender
Pois a paisagem, pode crer
É demais, é de babar
Descalço, sem se preocupar
Se solte e venha pro sertão
O céu no chão parece estar
Sem trânsito, sem avião (x2).

Conversando sobre a música:

Acostumados com a vida nas grandes cidades, esta paisagem apontada pela música é desconhecida para muitos e impensável para tantos outros. Longe da poluição e do conforto das cidades, há outro tipo de beleza e liberdade para serem contempladas, que nos convidam a pensar o nosso estilo de vida: por que precisamos de tantas coisas para sermos felizes? Isso tudo que é alvo de correria e agitação tem nos levado para onde? Não precisamos rever nosso modo de viver?


87-    O Sal da Terra   -   Composição: Beto Guedes/Ronaldo Bastos

Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão, da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar...
Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo
Prá banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver...
A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da Terra ...
Terra!
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã
Canta!
Leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que és do homem, a maçã...
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois...
Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra.

Conversando sobre a música:

A música é uma mensagem de esperança, de que ainda dá tempo de realizar mudanças.
O excesso de automóveis contribui significativamente para a poluição ambiental e o aquecimento global. No entanto ter um carro é o nosso grande sonho de consumo, pois nos dá poder e minimiza nosso sofrimento com a ineficiência do transporte público.
- Que atitudes mais responsáveis podem contribuir para uma cultura de cuidado com o planeta, aumentando a esperança no presente e no futuro das próximas gerações?


88-    O Que É, O Que É?   -   Gonzaguinha

Eu fico
Com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

Viver!
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz...

Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita...

E a vida!
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida
De um coração
Ela é uma doce ilusão
Hê! Hô!...

E a vida
Ela é maravilha
Ou é sofrimento?
Ela é alegria
Ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão...

Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo...

Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor...

Você diz que é luxo e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer...

Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser...

Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte...

E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita...

Dinâmica

Distribuir a letra da música O que é, o que é? e depois de cantá-la, formar pequenos grupos para conversar, trazer notícias, ou fazer uma enquete sobre a VIDA. Cada grupo pode conversar sobre uma ou todas as questões, ilustrando com dados e situações.
1
- E a vida o que é, diga lá meu irmão?
- Onde é que a gente percebe que existe vida?
2
- Ela é maravilha ou é sofrimento?
- O que torna a vida boa ou ruim?
3
- Ela é alegria ou lamento?
- Quem pode mudar o rumo da vida, tornando-a boa ou ruim? Como?
4
- Ninguém quer a morte, só saúde e sorte
- O que tem levado as pessoas a desejar a vida, mas envolver-se em situações de morte?
5
- Somos nós que fazemos a vida, como der ou puder ou quiser
- O que podemos fazer (individual e coletivamente) para tornar a vida melhor para todos?

Montar o cenário para o jornal falado, onde dois relatores de cada grupo vão apresentar as conclusões. Os demais, dispostos em um círculo, vão ouvir e anotar questões que gostariam de fazer para os apresentadores, que podem responder ou repassar para que outros do grupo respondam. Outros também podem complementar as respostas.

No final, o coordenador geral faz uma síntese e o fechamento do trabalho, convidando o grupo a cantar e a dançar, no sentido de celebrar a vida que nos chama para viver e não ter a vergonha de
ser feliz.


89-    É Preciso Saber Viver   -  Titãs

Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver

Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver

É preciso saber viver
É preciso saber viver
É preciso saber viver
Saber viver, saber viver!

    Dinâmica

1) Coloque uma música de fundo e peça que as pessoas circulem pelo espaço onde estão e, em silêncio, pensem nas coisas que ameaçam as suas vidas (violência, doenças, acidentes de trânsito etc.);

2) Peça para que continuem caminhando e falando, em voz alta, como se sentem frente a essas ameaças;

3) Pare a música e peça às pessoas que expressem com o corpo esses seus sentimentos. E permaneçam assim, paralisados, como se fossem estátuas, expressando seus sentimentos de medo, cansaço, tristeza, decepção, raiva, indiferença, pavor frente ao que lhes ameaça a vida;

4) Depois de alguns minutos, convide a repetirem a frase “Somos nós que fazemos a vida, como der, ou puder, ou quiser”. (Gonzaguinha)

5) Convide as pessoas a tomarem uma atitude: a permanecerem assim paralisadas ou a deixarem de ser estátuas, a se sacudirem, e a dizerem bem alto os seus desejos para a vida, o que buscam na vida: paz, dignidade, alegria, amor etc;

6) Todos voltam a fazer um minuto de silêncio para assumirem um compromisso em favor da vida, para si e para os outros, enquanto ouvem baixinho a música É preciso saber viver.

7) Aumente o volume e convide a todos para cantarem com entusiasmo;

8) Finalize com um momento de partilha sobre os sentimentos que trazemos conosco em relação à vida e como eles influenciam as nossas atitudes, deixando-nos paralisados ou mobilizados na defesa da vida.


90-    Por enquanto    -   Cássia Eller (composição: Renato Russo)

Mudaram as estações
Nada mudou
Mas eu sei que
Alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim
Tão diferente...

Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era prá sempre
Sem saber
Que o prá sempre
Sempre acaba...

Mas nada vai
Conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí, então, estamos bem...

Mesmo com tantos motivos
Prá deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo
De volta prá casa...

Sugestões

A aula pode ser dividida em dois momentos, orientados pelo professor, mas com a participação de toda a classe. Depois de apresentar a música para a turma (Cássia Eller), comente também sobre a importância de Vinícius de Moraes para a música popular brasileira. Solicite que os alunos pesquisem outras músicas e poesias em que se apresentem as duas figuras de linguagem estudadas. Saliente outras figuras de linguagem que os textos apresentem (metáfora, polissíndeto, aliteração, etc.).



91-    Autonomia   -   Titãs (composição de Marcelo Fromer / Arnaldo Antunes / Paulo Miklos)

O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz
Os pais são todos iguais
Prendem seus filhos na jaula
Os professores com seus lápis de cores te prendem na sala de aula
O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz

Ia pra rua, mamãe atrás s
Ela não me deixava em paz
Não aguentava o grupo escolar
Nem a prisão domiciliar
O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz
Mas o tempo foi passando então eu cai numa outra armadilha
Me tornei prisioneiro da minha própria família
Arranjei um emprego de professor

Vejo os meus filhos, Não sei mais onde estou
O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz

Os pais São todos iguais
Prendem seus filhos na jaula
Os professores com seus lápis de cores
Te prendem na sala de aula
O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz
Ia pra rua, Mamãe atrás s
Ela não me deixava em paz não aguentava o grupo escolar
Nem a prisão domiciliar
O que eu queria, o que eu sempre queria
Era conquistar a minha autonomia
O que eu queria, o que eu sempre quis
Era ser dono do meu nariz
Mas o tempo foi passando então eu ca¡ numa outra armadilha
Me tornei prisioneiro da minha própria família
Arranjei um emprego de professor
Vejo os meus filhos, não sei

Para conversar:

É possível identificar a temática Controle Social. Questões como "é importante o controle social?" "Somos livres em sociedade?" Seria possível vivermos em sociedade se todos fossem completamente autônomos?".


92-      Música: Another brick in the wall  -

Outro Tijolo Na Parede (tradução) Pink Floyd

O papai voou pelo oceano
Deixando apenas uma memória
Foto instantânea no álbum de família
Papai, o que mais você deixou para mim?
Papai, o que você deixou para mim?
Tudo era apenas um tijolo no muro
Todos são somente tijolos na parede

"Você! Sim, você atrás das bicicletas, parada aí, garota!"

Quando crescemos e fomos à escola
Havia certos professores que
Machucariam as crianças da forma que eles pudessem
(oof!)
Despejando escárnio
Sobre tudo o que fazíamos
E os expondo todas as nossas fraquezas
Mesmo que escondidas pelas crianças
Mas na cidade era bem sabido
Que quando eles chegavam em casa
Suas esposas, gordas psicopatas, batiam neles quase até a morte

Não precisamos de nenhuma educação
Não precisamos de controle mental
Chega de humor negro na sala de aula
Professores, deixem as crianças em paz
Ei! Professores! Deixem essas crianças em paz!
Tudo era apenas um tijolo no muro
Todos são somente tijolos na parede

Não precisamos de nenhuma educação
Não precisamos de controle mental
Chega de humor negro na sala de aula
Professores, deixem as crianças em paz
Ei! Professores! Deixem essas crianças em paz!
Tudo era apenas um tijolo no muro
Todos são somente tijolos na parede

"Errado, faça de novo!" (2x)
"Se você não comer sua carne, você não ganha pudim. Como você
pode ganhar pudim se não comer sua carne?"
"Você! Sim, você atrás das bicicletas, parada aí, garota!"

Eu não preciso de braços ao meu redor
E eu não preciso de drogas para me acalmar
Eu vi os escritos no muro
Não pense que preciso de algo, absolutamente

Não! Não pense que eu preciso de alguma coisa afinal
Tudo era apenas um tijolo no muro
Todos são somente tijolos na parede

Vamos conversar:
A partir da música é possível discutir algumas questões referentes as principais idéias discutidas por Durkheim, Weber e Marx. São elas: Fato Social; Controle Social; Burocracia; Ideologia; Dominação.


92-        93- Samba da mais-valia - Sergio Silva
93-   
Síntese de muitas determinações
A realidade social é feita de contradições
Mas a árvore não pode esconder o arvoredo
Vem o grande analista, revela o segredo
da acumulação de capital

É mais-valia pra cá, É mais-valia pra lá.
Capitalismo é selvagem, É global.
É mais-valia pra cá, É mais-valia pra lá,
Tempo roubado do trabalho social.

Mercadoria é alienação,
Trabalho, salário: a danação
A grana diz ‘trabalho sozinha’,
A fórmula é DMD’.

Síntese de muitas determinações
A realidade brasileira é feita de contradições
Mas o grande analista indicou o caminho
Ninguém pode vencer essa luta sozinho.
É luta de classes e coração.
Tem a novela, meu bem
E tem a Xuxa, também.
Proselitismo tem no Jornal Nacional.

Tem desemprego, meu bem
E tem a dengue, também.
Desigualdade e tortura federal
No Brasil todo foi um ti-ti-ti
Todo mundo pensando
Do Oiapoque ao Chuí
Mas agora é a hora da transformação,
O carnaval traz nossa revolução.

Síntese de muitas determinações
A realidade social é feita de contradições
Mas a árvore não pode esconder o arvoredo
Vem o grande analista, revela o segredo
da acumulação de capital.

O manifesto falou, o comunismo escutou:
Tem que seguir o movimento popular.
O grande mestre mostrou,
A grande escola ensinou:
Dizer o samba no pé, se revoltar

Lá no rio vermelho, Na Filosofia
Descobrir o pandeiro, a cuíca, a magia.
Mas agora é a hora da transformação:
O carnaval traz nossa revolução


94-Mulheres de Atenas
Chico Buarque

Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos
Orgulho e raça de Atenas
Quando amadas se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas, cadenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos
Poder e força de Atenas
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam, sedentos
Querem arrancar, violentos
Carícias plenas, obscenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos
Bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas,
Helenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos
Os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito, nem qualidade
Têm medo apenas
Não tem sonhos, só tem presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas, morenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos
Heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas, não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenasSerenas
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de AtenasSecam por seus maridos
Orgulho e raça de Atenas


BREVE COMENTÁRIO

Ótima música para discutir o papel da mulher na sociedade atual, buscando comparar suas posições atuais com àquelas apresentadas no música.


95-  Calice   -  Chico Buarque

(refrão)
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
(refrão)
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
(refrão)
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
(refrão)
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça


BREVE COMENTÁRIO

A Música de Chico Buarque é uma manifestação crítica à pressão do Estado durante a Ditadura Militar brasileira. Crítica a sensura que se estalou no país naqueles anos. A música Cálice (1973), de Chico Buarque e Gilberto Gil, tem na palavra título uma ambigüidade, na associação de Cálice com cale-se. É mais um exemplo de letra contra a censura, composta em parceria pelos dois grandes compositores, para ser apresentada ao público em um show da gravadora Polygram, da qual eram contratados. No dia do show, desligaram os microfones no momento dos dois cantarem Cálice, impedindo a apresentação. A análise desta musica, faz compreender o clima da cidade, o sentimento das pessoas que protestavam, e a visão de que melhor seria viver fora da lei, contra o regime militar do que se submeter a uma lei injusta e uma realidade falsa, com propagandas que transmitiam a idéia de um “milagre econômico”.
Essa parte da música é bem clara com relação ao sentimento de impotência diante da ação do sistema ditador, considerando que o próprio Chico Buarque foi retirado da cama as 07h00minh da manhã. Esse trecho é necessário, buscar entender o propósito do monstro da lagoa, um ser mitológico, que vive imerso em águas escuras, aterrorizando o imaginário do ser humano.
Essa música é um documento perfeito a trabalhar em sala de aula, a forma como ela descreve o sistema ditatorial, a corrupção e a ineficiência que segundo o compositor, impedia o sistema de funcionar. Sobretudo, relacionado aos censores, e os critérios que utilizavam para cortar e censurar as obras, muitas vezes obscuros.
Essa parte da música é forte, pois é quando expressa o desejo de despertar da limitação imposta, e em reposta se diz “cale-se” ou cálice. E outra parte ainda dando ênfase a Bíblia, quando faz uso do fato consumado, ou do pecado. A música expressa que a vida não é um fato consumado, que a situação pode ser mudada. Defende ainda a idéia de ter liberdade de tomar suas próprias decisões, pagar por seus erros cometidos, seguir sua noção de certo e errado e se libertar das idéias impostas pela ditadura e em reposta ouve um “cale-se”. O final ainda é marcante, fazendo analogia à tática de tortura usada pela ditadura com a finalidade de calar


96- Apesar de você - Chico Buarque
Composição: Chico Buarque

(Crescendo) Amanhã vai ser outro día x 3
Hoje você é quem mandaFalou, tá falado
Não tem discussão, não.A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.
(Coro)
Apesar de você amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimentoVou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Para conversar:

A censura não conseguiu silenciar a revolta de Chico Buarque. Mas abafaram por completo os protestos de compositores como o uruguaio Taiguara Chalar da Silva (1945 – 1996), que entrou nos anos 70 com fome de política, o que causou conseqüências desastrosas. Foi perseguido pela censura, teve mais de 60 músicas vetadas e, sem dinheiro, endividado abandonou o país só retornando em 76 e teve um álbum proibido, assim deixou o país e só retornou no fim do regime militar. (26/04/2010).
Em 1973, a música descreveu uma trajetória que, durante todo o período do regime militar, não poupava ninguém: ameaçava ídolos da MPB. No entanto, os compositores relembram dos acontecimentos, das ameaças e das perseguições que sofreram pouco lembradas pelos livros didáticos.
 em 1972, a música “Apesar de você”, significou um grito em meio à ditadura, considerada por alguns críticos como um hino contra a ditadura militar, com letras direcionadas ao Presidente Médice e que criticam o AI5.
 ao abordar a questão da falta de liberdade de expressão, sobre a introdução do AI5 na lei, e como a lei era posta em pratica sem que houvesse direito a habeas corpus
O coro é a parte onde o compositor expressa o otimismo, argumentando sobre a possibilidade de mudanças sobre o momento em que a voz fosse impossível de conter. O galo pode ser uma analogia ao momento em que nasce o novo dia e o galo canta, ou seja, quando as mudanças acontecerem e o censura não puder controlar a voz.
Aqui o compositor parece acreditar que a justiça vai ser feita, e que os crimes políticos, as práticas seriam julgadas e condenadas.
A música ainda afirma que o momento de mudança vai chegar, e que as coisas vão acontecer sem que o presidente possa controlar e que o tempo está próximo.
A liberdade da imprensa, dos artistas, dos compositores expressando sua opinião e discursando abertamente.


97-Sociedade Alternativa - Raul Seixas
Composição: Paulo Coelho / Raul Seixas

Viva! Viva!
Viva A Sociedade Alternativa(Viva! Viva!)
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa(Viva O Novo Eon!)
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa(Viva! Viva! Viva!)
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa...
Se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou esperar Papai Noel
Ou discutir Carlos Gardel
Então vá!Faz o que tu queres
Pois é tudo
Da Lei!
Da Lei!
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa...
"-Faz o que tu queres
Há de ser tudo da Lei
"Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa"
-Todo homem, toda mulher
É uma estrêla
"Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa(Viva! Viva!)
Viva! Viva!Viva A Sociedade AlternativaHan!...
Mas se eu quero e você quer
Tomar banho de chapéu
Ou discutir Carlos Gardel
Ou esperar Papai Noel
Então vá!Faz o que tu queres
Pois é tudoDa Lei! Da Lei!
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa...
"-O número 666Chama-se Aleister Crowley
"Viva! Viva!Viva! A Sociedade Alternativa
"-Faz o que tu queres
Há de ser tudo da lei
"Viva! Viva!Viva! A Sociedade Alternativa"
-A Lei de Thelema
"Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa
"-A Lei do forteEssa é a nossa lei
E a alegria do mundo"
Viva! Viva!Viva A Sociedade Alternativa(Viva! Viva! Viva!)...

BREVE COMENTÁRIO

Essa música um sociedade alternativa, buscando romper com as normas sociais, cultuando uma "sociedade anárquica". A sociedade alternativa nada mais é doque o livre arbitrio, ou seja, você faz o que quer a de ser tudo da lei, porém é bom lembrar que tudo o que o homem plantar ele colhera. Raul Seixas além de músico era um grande filósofo e tinha grandes influências de Aleiter Crowley, mago, hedonista, usuário recreacional de drogas, e crítico social que tinha essa filosofia: “Faz o que tu queres há de ser. Tudo da lei, da lei. Todo homem, toda mulher é uma estrela”.



98-Música: Classe Média - MAX Gonzaga

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em Moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

BREVE COMENTÁRIO

Nessa música é possível identificar uma crítica ao comportamento da classe média quanto sua imparcialidade dos problemas que afetam a classe de baixo status. É igualmente possível observar uma crítica a mídia.



99-A fábula - Engenheiros do Hawaii

Era uma vez um planeta mecânico,
lógico, onde ninguem tinha dúvidas
havia nome pra tudo e para tudo uma explicação
até o pôr-do-sol sobre o mar era um gráfico
adivinhar o futuro não era coisa de mágico
era um hábito burocrático, sempre igual
explicar emoções não era coisa ridícula
havia críticos e métodos práticos
cá pra nós, tudo era muito chato
era tudo tão sensato, difícil de aguentar
todos nós sabiamos de cor
como tudo começou e como iria terminar
mas de uma hora pra outra,
tudo o que era tão sólido desabou, no final de um século
raios de sol na madrugada de um sábado radical
foi a pá de cal, tão legal
não sei mais de onde foi que eu vim
por que é que estou aqui, para onde eu irei
cá pra nós, é bem melhor assim
desconhecer o início e ignorar o fim da fábula.

BREVE COMENTÁRIO:

Nesta música é possível observarmos uma crítica ao comportamento social, isso por ele ser previsível e coletivo, características dos Fatos Sociais.
Outra abordagem possível é discutir a corrente sociológica que interpreta a sociedade como uma espécie de engrenagem, corrente essa denominada funcionalista.


100-O Haiti - Caetano Veloso

Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

Breve comentário:

A música acima apresenta diversos enfoques possíveis.
A primeira possibilidade é analisar a discriminação racial e social;
Outra possibilidade é avaliar a noção de justiça/injustiça;
O ponto interessante para uma possível abordagem sociológica é discutir o fato de estranharmos o que é de fora, talvez por isso os compositores pensaram em falar de um Haiti que é aqui, ou seja, utilizou um lugar distante para parodiar uma realidade de ambos os países (Haiti e Brasil).



101- Eu vezes eu - Titãs

Rafaela tá trancada há dois dias no banheiro
enquanto sua mãe
toma Prosac, enche a cara
e dorme o dia inteiro
Parece muito, mas podia ser...

Carolina pinta as unhas roídas de vermelho
Em vez de estudar
fica fazendo poses
nua no espelho
Parece estranho, mas podia ser...

o que você faz quando
ninguém te vê fazendo
ou que você queria fazer
se ninguém pudesse te ver.

Gabriela e a namorada se divertem no escuro e os seus pais
acham tudo que ele faz
errado e sem futuro
É complicado, mas podia ser...

Mariana gosta de beijar outras meninas
de vez em quando beijar meninos
só pra não cair numa rotina
É diferente, mas podia ser...

Breve comentário:

A presente música nos faz lembrar que muitas ações que realizamos, as fazemos por que são fatos sociais sendo exterior a nossa vontade e coercitivas. É justamente quando estamos escondido da sociedade que fazemos o que nós mesmos escolhemos fazer. Deixamos de agir pensando na ação coletiva para sermos indivíduais. O que você faz quando ninguém te ver fazendo? Algumas coisas são até difíceis de contar, não é? Isso é uma prova que a sociedade nos impõem ações que são exteriores a nós.



102- Tempo Rei - Gilberto Gil

Não me iludo, tudo permanecerá de um jeito
Que tem sido, transcorrendo, transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar, Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole, pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento
Tempo rei, ó tempo rei, ó tempo rei, transformai as velhas formas do viver
Ensinai, ó Pai, o que eu ainda não sei, mãe senhora do Perpétuo socorrei
Pensamento, mesmo fundamento singular
Do ser humano, de um momento para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
Mães zelosas, pais corujas
Vejam como as águas de repente ficam sujas
Não se iludam, não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo

Breve comentário:

Assim como alguns elementos naturais, como o relevo e as rochas, mesmo sendo duros se transformam ao longo do tempo devido agentes internos e externos de transformação, assim são as ideologias. Embora difíceis de serem transformadas, com o tempo vão se modificando (ou se moldando)devido a imfluências internas, ações que partem do próprio grupo, ou de ações externas, aquelas que vêm de outras sociedades. Um exemplo claro e concreto é o processo de acultração provocado pela globalização.

103-Até quando esperar? - Música de Plebe Rude

Não é nossa culpa nascemos já com a benção
Mas isso não é desculpa pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí onde é que está
Cadê sua fração (BIS)
Até quando esperar e cadê a esmola que nós damos
Sem perceber que aquele abençoado
Poderia ter sido você
Com tanta riqueza por aí (...)
Até quando esperar até me ajoelhar BIS
Esperando a ajuda de Deus
Posso vigiar teu carro te pedir trocados
Engraxar seus sapatos (BIS)
Sei
Não é nossa culpa nascemos já com a tensão
Até quando esperar até me ajoelhar
Esperando a ajuda do divino Deus

Breve comentário:

Quando nascemos já encontramos os fatos sociais constituídos, os quais nos são externos,coercitivos e coletivos. Mas esse fato não impossibilita promovermos rupturas. A grande questão é que rupturas sociais geralmente são lentas e quando rápidas geram grandes pressões em favor das permanências... por isso é tão difícil mudar!



104- Música: O último pau de arara  (Luiz Gonzaga)

A vida aqui só é ruim
Quando não chove no chão
Mas se chover dá de tudo
Fartura tem de montão
Tomara que chova logo
Tomara meu Deus tomara
Só deixo o meu cariri
No último pau-de-arara (bis)
Enquanto a minha vaquinha
Tiver o couro e o osso
E puder com o chocalho
Pendurado no pescoço
Eu vou ficando por aqui
Que deus do céu me ajude
Quem sai da terra natal
Em outros cantos não para
Só deixo o meu cariri
No último pau-de-arara (bis)

    Para conversar:

Interpretação do contexto dentro de uma visão social, geográfica e crítica. Pode-se criar uma paródia mostrando o seu conhecimento lingüístico e geográfico.


105- 3ª do Plural   -    (Engenheiros do Hawaii)

Corrida pra vender cigarro
cigarro pra vender remédio
remédio pra curar a tosse
tossir, cuspir, jogar pra fora
corrida pra vender os carros
pneu, cerveja e gasolina
cabeça pra usar boné
e professar a fé de quem patrocina

Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, de rir ... Querem te fazer chorar
quem são eles?
quem eles pensam que são?

Corrida contra o relógio
silicone contra a gravidade
dedo no gatilho, velocidade
quem mente antes diz a verdade
satisfação garantida
obsolescência programada
eles ganham a corrida antes mesmo da largada

Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, à sede...eles querem te sedar
quem são eles?
quem eles pensam que são?

Vender... Comprar... Vedar os olhos
jogar a rede contra a parede
querem te deixar com sede
não querem nos deixar pensar
quem são eles?
quem eles pensam que são?

Corrida pra vender cigarro
cigarro pra vender remédio
remédio pra curar a tosse
tossir, cuspir, jogar pra fora
corrida pra vender os carros
pneu, cerveja e gasolina
cabeça pra usar boné
e professar a fé de quem patrocina

Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, de rir ... Querem te fazer chorar
quem são eles?
quem eles pensam que são?

Corrida contra o relógio
silicone contra a gravidade
dedo no gatilho, velocidade
quem mente antes diz a verdade
satisfação garantida
obsolescência programada
eles ganham a corrida antes mesmo da largada

Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, à sede...eles querem te sedar
quem são eles?
quem eles pensam que são?

Vender... Comprar... Vedar os olhos
jogar a rede contra a parede
querem te deixar com sede
não querem nos deixar pensar
quem são eles?
quem eles pensam que são?

Corrida pra vender cigarro
cigarro pra vender remédio
remédio pra curar a tosse
tossir, cuspir, jogar pra fora
corrida pra vender os carros
pneu, cerveja e gasolina
cabeça pra usar boné
e professar a fé de quem patrocina

Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, de rir ... Querem te fazer chorar
quem são eles?
quem eles pensam que são?

Corrida contra o relógio
silicone contra a gravidade
dedo no gatilho, velocidade
quem mente antes diz a verdade
satisfação garantida
obsolescência programada
eles ganham a corrida antes mesmo da largada

Eles querem te vender, eles querem te comprar
querem te matar, à sede...eles querem te sedar
quem são eles?
quem eles pensam que são?

Vender... Comprar... Vedar os olhos
jogar a rede contra a parede
querem te deixar com sede
não querem nos deixar pensar
quem são eles?
quem eles pensam que são.

Nota: Com essa música pode-se trabalhar a globalização econômica.


106- Lamento Sertanejo   -    (Gilberto Gil e Dominguinhos)

Por ser de lá do sertão
Lá do serrado
Lá do interior, do mato
Da caatinga, do roçado
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigo
Eu quase não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado
Por ser de lá
Na certa, por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada
Caminhando a esmo.

Nota: Pode-se fazer uma análise comparativa da música Lamento Sertanejo com excertos do romance Vidas Secas para ilustrar como este trabalho interdisciplinar.


107- Música “Terra Prometida (Belo Sertão)”, de Miroval Marques

Doce lar, meu aconchego! Ó, belo sertão
Natureza que inspira o poema e a canção
Na bravura e resistência, teu povo fiel
Grata terra prometida onde corre o leite e o mel
A pobreza e a indigência cortam o coração da gente
Ações preconceituosas que degradam o ambiente
Faltam abrigo e comida, saúde e educação
Falta água prá beber e molhar a plantação
Povo humilde e abandonado, fruto da escravidão
A elite é atrasada, de um poder sem compaixão
Sertanejo nordestino quer viver e ter direito
De poder fazer história e quebrar o preconceito
E assim poder sentir ao som de um violão
A quixabeira, o reisado, São Gonçalo e São João
Do sertão ao pé da serra,
Do cerrado à beira mar
Ser parte da mesa farta no almoço e no jantar


108 - A Banda  -  Chico Buarque

          Estava à toa na vida
         O meu amor me chamou
         Pra ver a banda passar
         Cantando coisas de amor
         A minha gente sofrida
         Despediu-se da dor
         Pra ver a banda passar
         Cantando coisas de amor
  
         O homem sério que contava dinheiro parou
         O faroleiro que contava vantagem parou
         A namorada que contava as estrelas
         Parou para ver, ouvir e dar passagem
         A moça triste que vivia calada sorriu
         A rosa triste que vivia fechada se abriu
         E a meninada toda se assanhou
         Pra ver a banda passar
         Cantando coisas de amor
         Estava à toa na vida
         O meu amor me chamou
         Pra ver a banda passar
         Cantando coisas de amor
         A minha gente sofrida
         Despediu-se da dor
         Pra ver a banda passar
         Cantando coisas de amor
         O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
         Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
         A moça feia debruçou na janela
         Pensando que a banda tocava pra ela
         A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
         A lua cheia que vivia escondida surgiu
         Minha cidade toda se enfeitou
         Pra ver a banda passar cantando coisas de amor
         
         Mas para meu desencanto
         O que era doce acabou
         Tudo tomou seu lugar
         Depois que a banda passou
         E cada qual no seu canto
         Em cada canto uma dor
         Depois da banda passar
        Cantando coisas de amor
        Depois da banda passar
        Cantando coisas de amor...

         Procedimento:

    1ª etapa
Brinque com a melodia. Proponha agora que os alunos utilizem palmas e executem a seguinte célula rítmica, junto com a melodia da canção. Acrescente, a seguir, os assovios e vozes novamente. Como variação, proponha agora que executem com palmas apenas a última articulação da célula rítmica, enquanto a melodia é tocada e cantada.
         Após ter 'brincado' com a melodia algumas vezes, diga o início da letra da música como se estivesse contando uma história. Olhe para os alunos, observe suas reações. Dê um intervalo de tempo entre as frases para que captem bem o significado do texto.
         Repita algumas vezes o trecho e deixe lacunas para que os alunos completem. Observe se conseguem de fato imaginar a história, a situação de estar à toa na vida. Pode-se substituir o termo 'meu amor', pelo nome dos alunos, chamando para ver a banda passar. Pergunte se já ouviram a expressão 'esperando ver a banda passar'. O que quer dizer quando dizemos isso no dia-a-dia? Cante agora a melodia inicial com o texto e observe se os alunos conseguem cantar as alturas com a rítmica correta e articulando bem as palavras.
         Experimente cantar novamente empregando expressões diferentes:
1.    Triste
2.    Alegre
3.    Com sono
4.    Agitado
5.    Interrogativo
6.    Como cantor de ópera
         Quando os alunos já estiverem bem familiarizados com o trecho, siga com a música, contando a história que o restante da letra revela.
         
    2ª etapa
Promover um diálogo abordando a importância da música em nossas vidas; Abordar os diferentes sentimentos que a música pode nos proporcionar no nosso cotidiano; Instigar os alunos a refletirem sobre este momento, em quais situações de suas vidas a música teve um momento especial; Dividir a sala em pequenos grupos e pedir para cada grupo relatar 5 momentos ou músicas que marcaram as suas vidas.  

     3ª etapa  
Apresentar a turma às letras e o áudio das músicas abaixo. Pedir que façam uma breve reflexão sobre as mesmas, questionando quais os valores ou sentimentos apresentados durante a execução do áudio.  A partir dessa reflexão, o professor deverá conversar com a turma sobre o que compreenderam a respeito das diferentes  mensagens sobre otimismo e gratidão.  

 4ª etapa
Mencione brevemente a ideia de uma banda como um elemento transformador do mundo em nossa volta. Demonstre a mudança de atitude nas personagens da história no momento da passagem da banda. Com as turmas de maior idade, converse sobre o fato de ser uma época em que a liberdade de expressão estava limitada em nosso país: era o período da ditadura militar. Não era possível protestar contra algo livremente e de forma clara. A mensagem deveria ser codificada de forma sutil através de duplos sentidos nas letras. Será que a banda e os personagens da letra poderiam representar alguma mensagem para o país? Discuta com os alunos das turmas com idade mais avançada.
         Professor(a), agora proponha aos alunos que se organizem em grupos de 3 ou 4 integrantes.
         Lance o desafio de desenvolver uma composição a partir dos seguintes questionamentos:
         - “Se a banda passasse hoje, o que você faria?"
         - "O que seria a 'banda' nos dias de hoje?”
         - "O que, atualmente, a passagem da 'banda' poderia transformar em nosso país'?
         Aprofunde as questões ou não, de acordo com a faixa etária dos grupos. Nas turmas de menor idade, brinque com a ideia das personagens da música, com o movimento corporal. O que é possível fazer quando a banda passa? E peça que construam a composição a partir disso.


109- Maria, Maria  -   Milton Nascimento

Maria,Maria É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta

Maria,Maria É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

110- País Tropical
Composição: Jorge Ben Jor / Wilson Simonal
 
Moro num país tropical,
abençoado por Deus
E bonito por natureza,
mas que beleza
Em fevereiro (em fevereiro)
Tem carnaval (tem carnaval)  
Tenho um fusca e um violão
Sou Flamengo
Tenho uma nêga
Chamada Tereza
Sambaby, Sambaby
Sou um menino de mentalidade mediana
Pois é, mas assim mesmo sou feliz da vida
Pois eu não devo nada a ninguém
Pois é, pois eu sou feliz
Muito feliz comigo mesmo
Moro num país tropical, abençoado por Deus
E bonito por natureza, mas que beleza
Em fevereiro (em fevereiro)
Tem carnaval (tem carnaval)
Tenho um fusca e um violão
Sou Flamengo
Tenho uma nêga
Chamada Tereza
Sambaby, Sambaby
Eu posso não ser um band leader
Pois é, mas assim mesmo lá em casa
Todos meus amigos, meus camaradinhas me respeitam
Pois é, essa é a razão da simpatia
Do poder, do algo mais e da alegria
Sou Flamê
Tê uma nê
Chamá Terê
Sou Flamê
Tê uma nê
Chamá Terê
Do meu Brasil
Sou Flamengo
E tenho uma nêga
Chamada Tereza
Sou Flamengo
E tenho uma nêga
Chamada Tereza

Para conversar:

Jorge Ben Jor faz exaltação ao Brasil, vocês devem produzir uma poesia de exaltação à sua cidade. Os textos mais criativos serão expostos no mural da escola.  O professor deve aproveitar uma ocasião festiva, como o aniversário da cidade ou da escola, para expor os trabalhos dos alunos, de modo a valorizar o trabalho realizado.


111- Com que Roupa ?  -  Noel Rosa
Composição: Noel Rosa

Agora vou mudar minha conduta,
eu vou pra luta pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com a força bruta,
pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa e eu pergunto: com que roupa?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Agora, eu não ando mais fagueiro,
pois o dinheiro não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro,
 não consigo ter nem pra gastar
Eu já corri de vento em popa, mas agora com que roupa?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Eu hoje estou pulando como sapo,
pra ver se escapo desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo, eu vou acabar ficando nu
Meu paletó virou estopa e eu nem sei mais com que roupa
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?
Com que roupa que eu vou pro samba que você me convidou?   

Para conversar:

 Após explorar a compreensão da letra da canção, o professor poderá utilizar a música para trabalhar o significado de algumas expressões populares muito marcantes no texto de Noel Rosa como:
- quero me aprumar
- esta vida não está sopa
- ver se escapo desta praga de urubu   


112- As Mariposa  -   Adoniran Barbosa

As mariposa quando chega o frio
Fica dando vorta em vorta da lâmpida pra si isquentá
Elas roda, roda, roda e dispois se senta
Em cima do prato da lâmpida pra descansá (2x)
Eu sou a lâmpida
E as muié é as mariposa
Que fica dando vorta em vorta de mim
Todas noite só pra me beijá
As mariposa quando chega o frio
Fica dando vorta em vorta da lâmpida pra si isquentá
Elas roda, roda, roda e dispois se senta
Em cima do prato da lâmpida pra descansá (2x)
Tá muitu bom...
Mas num vai si acostumá, viu Dona mariposinha?   

Para conversar:

Após explorar a compreensão da letra da canção, o professor poderá utilizar a música para trabalhar a variação linguística de algumas expressões utilizadas no texto por Adoniran Barbosa como:
- Fica dando vorta em vorta da lâmpida pra si isquentá
- Elas roda, roda, roda e dispois se senta
- E as muié é as mariposa
- Mas num vai si acostumá, viu   


113- Música: Construção - Chico Buarque 
Composição: Chico Buarque

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
 Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague   

Para conversar:

A música Construção de Chico Buarque é conhecida pela sua sofisticação, isso porque o compositor escreveu a letra da música com rimas formadas por palavras proparoxítonas. Após explorar a compreensão da letra da canção, o professor poderá utilizar a música para trabalhar a tonicidade das palavras, destacando o som forte da primeira sílaba (proparoxítonas) utilizadas no texto.

114- Música: Águas de Março - Tom Jobim e Elis Regina 

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira Caingá,
candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
 É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
 É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração pau,
 pedra, fim, caminho resto, toco, pouco, sozinho caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.   

Para conversar:

Após explorar a compreensão da letra da canção, o professor poderá utilizar a música para trabalhar a rima em palavras utilizadas no texto.


115- Música: Foi Um Rio que Passou em Minha Vida - Paulinho da Viola
Composição: Paulinho da Viola

Se um dia Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração Tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos Ficou, ficou
Só um amor pode apagar
A marca dos meus desenganos Ficou, ficou
Só um amor pode apagar...
Porém! Ai porém!
Há um caso diferente Que marcou num breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de Carnaval
Carregava uma tristeza
Não pensava em novo amor
Quando alguém Que não me lembro anunciou
Portela, Portela
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou...
Ah! Minha Portela!
Quando vi você passar
Senti meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria voltar
Não posso definir Aquele azul
Não era do céu
Nem era do mar
Foi um rio Que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
Foi um rio Que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
Foi um rio Que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar!   

Dinâmica:

Após explorar a letra da canção, o professor poderá levantar algumas questões com os alunos:
- Na canção, o compositor fala de um grande amor que passou em sua vida e a marcou. Que amor é esse?
- Que informação é dada na biografia do cantor e que podemos localizar na letra da música?
- As escolas de samba são elementos típicos de que festividade nacional?
- Você conhece outras escolas de Samba, além da Portela? Quais?
Após o trabalho com os textos de biografia dos cancionistas, o professor propõe que cada aluno escreva a sua biografia, relatando dados e fatos interessantes sobre a sua vida.
•         Conhecer o nome, breves dados biográficos e algumas canções de grandes cancionistas brasileiros.
•         Reconhecer, através de exemplos, a diversidade cultural e lingüística brasileira.
•         Conhecer diferentes manifestações artísticas (música, dança, teatro, pintura, escultura, arquitetura etc.) e seu valor para o desenvolvimento da cultura brasileira.
•         Apreciar e reconhecer o valor literário de textos poéticos.


116- Rua da Passagem (Trânsito)- Lenine e Arnaldo Antunes

Os curiosos atrapalham o trânsito
Gentileza é fundamental
Não adianta esquentar a cabeça
Não precisa avançar o sinal
Dando seta pra mudar de pista
Ou pra entrar na transversal
Pisca alerta pra encostar na guia
Pára-brisa para o temporal
Já buzinou, espera não insista
Desencoste o seu do meu metal
Devagar pra contemplar a vista
Menos peso no pé do pedal
Não se deve atropelar cachorro
Nem qualquer outro animal
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Motoqueiro, caminhão, pedestre
Carro importado, carro nacional
Mas tem que dirigir direito
Pra não congestionar o local
Tanto faz você chegar primeiro
O primeiro foi seu ancestral
É melhor você chegar inteiro
Com seu venoso e seu arterial
A cidade é tanto do mendigo
Quanto do policial
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Travesti, trabalhador, turista
Solitário, família, casal
Todo mundo tem direito à vida
E todo mundo tem direito igual
Sem ter medo de andar na rua
Porque a rua é o seu quintal
Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual
Boa noite, tudo bem, bom dia
Gentileza é fundamental
Todo mundo tem direito à vida
E todo mundo tem direito igual
Pisca alerta pra encostar na guia
Com licença, obrigado, até logo, tchau
Todo mundo tem direito à vida
E todo mundo tem direito igual.

Conversando sobre a música:

A música aponta para atitudes de respeito, fundamentais para uma cultura de paz no trânsito. Como cada um pode contribuir para tornar o trânsito mais humanizado?


117- O Caderno - Toquinho

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel...
Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel...
Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel...
O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer...
Só peço, a você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer.

Para conversar:

O período escolar quase sempre é marcado de boas lembranças: das relações de amizade e companheirismo que se formam entre colegas e com os mestres; da superação de dificuldades e de enfrentamento de desafios que o crescimento apresenta.
Que lembranças do período escolar? Como elas nos marcaram? Quais mestres e colegas lembramos com carinho?


118- Nova Ordem  -  Chimarruts

Se liga na ideia, abra a mente
Deixa o reggae rolar
(por aí)
Quem canta se liberta
Quem escuta chega perto de jah
(evoluir)
Há uma nova ordem na terra vinda de outro lugar
(é só sentir)
Que a vida conspira a favor para quem sabe amar
Caia, levante
Eleve a vibração
A nova ordem agora
É ajudar o seu irmão
Humildade é saber viver
Pra frente e ser feliz
Quem luta do from da vida
Que é difícil persistir
Por isso tente entender


119- A Triste Partida  -  Luíz Gonzaga
Composição: Patativa do Assaré

Meu Deus, meu Deus
Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai
A treze do mês
Ele fez experiênça
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai
Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois barra não tem
Ai, ai, ai, ai
Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai
Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Sinhô São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai
Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nóis vamo a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai
Nóis vamo a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Ai pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai
E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai
Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrívi
Que tudo devora
Ai,lhe bota pra fora
Da terra natal
Ai, ai, ai, ai
O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai
No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Com seu filho choroso
Iscrama a dizer
Ai, ai, ai, ai
De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer
Ai, ai, ai, ai
E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai
E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo e azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos fio pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai
Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Percura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai
Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai
Se arguma notíça
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade de móio
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai
Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai
Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
A lama e o paú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai
120- É preciso amar - (Almir Sater)

Ando devagar
 porque já tive pressa
E levo esse sorriso
 porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei.

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor prá poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
compreender a marcha
Ir tocando em frente
Como o velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou.

Todo mundo ama um dia
Todo mundo chora
Um dia a gente chega
O outro vai embora
Cada um de nós
compõe a sua história
Cada ser em si carrega
O dom de ser capaz
E ser feliz ...

Ando devagar
porque já tive pressa
E levo esse sorriso
 porque já chorei demais
Cada um de nós
 compõe a sua história
Cada ser em si carrega
O dom de ser capaz
E ser feliz ...


121- Saber viver - Titãs

Quem espera que a vida seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco ou morrer na solidão
É  preciso ter cuidado prá mais tarde não sofrer
É preciso saber viver.

Toda pedra no caminho você pode retirar
Toda flor que tem espinho você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem você pode escolher
É  preciso saber viver.
É  preciso saber viver...
É  preciso saber viver...
Saber viver.


122- Paródia: Escola alegre - Profª Deonice  
(ritmo: “Moreninha linda”)

Professores queridos
De nossa escola
É bom o saber
Pró nosso conhecimento.

Meu coração se alegra
Com as aulas de história
As vezes meio complicada
Esperamos a vitória.

A nossa grande descoberta
É nas aulas de ciências
Estudando o corpo humano
E fazendo experiências.

A matéria mais difícil
Vocês já podem imaginar
É a tal da matemática
Na hora de calcular.

Nas aulas de geografia
Viajamos todo dia
Já fomos prá América
E até na Normandia.

El español es muy bueno
No es piedra em camino
Es tarea de la escuela
Faena com muy cariño.

Na aula de artística
Entre desenhos e atividades
Com alegria aprendemos
E muita criatividade.

Aula de educação física
Tem muita recreação
É a aula que mais gostamos
Com muita admiração.

Não podemos esquecer
Das aulas de português
É importante escrever
E falar com polidez.

Sempre queremos lembrar
Dos nossos coordenadores
diretores e funcionários
São também educadores.

Agora nós vamos embora
Com a dor no coração
Vocês vão deixar saudades
E muita recordação ...
123- Parabolicamará  _  Gilberto Gil

Antes mundo era pequeno porque Terra era grande
Hoje mundo é muito grande porque Terra é pequena
Do tamanho da antena parabolicamará
Ê volta do mundo camará,ê mundo da volta camará
Antes longe era distante perto só quando dava
Quando muito ali defronte e o horizonte acabava
Hoje lá trás dos montes dendê em casa camará
Ê volta do mundo camará,
ê ê mundo da volta camará
De jangada leva uma eternidade,
de saveiro leva uma encarnação
De jangada leva uma eternidade,
de saveiro leva uma encarnação
Pela onda luminosa, leva o tempo de um raio
Tempo que levava rosa pra aprumar o balaio
Quando sentia que o balaio ia escorregar
Ê volta do mundo, camará, ê ê mundo da volta camará
Esse tempo nunca passa não é de ontem nem de hoje
Mora no som da cabeça, nem tá preso nem foge
No instante que tange o berimbau, meu camará
Ê volta do mundo, camará, ê ê mundo da volta camará
uma eternidade, de saveiro leva uma encarnação
De jangada leva uma eternidade,
de saveiro leva uma encarnação
De avião o tempo de uma saudade
Esse tempo não tem rédea vem nas asas do vento
O momento da tragédia, Chico Ferreira e Bento

Atividade:

- A música sugere que o mundo está se ampliando. O que seriam “mundo” e “terra” para Gil?
- Por que, segundo Gil, o mundo estaria “ficando menor”?
- E o seu mundo, no sentido que Gil atribuiu à palavra na canção, ele está se ampliando ou diminuindo?


124- História Real   -  Mc Martinho
Composição: Martinho

Hoje, o Martinho conta uma história real
Que infelizmente não teve um bom final
Desde a periferia, até o asfalto
Essa história é contada por todo favelado
Dois corações unidos num sentimento
Novinha e guerreiro em um só fundamento
Mesmo no sofrimento e na vida loca
Por ela, ele queria até sair da boca
Infelizmente foram vítimas de intrigas
Recalque de invejosos destruíram suas vidas
Felicidade alheia incomodou um milhão
Mexeu com a mente do guerreiro
usando a conspiração
Assim dizia o perigoso elemento:
Meu mano escuta só o que ela ta dizendo,
Que não te ama mais e até rolou traição.
Já era o recalcado envenenou a mente do irmão
E o guerreiro partiu atrás da mina
Com a hornet, de 9 na mão
Cheio de ódio pela tal traição
E tá de volta seu lado neuroticão
E quando a encontrou deu logo dois tirão
No peito que a derrubou
Com muita dor, chorando ela perguntou:
Qual o motivo desses tiros, meu amor?
Triste ele lhe respondeu:
Te dei o meu amor mesmo assim você me traiu
Foi nessa hora que a tua casa caiu
Desesperado ele ficou quando a ouviu, quando a ouviu
No último suspiro falou:
Eu nunca te traí, quem sua mente envenenou?
Sua mãe chorando gritou quando ela morreu:
Minha filha tava grávida de um filho teu,
 de um filho teu!
É, a moral da história eu já vou contar:
Não é em qualquer um que se deve acreditar
Ele acreditou e hoje chora demais
Seu grande amor não volta mais
Ele percebeu fatalmente atrasado
Que a semente do mal pode estar do seu lado
Fez chorar a mãe, 2 irmãos e o pai
Porque ela não volta mais !
Porque ela não volta mais!
Seu grande amor não volta mais!


125- Cabocla Tereza  -  Tonico e Tinoco
Composição: Raul Torres-João Pacífico

"Lá no alto da montanha
Numa casinha estranha
Toda feita de sapê
Parei numa noite à cavalo
Pra mór de dois estalos
Que ouvi lá dentro bate
Apeei com muito jeito
Ouvi um gemido perfeito
Uma voz cheia de dor:
"Vancê, Tereza, descansa
Jurei de fazer a vingança
Pra morte do meu amor"
Pela réstia da janela
Por uma luzinha amarela
De um lampião quase apagando
Vi uma cabocla no chão
E um cabra tinha na mão
Uma arma alumiando
Virei meu cavalo a galope
Risquei de espora e chicote
Sangrei a anca do tar
Desci a montanha abaixo
Galopando meu macho
O seu doutô fui chamar
Vortamo lá pra montanha
Naquela casinha estranha
Eu e mais seu doutô
Topemo o cabra assustado
Que chamou nóis prum lado
E a sua história contou"
Há tempo eu fiz um ranchinho
Pra minha cabocla morá
Pois era ali nosso ninho
Bem longe deste lugar.
No arto lá da montanha
Perto da luz do luar
Vivi um ano feliz
Sem nunca isso esperá
E muito tempo passou
Pensando em ser tão feliz
Mas a Tereza, doutor,
Felicidade não quis.
O meu sonho nesse oiá
Paguei caro meu amor
Pra mór de outro caboclo
Meu rancho ela abandonou.
Senti meu sangue fervê
Jurei a Tereza matá
O meu alazão arriei
E ela eu vô percurá.
Agora já me vinguei
É esse o fim de um amor
Esta cabocla eu matei
É a minha história, dotor.

Atividade com as músicas História real e Cabocla Tereza:

Apresentar a música tocada História Real de MC Martinho;
Apresentar a letra da música História Real de MC Martinho para a interpretação textual;
Solicitar para que os alunos identificassem na letra palavras e/ou frases de sentido conotativo ou que produzissem dissonância à norma culta.
Em roda de conversa explorar as interpretações do grupo sobre a mensagem transmitida pela canção.
Propor ilustrações e encenações do texto lido e ouvido.
Apresentar a música tocada Cabocla Tereza de Tonico e Tinoco;
Apresentar a letra da música Cabocla Tereza de Tonico e Tinoco;
Solicitar para que os alunos identificassem na letra palavras e/ou frases de sentido conotativo ou que produzissem dissonância à norma culta.
Em roda de conversa explorar as interpretações do grupo sobre a mensagem transmitida pela canção.
Solicitar aos alunos que identifiquem as semelhanças situacionais entre as duas canções
Propor ilustrações e encenações do texto lido e ouvido.


126- Paródia - Descobrimento do Brasil 
 (música “Sorte Grande” de Ivete Sangalo)

Foi em 22 de abril, que o Brasil foi descoberto
o ano era mil e quinhentos!
Os “português” chegaram, os índios encontraram
e aproveitaram o momento:
Fizeram-se de amigos, deram vários presentes
E subiram as serras
Desbravaram as matas, catequizaram índios
Exploraram as terras
Chegaram no pedaço, tomaram os espaços
E trouxeram também os escravos
Pessoas diferentes, iguais a toda gente
Que tinham vindo lá da África
Da África, da África, da África
Os escravos vieram da África!


127- O bêbado e a equilibrista  -Elis Regina
  João Bosco e Aldir Blanc

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos…
A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil.
Meu Brasil!…
Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil…
Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança…
Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar…
Asas!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar…

Para conversar:

     A música constitui um exemplo de como é possível penetrar no mundo da semiótica, pois é extremamente rica de material hermenêutico, semântico e polissêmico. “As Marias e Clarisses que choram no solo do Brasil”, bem como o “irmão do Henfil”, são personagens reais. Clarisse é a viúva do jornalista Wladimir Herzog e Betinho, o irmão do Henfil. O bêbado e a equilibrista que se movimentam num fim de tarde sombrio, podem muito bem ser o povo brasileiro que vive a situação política daquela época (promessa de abertura política). O bêbado e a equilibrista (1979), abordou o drama de quem “partiu num rabo de foguete”, falando da situação política brasileira na letra dessa canção, considerada umadas mais importantes do século XX, pela lista da ABL (Academia Brasileira de Letras).
128- Coração de estudante (Milton Nascimento)

Quero falar de uma coisa
Adivinha onde ela anda
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor
Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu
Mas renova-se a esperança
Nova aurora, cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê
Flor e fruto
Coração de estudante
Há que se cuidar da vida
Há que se cuidar do mundo
Tomar conta da amizade
Alegria e muito sonho
Espalhados no caminho
Verdes, planta e sentimento
Folhas, coração,
Juventude e fé.

Para conversar:

 Acabou se transformando num hino de clamor popular, adotado pelas campanhas das “Diretas já”(1982) e por ocasião do martírio e do funeral de Tancredo Neves, revelou uma bela poesia de louvor ao jovem. Milton Nascimento e Wagner Tiso compararam o jovem à poesia, destacaram o variado mundo do jovem, sua complexa existência, sua alegria e amizade, sorriso de menino, o broto que há de ser cuidado, constituem expressões literárias de tanta força que podem ser estudadas como imagens que denotam configurações linguísticas.


129- Geração coca-cola  -  Renato Russo
(Composição: Renato Russo/ Fê Lemos)

Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês
Nos empurraram com os enlatados
Dos U.S.A., de nove as seis.

Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola

Depois de 20 anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser

Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola

Para conversar:

Denotou reação de caráter nacionalista, xenófoba, anti-consumista à hipocrisia da sociedade que só cobra dos pobres e garante a impunidade aos socialmente superiores.


130- Majestade o sabiá  - Jair Rodrigues

Meus pensamentos
Tomam formas e viajo
Vou pra onde Deus quiser
Um vídeo - tape que dentro de mim
Retrata todo o meu inconsciente
De maneira natural
Ah! Tô indo agora
Prá um lugar todinho meu
Quero uma rede preguiçosa pra deitar
Em minha volta sinfonia de pardais
Cantando para a majestade, o Sabiá

Tô indo agora tomar banho de cascata
Quero adentrar nas matas
Aonde Oxossi é o Deus
Aqui eu vejo plantas lindas e cheirosas
Todas me dando passagem
perfumando o corpo meu

Está viagem dentro de mim
Foi tão linda
Vou voltar a realidade
Prá este mundo de Deus
Pois o meu eu
Este tão desconhecido
Jamais serei traído
Pois este mundo sou eu

Para conversar:

uma viagem em direção ao conhecimento interior de cada um de nós, local onde podemos nos encontrar na busca da felicidade e da solução dos nossos problemas. A letra da música foi uma mensagem de otimismo e alegria.



131- Verde-amarelo   -   Roberto Carlos e Erasmo Carlos

Verde e amarelo, verde e amarelo (coro)

Boto fé, não me iludo
Nessa estrada ponho o pé, vou com tudo
Terra firme, livre, tudo o que eu quis do meu país
Onde eu vou vejo a raça
Forte no sorriso da massa
A força desse grito que diz: "É meu país"

Sou daqui, sei da garra
De quem encara o peso da barra
Vestindo essa camisa feliz do meu país
Tudo bom, tudo belo
Tudo azul e branco, verde e amarelo
Toda a natureza condiz com o meu país

Só quem leva no peito esse amor, esse jeito
Sabe bem o que é ser brasileiro
Sabe o que é:

Bom no pé, deita e rola
Ele é mesmo bom de samba e de bola
Que beleza de mulher que se vê no meu país
É Brasil, é brasuca
Esse cara bom de papo e de cuca
Tiro o meu chapéu, peço bis pro meu país

Boto fé, não me iludo
Nessa estrada ponho o pé, vou com tudo
Terra firme, tudo o que eu quis é o meu país
É Brasil, é brasuca
Esse cara bom de papo e de cuca
Tiro o meu chapéu, peço bis pro meu país

Verde e amarelo (coro)
É a camisa que eu visto
Verde e amarelo (coro)
Azul e branco também
Verde e amarelo (coro)
É Brasil, é brasuca
Verde e amarelo, verde e amarelo (coro)
Boto fé, não me iludo
Nessa estrada ponho pé, vou com tudo...

Para conversar:

 Foi transmitida uma mensagem de ufanismo e exaltação à tropicalidade brasileira. O samba, o futebol e a mulher apareceram como características do bom brasileiro. Canção eivada de fé, esperança e otimismo, que contrastou com o Brasil de tanta miséria, em versos que arrematam: Sou daqui, sei da garra de quem encara o peso da barra, vestindo esta camisa feliz do meu país.


132- Samba do Avião    (Tom Jobim, 1962)

Minha Alma canta
Vejo o rio de Janeiro
Estou morrendo de saudade
Rio, teu mar, praias sem fim
Rio, você foi feito pra mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de mais um minuto
Estaremos no Galeão
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Pousar.

Para conversar:

O campo sonoro mostra-se como meio propício para a realização das necessidades de materialização ou corporificarão das idéias, ou seja, um meio ideal para a manifestação dos sentimentos e idéias. Tem-se, em Samba do avião, uma poética que, construindo personagens e objetos valorativos, no caso a cidade do Rio de Janeiro e suas paisagens, ajuda a reiterar sujeitos ou lugares que ganham valor sentimental.
Os lugares por onde passeiam os olhos do compositor são bastante alusivos às belezas naturais da cidade, como o mar, as praias, a Baía de Guanabara, o morro do Corcovado, onde fica a estátua do Cristo Redentor. Por outro lado, atrelado à essas imagens da cidade, lança-se a lembrança – e não mais o olhar do avião de personagens da cidade, como a morena que samba, o ir à praia, ou seja, aspectos da vivência urbana carioca, muito bem retratados nessa canção.


133- Saudosa maloca   -    Adoniram Barbosa

Si u sinhô num tá lembradu
Dá licença di contá,
Que aqui onde agora está
Esse adifício arto
Era uma casa véia,
Um palacête assobradado.

Foi aqui seu moçu
Que Eu, Mato Grosso e o Joca
Construimus nossa maloca.

Mais um dia
Nóis nem podi si alembrá
Veio os homes com as ferramentas
O dono mandô derruba.


Peguemo todas nossas coisas
E fumus pro meio da rua
Apreciá a demolição.

Qui tristeza qui nóis sentia
Cada táuba que caía
Duía no coração.

Mato grosso quis gritá
Mas em cima eu falei:
Os homes está coa razão
Nois arranjá outro lugá.

Só se conformemos
quando o Joca falou:
Deus dá o frio
 conforme o cobertô
E hoje nois pega a páia
nas gramas du jardim
E pra isquecê
nois cantemos assim:
Saudosa Maloca
Maloca quirida
Dim dim dondi nós passemos
Dias filiz de nossa vida.

Saudosa Maloca
Maloca querida
Dim dim donde nós passemos
Dias filiz da nossa vida.

 Para conversar:

Dos anos 50, retratou a transformação porque passaram os grandes centros urbanos.


134- Música: Como Uma Onda  -  (Lulu Santos)

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Nada do que foi será
De novo do jeito
Que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar...
Como uma onda no mar...


135- Paródia de química: Ácidos inorgânicos (Biquíni de Bolinha Amarelinha)

H2SO4 é sulfúrico
H3PO4 fosfórico
H3BO3 é o bórico
E HNO3 nítrico
Ai ai ai todo ácido tem H
HIO3 iódico
HBrO3 brômico
HClO3 é clórico
H2CO3 é o carbônico
E H4SiO4 é o sílicico.


136- Paródia de química: Química subliminar

O formol é metanal
A acetona tem bicetona
NaCl é Sal
E o anel que tem aroma

Química subliminar
Faz você acreditar
No que vão te ensinar

Tem também a função amina
O ácido que faz chacina
E na hora da titulação
Acontece a explosão

Química subliminar
Faz você acreditar
No que vão te ensinar

Química subliminar! (3x)


137- Não Pare na Pista - Raul Seixas

    Não pare na pista, é muito cedo prá você se acostumar
 Amor, não desista, se você pára o carro pode te pegar
 Bi, bi, fon, fon, ne ne
 Se você pára o carro pode te pegar
 Você me xingando de louco pirado
 E o mundo girando e a gente parado
 Meu bem me dê a mão que eu vou te levar
 Sem carro e sem medo do guarda multar
 Meu bem me dê a mão que eu vou te levar
Sem carro e sem medo prá outro lugar

Dinâmica:

A sugestão da utilização desta letra em uma aula de física seguiria então um roteiro como o seguinte:
Apresentação do tema da aula ou da seqüência didática;
- Geocentrismo ou Heliocentrismo?
- Discussão conceitual e/ou poética dos versos selecionados;
- O professor de física pode partir desta música para trabalhar com algumas questões
referentes ao período histórico do Renascimento, através de cientistas como
Copérnico, Bruno e Galileu, os quais foram considerados loucos e condenados por sugerirem que a Terra girava em torno do Sol (“e o mundo girando”), ao passo que o senso comum nos apresenta a Terra em repouso (“e a gente parado”).
- Conclusão ou continuação da discussão com embasamento físico.
- Essa atividade, portanto, permite trabalhar a questão histórica, política e social do fazer ciência, bem como o conceito de referencial, de velocidade relativa, de heliocentrismo e geocentrismo, entre outros.


138- Geração da Luz - Raul Seixas

          Eu já ultrapassei a barreira do som
 Fiz o que pude, às vezes fora do tom
Mas a semente que ajudei a plantar já nasceu
Eu vou, eu vou m'embora apostando em vocês
Meu testamento deixou minha lucidez
Vocês vão ter um mundo bem melhor que o meu
Quando algum profeta vier lhe contar que o nosso sol tá prestes a se apagar
 Mesmo que pareça que não há mais lugar, vocês ainda têm, vocês ainda têm
 A velocidade da luz pra alcançar
Além, depois dos velhos preconceitos morais
 Dos calabouços, bruxas e temporais
Onde o passado transcendeu há um reinado de paz
 Vocês serão o oposto dessa estupidez
Aventurando tentar outra vez
 A geração da luz é a esperança no ar

Para conversar:

Contextualizar de forma breve o assunto chave desta letra de música, vale explicitar que a expressão Geração da Luz (título) remete ao conceito místico da Nova Era (Novo Aeon), período cosmológico que estaria nascendo e que duraria cerca de 2600 anos, e que, de acordo com os adeptos, corresponde a Era de Aquário. Os homens nascidos nesse período fariam parte da Geração da Luz.
Esta canção poderia ser utilizada em aula de física por diversos aspectos. Seguindo nosso roteiro:
- Velocidade da Luz e do Som
- Apresentação da música acompanhada de sua respectiva letra;
- Discussão conceitual e/ou poética dos versos selecionados e;
- Não cabe discutir aqui se eles foram considerados loucos por questões políticas, religiosas ou científicas.
J    á no primeiro verso (“Eu já ultrapassei a barreira do som”), o professor de física pode levantar questões sobre ‘o que é o som’, ‘quais velocidades o som atinge’, ‘o alcance da velocidade do som no ar pelo homem’, entre outras. Além disso, pode ser trabalhada a relação entre o momento histórico da ultrapassagem da barreira do som pelo homem em 1947 e o nascimento do compositor Raul Seixas (1945), autor da frase.
A segunda estrofe também nos abre, integralmente, um grande leque de possibilidades, pois podemos explorar seus versos (“Quando algum profeta vier lhe contar que o nosso Sol tá prestes a se apagar / Mesmo que pareça que não há mais lugar, vocês ainda têm a velocidade da luz pra alcançar”) para estudar a ‘velocidade da luz (c)’, ‘o apagamento do Sol’, ‘os constituintes do Sol’, ‘a produção de energia solar’, ‘o valor absoluto de c (independência do referencial)’ e ‘a relatividade restrita’. Esse último exemplo em especial, pois a estrofe permite a interpretação de que se o Sol se apagar, ainda temos um intervalo de tempo para alcançar a velocidade da luz e não deixar que o Sol realmente se apague, pois sua luz final nunca nos alcançaria
-  Essa letra de música pode, portanto, permitir que o professor de física explore os temas citados acima, além de abrir caminho para uma discussão sobre a relatividade einsteiniana, no sentido de entender o absolutismo da velocidade da luz.


139- Queremos Saber -  Gilberto Gil

Queremos saber
o que vão fazer
com as novas invenções
Queremos notícia mais séria
sobre a descoberta da antimatéria
e suas implicações
na emancipação do homem
das grandes populações
homens pobres das cidades
das estepes, dos sertões
Queremos saber
quando vamos ter
 raio laser mais barato
 Queremos de fato um relato,
 retrato mais sério,
 do mistério da luz
 luz do disco-voador
pra iluminação do homem,
 tão carente e sofredor,
 tão perdido na distância,
da morada do Senhor
 Queremos saber
 queremos viver
 confiantes no futuro
por isso de faz necessário
 prever qual o itinerário da ilusão
a ilusão do poder
 pois se foi permitido ao homem
tantas coisas conhecer
 é melhor que todos saibam
 o que pode acontecer
 Queremos saber
todos queremos saber

Para conversar:

Esta música, primeiramente publicada na década de setenta (Gil, 1976), recentemente foi regravada pela cantora Cássia Eller, o que fez ela voltar aos ouvidos dos jovens, facilitando assim a inserção desta atividade na sala de aula.
A letra abre uma discussão sobre o ‘fazer ciência’. De um modo geral, às vezes a ciência (e o cientista) é apresentada ao público leigo como algo bom, que só traz benefícios, outras vezes como algo mal, prejudicial ao homem. No entanto, o jovem dificilmente consegue refletir sobre essa temática, já que as respostas sempre vêm prontas (sobre o bem e o mal) e mesmo porque em aulas de ciência esse assunto também não está presente.
O professor de física pode apresentar o debate sobre “o papel da ciência na sociedade atual”, “o papel do cientista como divulgador da ciência”, “os meios de divulgação científica” e “a relação entre ciência e tecnologia”. Nossa proposta é feita com o objetivo de que estas discussões possam servir para o aluno criar uma visão mais crítica sobre a ciência.


140- Paródia de química - Alcano I Love You (Marisa Monte - Amor I Love you)

Hoje estudei os Alcanos
Vi a importância pra nós
Eles são estáveis, não reagem com nada
Mas se mistura com o sulfúrico.
É o Alcano em reação
É o composto de carbono
Com O2 CO2 e Água
Formam um Aldeído
É o Alcano que está aqui

Refrão (2x):
Alcano I Love you
Alceno I Love you
Alcino I Love you
Ciclano I Love you

Voz De Fundo:
Hidrocarbonetos_ são compostos formados exclusivamente por carbonos e hidrogênio;
Alcano_ cadeia carbônica aberta com ligações simples;
Alceno_ cadeia carbônica aberta contendo uma única ligação dupla;
Alcino_ cadeia carbônica que na sua formação possui pelo menos uma tripla ligação
Ciclano_ cadeia carbônica é cíclica e apresenta apenas ligações simples

Refrão (2x):
Alcano I Love you
Alceno I Love you
Alcino I Love you
Ciclano I Love you
Hoje estudei os Alcanos UUU......


141- Paródia de química - ABC da química  (abc da Xuxa)

A_ DE ALCINO
B_DE BENZENO
C_DE CICLANO
D_DE DIENO
E_DE ENXOFRE
F_DE FENIL
G_DE GÁS
H_DE HIDROGÊNIO
I_DE IODO
J_JUVENTUDE
L_DE LITIO
M_DE METIL
N_NITOGÊNIO
O_OXIGÊNIO
P_PROPINO
Q_DE QUIMICA
R_DE RÁDIO
S_DE SÓDIO
T_TILENO
U_ DE UNUMBIO
V_DE VASILINA
X O QUE É QUE É? É XÊNONIO
E Z É ZINCO – ZINCO –ZINCO

Vamos Contar, Vamos somar Alegria pra valer o abecedário da Química vamos aprender ie, ie, ie..


142- Paródia de química - É Preciso Saber Entender (É Preciso Saber Viver)
Grupo Os Quimicões e as Quimiquetes

Quem espera que a Química seja feita de fusões,
Pode até ficar maluco ou morrer nas soluções,
É preciso ter cuidado pra mais tarde aprender, É preciso Saber Entender

Toda Pedra no caminho você pode retirar
Numa flor que tem espinhos você pode se arranhar
Fórmulas estruturais existem pra que possa estudar
É preciso saber entender.
Refrão:
É Preciso saber entender
É Preciso saber entender

É Preciso saber entender
Saber entender.

BISSS....


143- Paródia de química - Exaltassamba – Fui
(Grupo Lambreta Vuadora – Fun... Funções)

Quando a Química é difícil e não entende mais
Não adianta se desesperar, gritar, chorar

Se você quiser acreditar ou não, vamos lá, eu já aprendi e agora posso te ajudar
É só você pegar o ácido H+, E a base OH e neutralizar
Pegando o sal e o cátion vamos provocar

Agora já era eu aprendi
E vou botar pra funs...( Funções é muito fácil sim funs...)
( Funções carbônicas pra mim funs...)
É fácil de se aprender
Se fizer assim
Como eu fiz pra mim
Com certeza vai se dar bem(2x)
No Vest. vai passar
A prova é fácil basta estudar
No Vest. Vai passar
Química é fácil é só se ligar.


144- Aula De Matemática  -   Tom Jobim
Composição: Antonio Carlos Jobim / Marino Pinto

Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você
Por uma fração infinitesimal,
Você criou um caso de cálculo integral
E para resolver este problema
Eu tenho um teorema banal
Quando dois meios se encontram desaparece a fração
E se achamos a unidade
Está resolvida a questão
Prá finalizar, vamos recordar
Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto os corações a se integrar?
Se infinitamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.


145- Poesia matemática (Millôr Fernandes)

Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base…
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela à dela.

Até que se encontraram
No Infinito.

“Quem és tu?” indagou ele
Com ânsia radical.

“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode chamar-me Hipotenusa.”

E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs
-Primos-entre-si.

E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz.

Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais.

Escandalizaram os ortodoxos
Das fórmulas euclideanas
E os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas
E pitagóricas.
E, enfim, resolveram casar-se.

Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.

Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.

E fizeram planos, equações e
Diagramas para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.

E casaram-se e tiveram
Uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.

E foram felizes
Até àquele dia
Em que tudo, afinal,
Se torna monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum…

Frequentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um
Denominador Comum.

Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais
Um Todo.
Uma Unidade.

Era o Triângulo,
Chamado amoroso.
E desse problema ela era a fracção
Mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade
Como aliás, em qualquer
Sociedade.

Dinâmica:

- Criar letras de músicas utilizando os conhecimentos matemáticos.
- Analisar e discutir os diversos temas propostos nas músicas.
- Ampliar as experiências no campo do ritmo, audição e expressão corporal.
- Ampliar a atenção, o gosto e a sensibilidade em relação a música.
- Criar um espaço informal que propicie o enriquecimento dos conteúdos matemáticos.


146- Música: Matemática  -  Banda: D'Corpo Inteiro

Fiz tantos planos pra nós dois
o que aconteceu
realidade virou ilusão
e o culpado não sou eu

Essa sua matemática
e só dividir
tudo que eu sempre sonhei pra nós
no coração
multiplicando a tristeza que me subtraiu
de repente a felicidade
virou solidão

Mais que soma é essa
que deixou pra trás
toda porcentagem que eu calculei
essa sua regra não me deu valor
eu acabei sozinho
10 em matemática e 0 no amor
e mais um problema sem resolver
sorriso na cara e uma imensa dor
no final das contas fiquei sem você...

Atividade:

 Para instigar os alunos a compor músicas, proponha um Festival de Músicas com letras originais como tema os assuntos estudados nas aulas de Matemática.
1.    tempo para composição das músicas;
2.    apresentação das letras ao professor para correção relacionados aos conteúdos de Matemática abordados nas mesmas (se houver necessidade);
3.    tempo para ensaios;
4.    apresentação, avaliação e escolha da melhor música de cada turma;
5.    apresentação e escolha (por avaliação pontual) da melhor música da Escola no Festival de Músicas.
Os/as alunos/as, seguindo o cronograma, deverão inicialmente:
•     optar por um trabalho em grupo ou uma apresentação individual;
•    escolher uma música para servir de melodia para a letra composta pelo grupo de alunos e/ou aluno.
Peça o envolvimento dos professores de Língua Portuguesa e de outras áreas de conhecimentos para auxiliar no trabalho da comissão julgadora.


147- Paródia de matemática - Note os notáveis

Tem uma regra matemática
Que você pode conhecer:
Uns tais de Produtos Notáveis
Agora você vai ver.
Tem três delas principais
Que nós vamos te mostrar,
É só prestar atenção
Que é fácil de decorar.
No produto da soma pela diferença
Você pega o primeiro termo
E eleva ao quadrado,
Menos o quadrado do segundo termo.
O quadrado da soma de dois termos
Você vai querer saber:
a2 + 2ba
Mais o quadrado de b.
No quadrado da diferença
De dois termo, vou falar:
Quase igual ao quadrado da soma,
Mas ao invés de adicionar
2ba à sua conta, você subtrairá.


148-  Música: Bola de Meia Bola de Gude (Milton Nascimento)

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem para me dá a mão

Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão

Ele fala de coisas bonitas
Que eu acredito que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito, caráter,
 bondade, alegria e amor
Pois o nosso menino
Não quer viver como toda essa gente insiste em viver
Pois não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem
Isso é coisa normal

Bola de meia
Bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
 o menino me dá a mão

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem para me dá a mão.

Dinâmica:

Poderemos ouvir a música, depois cantar, conversar sobre as impressões que ela nos traz. Refletir sobre quem é esse menino? Quem é a bruxa? Que verso ou estrofes eles gostariam de destacar ? Escolher uma das estrofes para ilustrar. Explicar os motivos da escolha.
Pensar sobre as coisas bonitas que o menino acha que nunca deixarão de existir. Montar um debate com a temática: A Amizade, o respeito, o caráter, a bondade, a alegria e amor sempre irão existir? A escolha dos debatedores será feita pelos alunos. Convidar psicólogos, coordenadores para participar desse momento. Marcar um horário com a turma para jogar bola de gude e bola de meia.

149- Paródia de biologia - Ilariê da Xuxa:

     Tá na hora, tá na hora
     Desse sangue circular
     Do ventrículo direito
     Prá artéria pulmonar
 
     Do pulmão vai pr‘uma veia
     Que também chama pulmonar
     Átrio e ventrículo esquerdo                
     Que prá aorta vai bombear
 
     Ilá – ilá – ilariê,  ar – ar – ar
     É o sangue venoso
     Na artéria pulmonar
     Ilá – ilá  - ilariê,  ar – ar – ar
     É o sangue arterial
     Indo prá veia pulmonar
 
     Através da veia cava
     Sangue pode retornar
     Para o átrio direito
     Prá tudo recomeçar


150- Xixi nas estrelas  - Composição: Guilherme Arantes

Lá vem eles com as suas bandeiras
Suas armas e outras asneiras
Esses homens pássaros do espaço
Será que eles vêm só pra ver
Ou será que eles vêm pra brigar?
Se for pra brigar, vão se ver comigo
Ponho todos de castigo
Se eles pensam que podem fazer aqui em cima
O que fazem na terra
Estão redondamente enganados
Aqui é o jardim do céu

Quem foi que disse
Que eles podem vir aqui
Nas estrelas fazer xixi, xixi

Quem foi que disse
Que eles podem vir aqui
Nas estrelas fazer xixi

Lá vem eles com as suas bandeiras
Suas armas e outras asneiras
Esses homens pássaros do espaço
Será que eles vêm só pra ver
Ou será que vêm pra brigar?
Se for pra brigar, vão se ver comigo
Ponho todos de castigo
Se eles pensam que podem fazer aqui em cima
O que fazem na terra
Estão redondamente enganados
Aqui é o jardim do céu

Tomem muito cuidado
Que esse sol é uma rosa
Esse azul é um gramado
Essa lua é uma flor
Na madrugada

Quem foi que disse
Que eles podem vir aqui
Nas estrelas fazer xixi, xixi

Quem foi que disse
Que eles podem vir aqui
Nas estrelas fazer xixi


151- Paródia de biologia - Mamãe eu quero
[versão biológica]

     Inseto eu quero (há-há)
     Inseto eu quero (há-há)
     Inseto, eu quero respirar
     Me dá a traquéia (há-há)
     Me dá a traquéia (há-há)
     Assim meu sangue não vai
    ter que transportar
       O2 - O2 - O2 …
    
     Rep – Ave – Mami
     Respiram por pulmão
     Brânquia é utilizada
     Por ostra e camarão

     A filotraquéia
     É usada pela aranha
     O sapo e a minhoca
     Têm respiração cutânea


152- Paródia de biologia Coração Corintiano
[versão biológica]

    Planária, cê não me engana
     Você excreta por célula flama     
     Planária, cê não me engana
     Você excreta por célula flama

     Toda lombriga, tubos em “H”
     Molusco e anelídeo
     Nefrídeo prá “excretá”
     A planária não me engana
     Ela excreta por célula-flama

    No inseto e “aracnidi”
    No intestino, tubos de Malpighi
    No inseto e “aracnidi”
    No intestino, tubos de Malpighi

    Toda aranha, glândula coxal
    E a glândula verde
    Crustáceos em geral
    No inseto e “aracnidi”
    No intestino, tubos de Malpighi

153- Paródia de biologia Pra frente Brasil
[versão biológica]

     Sistema aberto em ação
      Molusco e artrópode
      Anelídeo não
      Todo vertebrado
      Sistema fechado
      De circulação

      Novamente
      O ventrículo esquerdo da gente
      Bombeia prá aorta
      Com alta pressão

      Hemácia faz oxigenação
      Plaqueta, coagulação
      Vamos juntos, vamos
      Prá frente glóbulos brancos
      Contra a infecção


154- Música: Comida  - Arnaldo Atunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito.

Comida
Bebida é água.
Comida é pasto.
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?
A gente não quer só comida.
A gente quer comida, diversão e arte.
A gente não quer só comida.
A gente quer saída para qualquer parte.
A gente não quer só comida.
A gente quer bebida, diversão, balé.
A gente não quer só comida.
A gente quer a vida como a vida quer.
Bebida é água.Comida é pasto.
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?
A gente não quer só comer.
A gente quer comer e quer fazer amor.
A gente não quer só comer.
A gente quer prazer pra aliviar a dor.
A gente não quer só dinheiro.
A gente quer dinheiro e felicidade.
A gente não quer só dinheiro.
A gente quer inteiro e não pela metade.

Procedimento:

1 – O que quer dizer:
a) “Bebida é água”
“Comida é pasto”?
b) Quem é “a gente”?
c) O que você pode entender pelo verso “ a gente quer inteiro e não pela metade”?
d) O que os Titãs defendem e o que criticam nesta música?
2 – A palavra “fome” de acordo com o dicionário tem os seguintes significados: sensação causada pela necessidade de comer; falta; míngua de viveres; miséria; carência alimentar; ambição; ganância.
Os sinônimos encontrados no dicionário refletem o real significado da palavra “fome” no poema “comida”? Justifique sua resposta com elementos do texto.
3 – Redija um breve texto para ser publicado em um jornal de circulação nacional, comentando as possíveis consequências para a sociedade se a desigualdade social não for controlada.


155- Paródia sobre meio ambiente: Ei, Você! - Jota Quest.

Ei você, não desperdice mais
Isso, não lhe leva a nada

Ei, você, não desperdice mais
Isso, não lhe leva a nada

E se quiser ajudar a economizar
É só fazer sua parte
Para o mundo melhorar

Ei você,
Não consuma demais
Isso, não lhe leva a nada
Ei você
Recicle mais
Isso, melhora tudo.


156- Paródia sobre meio ambiente: Pela última vez do cantor NXO

Eu não vou te deixar
Ir embora assim
Nada vai funcionar
Sem o Planeta aqui
Mas algo me diz
Que o mundo vai cair
Em pedaços
E quando aos nossos verdes
E todas as florestas
Agora é muito tarde
Pra tentarmos concertar

Eu sei
Tudo vai mudar
Mas tenho tanta coisa pra arrumar
Eu e você
Todos nós
Não vamos poluir mais
Tente me ouvir agora
É pela última vez
Pela última vez
Eu quero que recicle
Para o nosso mundo ajudar

Agora o mundo está com uma defesa
Todos o olham
Mas realmente ninguém vê
Que ele está acabando.
Agora
Temos que ajudar
Ele nos deu muito mais que a nossa vida
Quando tudo não passava de ilusão
Eu nunca te agradeci
Por ser sempre assim

Eu sei
Agora vai mudar
Mas tenho tanta coisa pra arrumar
Eu e você
Todos nós
Não vamos poluir mais
Tente me ouvir
Agora
E pela última vez
Eu quero que recicle
Para o nosso mundo ajuda


157- Paródia sobre meio ambiente: Só Hoje (Jota Quest)

Hoje eu preciso preservar de qualquer jeito
Nem que seja pra cuidar em casa
Foi um dia normal
Cuidar de plantas fáceis e da natureza
De um jeito que ti faça rir, que te faça rir
Hoje eu preciso preservar
Para esquecer os meus anseios
E preservar em paz

Hoje eu preciso cuidar de qualquer planta
Nem que seja uma plantinha
Que esta viva
Hoje eu preciso de água
Ouvindo você suspirar
Dizendo que eu estou a desmatar
Mas eu cuido sempre, sempre

Hoje preciso preservar
Com todo meu amor
Com todo meu sorriso
Hoje só preservando
A terra ira ficar, feliz. ( bis)


158- Paródia: Preserve o Meio ambiente
Música “ Semente” do cantor Armandinho

Preserve, preserve
Preserve, preserve
Preserve o Planeta Terra
Se não ele irá acabar

Tenha certeza
De que tudo que nós fizemos
Um dia irá prejudicar, prejudicar

Preserve, preserve
Preserve, preserve
Preserve o Planeta Terra
Ele irá nos agradecer

Preserve, preserve
Preserve, preserve
Preserve o Planeta Terra
Que um dia você
Irá ver
Como é importante viver


159- Paródia: Toma, toma água
Música “ Folha de Bananeira” do cantor Armandinho

Refrão:
Toma, toma, toma água da torneira
Toma na boa mas não de brincadeira
Toma, toma, toma água da mangueira
Toma na boa só não a da banheira

Seu guarda preste muita atenção
Sou seu amigo então não tente fugir não
A água é boa só pra quem é mole
Toma na boa e não se contamina

Refrão...

Seu delegado preste muita atenção
Sou seu amigo então aprenda essa lição
Água mineral não precisa tomar não
Se não o meio ambiente poluirá então

Refrão...

Meu tio, preste muita atenção
Sou seu sobrinho então não tente fugir não
O canudinho não precisa usar não
Por que se não o meio ambiente poluirá então


160- O Ciclo da Vida ( Disney)

Desde o dia em que ao mundo chegamos
Caminhamos ao rumo do sol
Há mais coisas pra ver
Mais que a imaginação
Muito mais pro tempo permitir
São tantos caminhos pra se seguir
E lugares pra se descobrir
E o sol a girar sobre o azul deste céu
Nos mantem esse rio a fluir
É o ciclo sem fim
Que nos guiará
Na dor e emoção
Pela fé e o amor
Até encontrar o nosso caminho
Neste ciclo
Neste ciclo sem fim.


161- Absurdo  -  Vanessa da Mata

Havia tanto pra lhe contar
A natureza
Mudava a forma o estado e o lugar
Era absurdo
Havia tanto pra lhe mostrar
Era tão belo
Mas olhe agora o estrago em que está
Tapetes fartos de folhas e flores
O chão do mundo se varre aqui
Essa ideia do natural ser sujo
Do inorgânico não se faz
Destruição é reflexo do humano
Se a ambição desumana o ser
Essa imagem infértil do deserto
Nunca pensei que chegasse aqui
Autodestrutivos,
Falsas vítimas nocivas?
Havia tanto pra aproveitar
Sem poderio
Tantas histórias, tantos sabores
Capins dourados
Havia tanto pra respirar
Era tão fino
Naqueles rios a gente banhava
Desmatam tudo e reclamam do tempo
Que ironia conflitante ser
Desequilíbrio que alimenta as pragas
Alterado grão, alterado pão
Sujamos rios, dependemos das águas
Tanto faz os meios violentos
Luxúria é ética do perverso vivo
Morto por dinheiro
Cores, tantas cores
Tais belezas
Foram-se
Versos e estrelas
Tantas fadas que eu não vi
Falsos bens, progresso?
Com a mãe, ingratidão
Deram o galinheiro
Pra raposa vigiar.

Para conversar:

     Por que chegamos a isso? O que nos levou a destruir e descuidar da água, da terra, do ar, uns dos outros?
     Por que não pensamos no que deixar para quem vem depois, as próximas gerações, os filhos e filhas da mãe-Terra?


162- Amazônia - Roberto Carlos

Tanto amor perdido no mundo
Verdadeira selva de enganos
A visão cruel e deserta
De um futuro de poucos anos
Sangue verde derramado
O solo manchado
Feridas na Selva
A lei do machado
Avalanches de desatinos
Numa ambição desmedida
Absurdos contra os destinos
De tantas fontes de vida
Quanta falta de juízo
Tolices fatais
Quem desmata, mata
Não sabe o que faz
Como dormir e sonhar
Quando a fumaça no ar
Arde nos olhos de quem pode ver

Terríveis sinais de alerta, desperta pra selva viver
Amazônia, insônia do mundo
Amazônia, insônia do mundo
Todos os gigantes tombados
Deram suas folhas ao vento
Folhas são bilhetes deixados
Aos homens do nosso tempo
Quantos anjos queridos
Guerreiros de fato
De morte feridos
Caídos no mato
Como dormir e sonhar
Quando a fumaça no ar
Arde nos olhos de quem pode ver

Terríveis sinais de alerta, desperta pra selva viver
Amazônia, insônia do mundo.



163- Paródia de física - Força magnética

 RITMO: na janela lateral no quarto de dormir...

Quem nunca usou a mão
Vai Ter que usar agora
Todo mundo colocando mão direita pra fora
Ei, você aí!
Tire já a mão dessa moça.
Vai Ter que usar parar
Saber o sentido da força
Força magnética, como calculo você?
Força magnética seno teta bê que vê
(F = sen q. B . q. v)
Prepare sua mão e dê um tapa de verdade
Quatro dedos apontam o campo
Polegar a velocidade
O sinal da carga indica
Pra que lado a força vai
Negativa sai das costas
Positiva da palma sai
Força magnética, como calculo você?
Força magnética seno teta bê que vê
(F = sen q . B . q. v)
MRU e MRUV


164- Paródia de física LETRA: Era um esfera
RITMO: era uma casa muito engraçada..

Era uma esfera eletrizada
em equilíbrio e isolada
dentro da esfera não tinha carga
não tinha campo não tinha nada
na superfície o campo é normal
e o potencial é sempre igual
A onda e o meio
Autor e Letra de Daniel Fachini
(Paródia: Plágio de Que vês – Tihuana)
Intro: Am Dm G Em
Am G Dm F
Pensando em ondas posso analisar
Comprimento de onda (l) e sua freqüência (f)
Algumas precisam meio material (mecânicas)
E aquelas do rádio (eletromagnéticas) a gente não vê.
Am G Am G
Tem ventre (no meio), a crista é saliente
Am G Dm F
Seu oposto é o vale, não vá se enganar
Tem V, igual a l sobre T (período)
Se liga agora dá pra calcular
Uma onda não pode levar matéria
Somente energia pode propagar
Se for de vai e vem é longitudinal
Transversal só se faz, com 90º


165- Paródia de física - Memorização de corrente elétrica
(Ritmo: Village People - YMCA)

Vou falar pra vocês
de um imã
as linhas de indução
saem do pólo norte
e che-gam no pólo sul
Quando
uma corrente elétrica
percorre um fio condutor
surge
um campo magnético
da-do pela regra
Essa é a Regra |
da mão direita |BIS
O dedão pra corrente
Os dedos pro ponto
e o sentido do campo é o
do Tapa!


166- Paródia de física - Eletricidade - Ponte de Wheadstone (Ritmo: Pagode)

IA ponte de wheadstone é bem diferente
No fio do meio não passa corrente
Produto cruzado, é assim que se faz
R1 R3, R2 e o de tras
Vai vai vai
Se o produto dos ohm é igual
a ponte de wheadstone é a ideal
segura a galera da palma da mão
a ponte de wheadstone é a solução
Vai vai vai
Hernane Barcelos – Professor de Química
Pra evaporar tem que ter boa pressão
Pra evaporar tem que ter volatilidade
Pois a atmosfera, ela não é mole não
É 1 atm mas depende da localidade.
Pra evaporar tem que ter boa pressão
Pra evaporar tem que ter volatilidade
Pois a atmosfera, ela não é mole não
É 1 atm mas depende da localidade.
Vamo vê como é que cada substância se comporta
Na evaporação
A primeira é água salgada.
É assim ó.Vai pro céu…(3x)
Se ligou? De novo!
Céu…(3x)
Água doce!
Créu, créu, céu, céu, céu, créu
Continua fácil, né? De novo!
Céu, céu, céu, céu, céu, céu!
Etanol!
Céu, céu, céu, céu, (3x)
Tá ficando dificil, hein?
Céu, céu, céu, céu (3x)!
Agora eu quero ver a acetona!
Céu, céu, céu, céu
Céu, céu, céu, céu
Céu, céu, céu, céu
Céu, céu, céu
Céu, céu, céu, céu
Céu, céu, céu, céu
Tá aumentando mané!
Céu, céu, céu, céu
Céu, céu, céu, céu
Céu, céu, céu, céu
Céu, céu, céu, céu
Céu, céu, céu, céu
Céu, céu, céu, céu
Agora vamo vê comé que o éter caminha pro céu!!
Céu-Céu-Céu-Céu-Céu-Céu-Céu-Céu (6x)
Hahahahaha
Céu-Céu-Céu-Céu-Céu-Céu-Céu-Céu (8x)!



167- Paródia de química -  Só Hoje (Jota Quest)

Hoje eu preciso ionizar de qualquer geito
Nem que seja só pra ficar estável na camada de valência
Depois de uma reação normal
Olhar tuas nuvens eletrostáticas de eletróns fáceis
E te roubar eletróns e ionizar
.
Hoje eu preciso te eletrizar
Sentir o seu cheiro de cátion positivo
Pra esquecer o meu ânion negativo e desestabilizar
.
Hoje eu preciso compartilhar qualquer carga tua
Qualquer carga exagerada que me faça sentir alegria
Em estar estável

Hoje eu preciso tomar um par de eletróns, vendo você compartilhar
Me dizendo que eu sou o causador da sua cadeia carbônica
Que eu deixo tudo ligado sempre
Hoje preciso compartilhar
Em qualquer camada com qualquer elétron
Hoje só o tua camada
Vai me deixar estavel
Só hoje


168- Paródia de química - Aprendendo a composição
(Marcas do que se foi)

Este ano quero aprender a composição.
Dos Sistemas da matéria, eu não entendia não.
Se o tempo passa, com ebulição e fusão constante.
Sem parar, acho sempre substância sem errar.
Se a temperatura mudar no PF e PE,
acontece nas Misturas, que eu acabo de aprender.
Este ano ...
Se a temperatura mudar, só no ponto de fusão.
É mistura azeotrópica, tô começando aprender.
Este ano...
Se a temperatura mudar Somente na ebulição.
Imagino tipo eutética, tô começando entender.


169- Paródia de química -  Exaltassamba – Fui
(Grupo Lambreta Vuadora – Fun... Funções)

Quando a Química é difícil e não entende mais
Não adianta se desesperar, gritar, chorar

Se você quiser acreditar ou não, vamos lá, eu já aprendi e agora posso te ajudar
É só você pegar o ácido H+, E a base OH e neutralizar
Pegando o sal e o cátion vamos provocar

Agora já era eu aprendi
E vou botar pra funs...( Funções é muito fácil sim funs...)
( Funções carbônicas pra mim funs...)
É fácil de se aprender
Se fizer assim
Como eu fiz pra mim
Com certeza vai se dar bem(2x)
No Vest. vai passar
A prova é fácil basta estudar
No Vest. Vai passar
Química é fácil é só se ligar


   

170- Paródia de química -  Sais Solúveis
Ritmo: (música que se canta em sala de aula de criancinha!)

se vc está contente bata palmas..
se vc esta contente e quer mostrar a toda gente
se vc está contente bata palmas....
Música de Sais Solúveis

nitratos , cloratos e acetatos
são solúveis
nitratos , cloratos e acetatos
são solúveis

cloretos, brometos e iodetos também são
exceto Ag, Pb e Hg
Sulfatos que beleza
Todos são solúveis
exceto Ca, Sr, Ba e Pb.
171- Paródia de química - Cadeia Carbônica
Ritmo: (música: Bom chi bom bom das Meninas)

Analisando a cadeia de carbon
Quero me ligar de forma simples, dupla ou tripla
O hidrogenio e monovalente

O oxigenio e bivalente
e o destino todo mundo já
 descobre e para o nivel de valencia
se igualar a um gas nobre
refrao: met, et, prop but


172- Paródia de química - Eletroquímica
Ritmo: (Bom chi bom chim bom bom bom..)

Bom chi bom chi bom bom bom...

Analisando essa célula voltaica
Vamos aprender eletroquímica moçada (bis)

Onde o Zinco cada vez fica mais fino
E o cobre cada vez fica mais forte

E o motivo todo mundo já conhece
Nóx do Zinco sobe
E o do cobre desce

Bom chi bom chi bom bom bom...

E o catodo é o pólo positivo
reduz e ganha elétrons com muita facilidade
também tem o anodo que é o pólo negativo
ele perde elétrons e sofre oxidação

E o motivo todo mundo já conhece...
(colaboração de Suelen Oliveira)


173- Paródia de física Estudo dos Ametais
Ritmo da "música dos dedinhos"

1=O agá do becênof,
Sipêsclê,Sipêsclê
 O H do B,C,N,O,F-SI,P,S,CL- bis)
2= Gêascê BÊ Èrre.
GÊascê BÊ Èrre.
(Ge,As,Se,Br) (bis)
3= Isbê TÊi Poat,Isbê Têi Poat,
(SB,Te,I,Po,At) (bis)


174- Paródia de química -  Estudo do Carbono
Ritmo da "Bom-Xibom Bom Bom"
Refão: MET, ET, PROP, BUT (MET É UM ,UM)
MET, ET, PROP, BUT (ET É DOIS)
MET, ET, PROP, BUT (PROP É TRÊS)
MET, ET, PROP, BUT (BUT É QUATRO)

Analisando essa cadeia de CARBONOS
 eu vou aprender a nomeá-la e a contá-la (bis) -
No começo da cadeia ele é PRIMÁRIO. -
Entre dois na cadeia é SECUNDÁRIO –
Entre três na cadeia é TERCEÁRIO. -
E entre quatro na cadeia é QUARTENÁRIO.(refão)

Analisando todos HIDROCARBONETOS
que formam cadeias com carbonos e hidrogênios (bis) -
Saturadas é Prefixo + ANO (-) C-C -
Insaturada é prefixo +ENO (=) C=C -
E com três é prefixo + INO (---) C---C
Nomeamos ALCANOS, ALCENOS E ALCINOS. (refão) -
E essa estória todo mundo já conhece é que os
 HIDROCARBONETOS são COMPOSTO APOLARES.


175- Paródia de química -  Estudo da Química
Ritmo da "eguinha pocotó"

1= Fui Ontem No Clube
 Briguei I Sai Correndo Pro Hospital,
só não posso esquecer a valência no Orbital.
2= Refrão:FONCLBrISCPH, FONCHLBrISCPH,
só não posso esquecer FONCLBrISCPH.
3=Os Metais da Tabela têm tendencia pra doar,
o elétron que está fácil o Ametal vai arrancar.
4= O Metal mais Ametal forma ligações Iônica,
Ametal mais Ametal Covalente vai formar


176- Paródia de biologia - Excreção
Ritmo de ciranda cirandinha

camarão tem glândula verde
para amônia liberar
a minhoca tem nefridias que usa para excretar
nos insetos tubos de malpighi
acido úrico vão eliminar
nas planarias células flama
nas aranhas glândulas coaxais
o homem produz amônia
no meio intracelular
o fígado muda para uréia
que o rim vai excretar


177- Paródia de biologia -  Membrana plasmática
paródia de é tanto amor (versão brasileira)

Para aprender biologia direitinho
venha com a gente estudar alfredinho
a plasmalema é lipoprotéica
é só cantar pra se lembrar
Transporte ativo amigo gasta energia
se for passivo tem osmose e difusão
plasmoptise rompimento, na hemácia
hemólise, hemólise
A vegetal só vai inchar
túrgida ela ficará,
não irá estourar,
não irá estourar
Hemácia murcha
é crenação
no meio hiper pê osão (PO)
é quem fará murchar
é quem fará murchar
Se com amor eu estudar
na faculdade eu vou chegar
então eu já tô lá
então eu jé tô lá


178- Paródia de química  (Menina - Netinho)

na tua boca tem ptialina
já no estômago tem pepsina
pra proteínas degredar
Gastrina
estimula a secreção
do suco gástrico e enterogastrona
faz a inibição
A bile, não tem enzimas e é produzida
pelo fígado e é secretada pela
vesícula biliar
A colecistocinina, contrai a vesícula
 a vesícula biliar
e através do colédoco, no duodeno
a bile vai chegar, vai chegar
Secretina, faz o pâncreas liberar
seu suco e suas enzimas tem
Quim TALNu como bizu.


179- Paródia de biologia -  Tecidos de condução
 (bate forte o tambor)

Vestibular tá chegando e o
relógio tá dizendo é tic-tic-tá
No tecido condutor, seiva bruta vai
subindo, elaborada vai descendo
O xilema é morte, amigos, e
é formado, pelos traqueídes
e elementos de vaso
é mais interno e lignificado,
conduz seiva bruta que sobe ligeiro
Já o floema tem tubo crivado
e é tecido vivo pois tem companheira
E é retirando o anel de Malpighi,
que a pobre plantinha tem morte ligeira.


180- Paródia de biologia - Sistema digestivo
(ritmo de frevo -Vassourinhas-)

A digestão do amido, a ptialina faz/
amilase é seu nome, na saliva ela está/
no estômago começa a digestão das proteínas/
depende da acidez e também da pepsina
No intestino delgado, tem a quilificação/
o alimento é misturado com três líquidos que são:/
o primeiro é a bile que do fígado provêm/
têm ainda o pancreático e o entérico também
Emulsionar as gorduras é a função que a bile têm/
ela ainda absorve ácidos graxos também
Pâncreas para digestão, tem a quimiotripsina/
amilase e lipase, nuclease e tripsina ...


181- Paródia de biologia -  Circulação
 (música: Oi tum , tum , bate coração...)

Artéria aorta sai do coração,
levando o O2 prá nosso corpo
Que libera o CO2 e volta
depois pela veia cava
Venoso o sangue vai para o pulmão,
levado pela artéria pulmonar
Então a hematose acontece, no pulmão,
para o sangue purificar

oi tum, tum, bate coração,
oi tum coração pode bater
Oi tum, tum, bate coração,
 circulação é fácil de aprender

Completa é aquela circulação,
que não deixa acontecer
mistura de sangue venoso com arterial,
tente aprender
Os peixes e aves são assim,
assim os mamíferos também
Peixe Só de Coco ARDI muito Meu Amor,
Deixa Comigo isso também.


182- Paródia de biologia -  Sangue
(cantiga infantil: Passarás)

Passarás, passarás,
logo no vestibular/
se não for na Unicap
a de ser na federal
Nosso sangue é formado pelo plasma que contém/
Albumina, globulinas e fribrinogênio também
Hemácias anuleadas,
 hemoglobina contém/
Que transportam o O2
e o CO2 também
As plaquetas não são células
são apenas fragmentos/
Os leucócitos defendem o nosso corpo
 a todo momento

183- Paródia de biologia -  sistema nervoso (Teresinha de Jesus)

A resposta aos estímulos
chamamos excitação/
Os estímulos geram impulsos
que provocam reação
Os neurônios sensitivos
aferentes sempre são/
pois conduzem para o centro
os impulsos meu irmão
Os motores, efetores, e
ferentes eu diria/
Trazem de volta os impulsos para a periferia
Nossas glândulas, nossos músculos,
neste sistema complexo/
são os orgãos efetores
dos nossos arcos-reflexos


184- Paródia de biologia -  Gametogênese (Ciranda cirandinha)

A gametogênese ocorrerá/
Nas gônodas visando gametas formar
primeiro ocorre multiplicação/
Depois o crescimento e maturação

Espermatogônias sofrem a mitose/
Originado espermatogônias filhas
Citos II sofrem a meiose II/
Formando espermátides logo em seguida

As espermátides vão realizar/
A espermiogênese prá então formar
Espermatozóides que tem a função/
De encontrar o óvulo na fecundação.


185- Paródia de química - Respiração  -  Ritmo Carnaval:

Inseto eu quero, inseto eu quero
Inseto eu quero respirar
Me dá traquéia,
me dá traquéia
Assim meu sangue
não vai ter que transportar
O2 O2 O2
O caramujo respira por pulmão
Brânquia é utilizada por ostra e camarão
A filotraquéia é usada pela aranha
A lesma e a minha tem respiração cutânea.


186- Paródia de biologia -  Polinização (Ritmo Ilariê)

Tá na hora, tá na hora
Da planta polinizar
Com auxílio de um inseto
Grão de pólen transportar
E saindo da antera
No estigma vai chegar
E formar tubo polínico
Para o óvulo fecundar
Ila Ila Ilariê ô ô ô
É um lindo insetinho
Polinizando a seu favor
187- Paródia de biologia -  Estômato e o potássio
Ritmo : "se essa rua, se essa rua fosse minha..."

Se há entrada, se há entrada de potássio
Muito água, muita água vai entrar
Aumentando, aumentando o volume
E aberto, e aberto vai ficar.

Se há saída, se há saída de potássio
Muita água, muita água vai passar
Reduzindo, reduzindo o volume
E fechado, e fechado vai ficar.


188- Paródia de biologia -  olhando a célula
Ritmo : (Asa Branca)

Quando a célula dentro
Pra saber da secreção
Eu perguntei ei, ao professor o (bis)
Será do golghi esta

Inté mesmo a proteína
Necessita produção
Intão se eu disse ao professor
Ergastoplasma esta função

Intão se eu disse ao professor
Engastoplasma esta função

Quando verde das tua folhas
Receber iluminação
Eu te asseguro é fotossíntese (bis)
É dos plastos essa função

Quando olhei a célula dentro
Pra saber da digestão,
Eu perguntei ei, ao professor o (bis)
Do libossomo esta função

Inté mesmo a mitocôndria
Sai fazer respiração
Intão se disse ao professor (bis)
Energia, liberação

Quando cílios e flagelos
E o fuso na divisão
Eu te asseguro vire rosinha(bis)
É do centríolo esta função


189- Paródia de biologia -  Esporócitos
Ritmo : (Casa Engraçada)

Era uma esponja muito engraçada
Não tinha tecido, não tinha nada
Não tinha estrutura pra respiração
Não tinha órgão para excreção
Não tinha nervos, nem em rede
Nem capilares na sua parede
E não tinha celoma ali
De onde poder retirar xixi
Mas tinha genola para reprodução
E coanócito para digestão (bis)
154- Paródia de física digestão
Ritmo : (Yellow submarine)
Glicídeo, monossacarídeo
Proteína, aminoácido
Acido nucléico, nucleotídeo
Lipídeo, acido graxo e glicerol
Vitaminas, águas e sais
Não fazem digestão, não fazem digestão (bis)


190- Paródia de biologia - Vitaminas - Ritmo :"marchinha de carnaval"

Questões sobre as vitaminas
e as doenças causadas pela carência das mesmas
Sem vitamina C
O escorbuto pega você
E o raquitismo acontece porque?
Falta vitamina D
Quando há cegueira noturna
falta vitamina A
Quando há uma hemorragia
falta vitamina K
Sem vitamina E
o rato não vai ter nenê
E o beri-beri acontece porque
falta vitamina B1!


191- Paródia de matemática -  O Cálculo do M.M.C

Eu vou aprender, eu vou aprender,
como calcular o m.m.c

Mínimo Múltiplo Comum é muito fácil aprender.
É só você seguir o que eu vou te dizer
Peque os números dados pelo professor
Porque em fatores primos nós temos que decompor.

Toda decomposição começa para 2
E se não der mais eu passo para 3
E se não der mais eu passo para 5
Só não posso esquecer só vale fatores primos

E quando terminar a decomposição
Tenho que fazer a multiplicação
Dos fatores primos que eu encontrei
O produto dos priminhos é o m.m.c


192- Paródia de biologia - Planeta Azul  (Chitãozinho e Xororó)

A vida e a natureza  sempre a mercê da poluição
Se inverte as estações do ano
Faz calor no inverno e frio no verão
Os peixes morrendo nos rios
Estão se extinguindo espécies animais
E tudo que planta colhe
O tempo retribui o mal que a gente faz

Onde a chuva caía quase todo dia
Já não chove nada, o sol abrasador
Rachando o leito dos rios secos
Sem um pingo de água
Quanto ao futuro inseguro será assim de norte a sul
A terra nua semelhante a lua
O que será desse planeta azul
O que será desse planeta azul

O rio que desce as encostas
Já quase sem vida parece que chora
Num triste lamento das águas
Ver devastada a fauna e flora
É tempo de pensar no verde
Regar a semente que ainda não nasceu
Deixar em paz a Amazônia
Preservar a vida
Estar bem com Deus.


193- Paródia de biologia - A natureza

A Natureza pede passagem
E muito respeito}BIS         
Não respeitando a Natureza
Não tem nada feito } BIS


Criado por ela o céu e o mar
E todos Elementos
Que existem por lá
Respeitando a Natureza
Só iremos lucrar[ BIS

As Florestas
Também vem aqui falar
Por que não devemos desmatar
Por que sem Florestas
Os Rios vão secar
E sem energia
Iremos ficar.
ESTRIBILHO

As águas da TERRA
Chama-se HIDROSFERA.
A camada sólida LITOSFERA
A camada de ar
Chama-se ATMOSFERA
Vegetais e animais
Vivem na BIOSFERA


194- O cio da terra  (Milton Nascimento/Chico Buarque)

Debulhar o trigo
Recolher cada bago do trigo
Forjar no trigo o milagre do pão
E se fartar de pão
Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana a doçura do mel
Se lambuzar de mel
Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra propícia estação
E fecundar o chão


195- Planeta azul – Chitãozinho e Xororó

A vida e a natureza
Sempre à mercê da poluição
Se invertem as estações do ano
Faz calor no inverno
E frio no verão
Os peixes morrendo nos rios,
Estão se extinguindo espécies animais
E tudo o que se planta, colhe,
O tempo retribui o mal que a gente faz
Onde a chuva caía quase todo dia
Já não chove nada
O sol abrasador rachando
O leito dos rios secos,
Sem um pingo d'água
Quanto ao futuro inseguro
Será assim de norte a sul:
A Terra nua semelhante à Lua
O que será desse Planeta Azul?
O que será desse Planeta Azul?
O rio que desce as encostas
Já quase sem vida parece que chora,
Num triste lamento das águas
Ao ver devastada a fauna e a flora
É tempo de pensar no verde,
Regar a semente que ainda não nasceu,
Deixar em paz a Amazônia,
Preservar a vida,
Estar de bem com Deus


Atividade:

1. Proponha aos alunos a observação e análise de águas de origens diferentes (rio, manancial, lago etc). Para tanto, utilize critérios como:
a) lixo flutuante ou acumulado nas margens
. nenhum lixo (boa qualidade)
. pouco lixo ou apenas árvores, folhas, aguapés (qualidade média )
. muito lixo (água poluída)
b) peixes
. muitos (boa qualidade)
. poucos, raros (qualidade média)
. nenhum ou só guarus (água poluída)
c) material sedimentado
. ausência, não é possível medir (boa qualidade)
. baixa quantidade, menos de três milímetros (qualidade média)
. alta quantidade, mais de três milímetros (água poluída)
Obs.: utilize um copo cheio de água para essa experiência.
d) cheiro
. nenhum (boa qualidade)
. fraco, de mofo ou capim (qualidade média)
. fétido ou cheiro de ovo podre (água poluída)
2. Os alunos podem pesquisar cartas e fotos de satélites que mostrem a poluição das águas no globo terrestre e a concentração de clorofila na camada superficial das águas, determinando as condições de vida dos seres marinhos. Para informações sobre cartas e fotos de satélites.

3. Solicite aos alunos que construam uma linha do tempo que mostre a evolução das sociedades relacionada à tecnologia do manejo e utilização da água, destacando aspectos como culturas agrícolas irrigadas, água encanada, esgoto, água tratada, construção da roda d'água, construção de hidrelétricas.

4. Proponha uma pesquisa sobre invenções de máquinas movidas a água e sua importância; a partir dessa pesquisa, sugira a elaboração de desenhos, pinturas, maquetes, protótipos relativos ao tema.

5. Divida a classe em grupos e oriente para que cada grupo estude um ecossistema aquático brasileiro. Sugere-se que o estudo aprofunde os aspectos:
a) características gerais e capacidade de adaptação dos seres vivos que compõem o ecossistema;
b) cadeia alimentar dos seres vivos aquáticos;
c) ação do homem nesses ecossistemas.

6. Desenvolva, no início do semestre, a seguinte atividade:
a) solicite que os alunos tragam cópias das contas de água de suas residências, para uma explicação sobre os campos onde estão registrados o volume de água consumida, o período, o valor;
b) realize um trabalho de conscientização sobre a importância da água para a preservação da vida. Esse trabalho pode ser iniciado com a leitura de um texto ou com a apresentação de um vídeo da série 'Água na Boca.
c) faça um levantamento e registro de sugestões dos alunos para evitar o desperdício de água;
d) estimule, através da confecção de cartazes e elaboração de textos, o combate ao desperdício da água na escola e nas residências;
e) promova um concurso: vencerá o aluno cuja família demonstrar que soube economizar mais água num período determinado. No decorrer desse período, os alunos levarão à escola as contas de água e farão comparações de gastos e custos, para checar se a campanha surtiu o efeito desejado e para acompanhar a evolução do concurso.

7. Solicite um estudo sobre "sociedades sustentáveis" no aspecto referente à preservação da água e promova as seguintes atividades:
a) debate: divida a classe em duas alas, sendo que uma defenderá a "sociedade sustentável" e a outra fará a oposição;
b) providencie o registro das idéias favoráveis e desfavoráveis para posterior reflexão e elaboração de um relatório final.

8. Após localizar num mapa de onde vem a água que abastece a cidade, os alunos deverão mostrar, com desenhos, o caminho da água até chegar às casas, e a sua saída, já como esgoto.

9. Oriente os alunos a realizar em grupo o planejamento e construção da maquete de uma casa colocando hidrômetro, canos, caixas d'água, torneiras, chuveiros, vasos sanitários e ralos. Durante a construção da maquete, discuta com os alunos o caminho da água dentro das nossas casas e enfatize a origem e o local de tratamento dessa água.

10. Promova um estudo do meio com a realização das seguintes atividades:
a) visita a uma estação de tratamento de água, em que um técnico explique aos alunos os processos de decantação e filtração e qual o papel das algas no processo de purificação da água;
b) a partir dessa visita, proponha aos alunos a elaboração de um relatório ilustrado sobre as fases de tratamento da água;
c) peça aos alunos que expliquem quais as conseqüências do aumento e da diminuição da quantidade de algas nas águas.

11. Visite uma estação de tratamento de esgotos e chame a atenção dos alunos para as medidas obrigatórias de segurança e higiene adotadas (vestimentas adequadas dos trabalhadores, calçados, máscaras, sinalizações etc.). Solicite a um técnico da estação que faça uma exposição oral a fim de mostrar a relação entre consumo de água e produção de esgoto, entre quantidade de lixo e poluição da água. Em sala de aula, promova um debate e reflexão sobre a importância de não se jogar o lixo e o esgoto em lugares inadequados.

12. Solicite aos alunos que façam um estudo sobre as causas de poluição das águas (como agrotóxicos, esgotos, detritos industriais etc.) e suas conseqüências para a vida na Terra.

13. Peça uma pesquisa sobre o que os governos estão fazendo pela preservação de mananciais e como ONGs - organizações não governamentais - colaboram com esse trabalho.

14. Proponha aos alunos que procurem em jornais e revistas matérias sobre a situação da água nas grandes cidades e montem dois murais: um que mostre matérias com informações positivas sobre essa situação e outro que mostre matérias com informações negativas.
O professor pode orientar os alunos para uma reflexão sobre esse assunto.

15. Solicite aos alunos a observação de uma localidade de sua cidade: sua casa, a rua onde mora, uma área de lazer, o percurso que faz até a escola, registrando qualquer sinal de desperdício ou poluição das águas. Na sequencia, realize as seguintes atividades:
a) estabeleça uma discussão em sala de aula e indique um aluno para registrar todas as conclusões dos participantes;
b) defina como trabalho individual o que cada um pode assumir para melhorar a situação observada;
c) estabeleça como trabalho individual o que cada um sugere para que a comunidade resolva ou amenize os problemas constatados;
d) o professor poderá apresentar aos alunos a síntese final das sugestões.

16. Sugira a elaboração de um jornal ecológico, no qual os alunos expressem, por meio de pequenas reportagens, denúncias de agressões à natureza e divulgação de campanhas de preservação e uso adequado da água potável. É importante que os alunos, orientados por professores, tenham a liberdade de se expressar utilizando sua própria linguagem.

Algumas sugestões de como fazer:
a) discussão das possíveis seções do jornal;
b) definição dos temas ecológicos das matérias principais;
c) visita aos locais das reportagens para uma melhor coleta de informações e para verificar a possibilidade de obter fotos que ilustrarão a reportagem;
d) elaboração de textos individuais e coletivos, posteriores à discussão em grupo;
e) entrevistas com pessoas relacionadas com os temas escolhidos;
f) fechamento e digitação das matérias;
g) distribuição das matérias e fotos nas páginas do jornal (diagramação);
h) elaboração das legendas e manchetes;
i) distribuição na escola e na comunidade.


196- PLANETA ÁGUA  -  (Guilherme Arantes)

Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre o profundo grotão
Água que faz inocente riacho
E deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população
Águas que caem das pedras
No véu das cascatas, ronco de trovão,
E depois dormem tranquilas
No leito dos lagos, no leito dos lagos
Água dos igarapés, onde Iara
Mãe d'Água, é misteriosa canção
Água que o sol evapora,
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão
Gotas de água da chuva,
Alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes,
São lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra, Planeta Água
Terra, Planeta Água
Terra, Planeta Água


197-  Música: Sobradinho (Sá e Guarabyra)

O homem chega, já disfaz a natureza
Tira gente, põe represa, diz que tudo vai mudar
O São Francisco lá pra cima da Bahia
Diz que dia menos dia vai sumir bem devagar
E passo a passo vai cumprindo a professia do beato
que dizia que o Sertão ia alagar

O sertão vai virar mar, dá no coração
O medo que algum o mar também vire sertão

Adeus remanso, casa nova, sento-sé
Adeus pilão arcado vem o rio te engolir
Debaixo d'água lá se vai a vida inteira
Por cima da cachoeira o gaiola vai, vai subir
Vai ter barragem no salto do Sobradinho
O povo vai-se embora com medo de se afogar.


198- Música: O Rio (Chitãozinho e Xororó)

O rio vai descendo a serra
Vai molhando a terra
Seca do sertão
Vai formando uma corrente
Feito uma serpente
Solta pelo chão
E a água do seu leito
É leite do peito da mãe plantação
Que vai eliminar a fome
E matar a sede de toda a nação

O rio vai criando filhos
Vai regando o milho, arroz e feijão
Vai seguindo seu caminho
Segue seu destino, sua direção
Depois que vem a colheita
O rio sempre aceita dos canaviais
O bagaço do alimento e a sobra de tudo
Que ninguém quer mais

Rio que não tem carinho
Qualquer dia desses vão te dar valor
Nasce limpo e morre sujo
Envenenam tudo, até o próprio amor
Será que eles não percebem
Que a natureza pede pra viver
Enquanto vai morrendo o rio
Nada em sua volta poderá nascer.

Atividade com as músicas Sobradinho e O rio:

Sugerimos quatro letras que abordam diferentes ecossistemas. Por meio dessas canções, o professor poderá explorar a compreensão do conceito de ecossistema, que em geral, acarreta dúvida nos alunos, bem como trabalhar com os tipos de ecossistemas (florestas, mares, rios, lagos, jardins e outros). As letras sugeridas despertam no aluno a sensibilidade para a preservação, bem como facilita a compreensão de conceitos.
1º momento:
Exposição dialogada e apresentação de imagens com figuras
que possibilite problematizar a temática e facilitar a compreensão dos conceitos de
ecossistema e seus níveis de organização.
Após a exposição e compreensão dos conceitos básicos para estudar um
ecossistema, o professor disponibilizará a música “Sobradinho”, a fim de ser ouvida
e interpretada pelos alunos. Para melhor compreensão das características do sertão
e do mar, sugerimos que o professor utilize imagens na TV pendrive.
Música I: Sobradinho
- Podemos considerar o sertão um ecossistema? Por quê?
- Quais os fatores físicos e químicos presentes no sertão e no mar?
- O que o compositor quer dizer com o trecho abaixo:
“[...] o sertão vai virar mar
Dá no coração
O medo que algum dia
o mar também vire sertão[...]”.
É importante lembrar que as letras das músicas devem ser fornecidas para os
alunos, realizando, paralelamente, provocações, que levem o aluno ao
estabelecimento de ligações entre as músicas apresentadas e o conteúdo.
Música II: O Rio
- Por que os rios são considerados ecossistemas?
- Qual a importância dos rios para os seres vivos relatados na música?
- Comente a frase: “Enquanto vai morrendo o rio, nada em sua volta poderá nascer”.
2º momento:
Apresentar para a classe as gravações das músicas e estimular os
estudantes a aprender a cantá-las, para que fixem melhor alguns conceitos trazidos por elas para serem discutidos.
Separar a classe em pequenos grupos, a fim de envolvê-los em atividades
que despertem seus talentos, tais como: representação da música através de
desenho, pintura, encenações teatrais, bem como incentivar àqueles que tocam
algum tipo de instrumento musical para apresentar a música original e/ou outras
melodias.
3º momento:
Orientar para que cada grupo pesquise informações em livros didáticos e/ou
na internet sobre a biodiversidade encontrada nos ecossistemas do Brasil (Florestas e matas, Cerrado, Caatinga, Pampas e banhados, Pantanal e Manguezais).
Objetivos do trabalho:
- Conhecer o ecossistema e suas características;
- Identificar as plantas e animais que simbolizam este ecossistema;
- Realizar um estudo geral sobre a degradação ambiental deste ecossistema;
Encaminhamento para realização do trabalho:
I PARTE: INTRODUÇÃO
- Escrever um texto sobre a importância da biodiversidade e preservação das
espécies com base nos textos de apoio fornecidos pelo professor.
- Encerrar o texto com informações importantes sobre o bioma pesquisado.
II PARTE: DESENVOLVIMENTO
a- Relacione as espécies animais e vegetais existentes neste ecossistema e as
espécies extintas e ameaçadas de extinção.
b- Elenque as formas de degradação da biodiversidade que ocorreram e
ocorrem neste ecossistema.
c- Sugira ações para a conservação e aumento da biodiversidade neste
ecossistema.
CONSTRUÇÃO DE UM CARTAZ:
a- Selecionem imagens (gravuras, fotos, desenhos) de animais ou de vegetais
do ecossistema.
b- Faça o desenho do contorno de um dos animais ou dos vegetais
selecionados.
c- Preencha o desenho com as imagens selecionadas, formando um mosaico.
d- Pesquisem quais desses animais ou plantas já foram extintos ou correm o
risco de serem extintos e destaque sua imagem no mosaico.
Formato do cartaz: Deve ser feito em uma cartolina.
III PARTE: CONCLUSÃO
Escrever um pequeno texto expressando os conhecimentos adquiridos por
você no decorrer da pesquisa.
4º momento:
Desafiar os grupos a sintetizar os conhecimentos elaborados por meio da
composição de uma paródia referente ao ecossistema que pesquisou para posterior
apresentação em sala.


199- Cadeia Alimentar -   SuperQuase
Rafael Castro de Oliveira da Silva.

O leão capturado
Se aposenta ao picadeiro.
Tubarão mal-encarado
Morto pelo marinheiro.

E a baleia tão pacata
Vira um creme facial.
Todo dia tem barata
Esmagada num quintal.

Nós estamos lá no topo
Da cadeia alimentar
Acabando com os bichos
Incapazes de pensar
Nós estamos lá no topo
Incapazes de pensar
Acabando com os bichos
Da cadeia alimentar

Jacaré tão bem cotado,
Vai dar num par de sapatos.
O boizinho fatiado
Cabe agora em nossos pratos.

E p'ra evitar a choradeira
Foi usada toda astúcia
Transformando a fauna inteira
Em bichinhos de pelúcia.


200- Cadeia alimentar- letra de música da peça Bicho homem
ALLAN SALES

O capim nasce da terra
Tão viçoso tão verdinho
Tem no solo minerais
Que alimentam ele todinho
Depois vira um alimento
Vem os bichos no momento
Comem o capim no caminho

Um alegre veadinho
Vem ali para pastar
Aparece é um leão
Com uma fome de matar
O leão vem e detona
É assim que funciona
A cadeia alimentar

E depois de devorar
Abandona essa caraça
Depois surgem as hienas
Comer o resto da caça
E também os urubus
Comem até os tapurus
Até que sua fome passa

Excrementos que se faça
A carniça e tudo mais
Volta tudo para a terra
Pra virar os minerais
Assim tudo recomeça
Natureza não tem pressa
Animais e vegetais
É assim que a vida faz
Acabei de lhe mostrar
Natureza se equilibra
Se o homem não perturbar
Natureza tão lindona
É assim que funciona
A cadeia alimentar.


Desenvolvimento:

1° momento:
Aula expositiva dialogada com para problematização e apresentação dos níveis tróficos da cadeia alimentar.
2° momento:
Leitura e interpretação das letras das músicas.
- Faça uma relação de todos os seres vivos que aparecem na letra da música.
- Quais seres vivos apresentados na música representam os produtores? E os
consumidores?
- De que forma as plantas mantêm a vida? E os animais? E você?
- As plantas necessitam apenas dos minerais encontrados no solo para produzir seu
próprio alimento?
- Qual é a fonte primária de energia das cadeias alimentares?
- Identifique a estrofe da música em que sugere a função dos decompositores.
- Represente por meio de desenhos cada estrofe da música analisada.
- Elabore uma cadeia alimentar com os organismos apresentados na letra da música
indicando o fluxo de energia por meio de setas.
- Solicitar a elaboração de uma nova melodia para a letra da música trabalhada.
3° momento:
Análise crítica da letra da música Cadeia alimentar de Rafael Castro de
Oliveira da Silva.
- Quem é o grande vilão apresentado na música?
- Identifique na letra da música, os trechos que apresenta a transformação de
recursos naturais em produtos de consumo.
- Você concorda com o compositor, quando escreve que o homem está no topo da
cadeia alimentar? Por quê?
- Comente sobre o seguinte trecho da música:
[...] Nós estamos lá no topo  Incapazes de pensar
Acabando com os bichos Da cadeia alimentar”.
- Solicitar a elaboração de uma nova melodia para a letra da música trabalhada.
4° momento
Sugira a elaboração de um jornal ecológico, no qual os alunos expressem, por
meio de pequenas reportagens, denúncias de agressões à natureza e divulgação de
campanhas de preservação da mesma.
5° momento
A partir de palavras que remetem aos conhecimentos trabalhados, tais como
florestas, rios, água, solo, nomes de animais, plantas, até mesmo o nome dos
ecossistemas, entre outros termos, solicitar que grupos compostos por quatro alunos
apresentem um trecho de uma música onde a palavra apareça. Trata-se de uma
analogia da brincadeira intitulada “Qual é música?”.
6º momento:
Envolver os alunos na montagem de mapas conceituais, utilizando-se de
conceitos obtidos através das aulas e pesquisas (como sugestão, o professor pode
dar os mapas montados contendo apenas os conceitos e pedir que coloquem as
palavras de ligação ou vice versa).


201- Como diria Bob Dylan -  Zé Geraldo 

Ei você que tem de 8 a 80 anos
Não fique aí perdido como ave sem destino
O que importa é a ousadia de seus planos
Eles podem vir da vivência de um ancião
Ou da inocência de um menino
O importante é você crer na juventude
Que existe dentro de você.

MEU AMIGO, MEU COMPADRE,
MEU IRMÃO
ESCREVA SUA HISTÓRIA
PELAS SUAS PRÓPRIAS MÃOS.

Nunca deixe se levar por falsos líderes
Todos eles se intitulam porta-vozes da razão
O que importa o seu tráfico de influências
Pois os compromissos assumidos
Quase sempre ganham subdimensão
O importante é você ver o grande líder
Que existe dentro de você

MEU AMIGO ...

Não se deixe intimidar pela violência
O poder da sua mente é toda sua fortaleza
O que importa esse aparato bélico universal
Toda força bruta representa nada mais
Do que um sintoma de fraqueza
O importante é você crer nessa força incrível
Que existe dentro de você.


 202-  Ópera do malandro  -  Chico Buarque

O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé

O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português

O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor

Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis

O usineiro/Nessa luta
Grita (ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil

Nosso banco/Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assustador

Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber

A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil

O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador

Este chega/Pro galego
Nega arreglo/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?

O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçon

O garçon vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado
Pela situação

 Para conversar:

De um lado, encontram-se os pequenos malandros. São eles as vítimas dos grandes malandros, assentados nos centros do poder. A letra de Chico descreve o processo de exploração em toda a cadeia socio-econômico-produtiva. Menciona primeiro um pequeno malandro, caloteiro, demasiado pobre para pagar sua cachaça. Sucessivamente, o texto cita outros personagens, presentes numa cadeia ascendente de malandragem: o produtor da bebida, o usineiro, os intermediários – botequineiro, distribuidor – até chegar aos exportadores e eventuais importadores. No hemisfério norte, são estes os grandes malandros, os exploradores, que controlam o mercado internacional e barram o produto brasileiro.
     A partir daí, a letra narra a reversão da série de golpes que compõem a cadeia da exploração. Refazendo, em sentido inverso, o caminho percorrido, o texto repassa os elos anteriores: banqueiros, exportadores, usineiros, portuários, botequineiro – até a parte mais fraca da corrente, o malandro caloteiro. Ele e o garçom, modesto assalariado, são os únicos penalizados. Para os demais, vale a impunidade.
O clímax do processo narrativo, assinalado pela referência da letra à chegada da cachaça ao mercado internacional, coincide com o clímax musical: nesse ponto, crescem gradativamente o volume e o número das vozes. Verifica-se o mesmo entrelaçamento entre textualidade e musicalidade quando a letra faz referência à volta da cachaça a seu ponto de origem, repassando, em sentido inverso, os elos da cadeia de exploração. 


203- A violeira, de Tom Jobim e Chico Buarque

Desde menina
Caprichosa e nordestina
Que eu sabia, a minha sina
Era no Rio vir morar
Em Araripe
Topei como chofer dum jipe
Que descia pra Sergipe
Pro Serviço Militar

Esse maluco
Me largou em Pernambuco
Quando um cara de trabuco
Me pediu pra namorar
Mais adiante
Num estado interessante
Um caixeiro viajante
Me levou pra Macapá

Uma cigana revelou que a minha sorte
Era ficar naquele Norte
E eu não queria acreditar
Juntei os trapos com um velho marinheiro
Viajei no seu cargueiro
Que encalhou no Ceará

Voltei pro Crato
E fui fazer artesanato
De barro bom e barato
Pra mó de economizar
Eu era um broto
E também fiz muito garoto
Um mais bem feito que o outro
Eles só faltam falar

Juntei a prole e me atirei no São Francisco
Enfrentei raio, corisco
Correnteza e coisa-má
Inda arrumei com um artista em Pirapora
Mais um filho e vim-me embora
Cá no Rio vim parar

Ver Ipanema
Foi que nem beber jurema
Que cenário de cinema
Que poema à beira-mar
E não tem tira
Nem doutor, nem ziguizira
Quero ver que é que tira
Nós aqui desse lugar

Será verdade
Que eu cheguei nessa cidade
Pra primeira autoridade
Resolver me escorraçar
Com tralha inteira
Remontar a Mantiqueira
Até chegar na corredeira
O São Francisco me levar

Me distrair
Nos braços de um barqueiro sonso
Despencar na Paulo Afonso
No oceano me afogar
Perder os filhos
Em Fernando de Noronha
E voltar morta de vergonha
Pro sertão de Quixadá

Tem cabimento
Depois de tanto tormento
Me casar com algum sargento
E todo sonho desmanchar
Não tem carranca
Nem trator, nem alavanca
Quero ver que é que arranca
Nós aqui desse lugar

Para conversar:

A violeira trata do êxodo rural, da migração de nordestinos sertanejos que não podem mais esperar pelo fim da seca e saem, às vezes, sem rumo pelo país. Pegue um mapa do Brasil e peça para os alunos localizarem a rota que a personagem faz para chegar ao Rio de Janeiro.


204- Borandá (Edu Lobo)

Vam' borandá
Que a terra já secou, borandá
É, borandá,
Que a chuva não chegou, borandá
Já fiz mais de mil promessas
Rezei tanta oração
Deve ser que eu rezo baixo
Pois meu Deus não ouve não
Deve ser que eu rezo baixo
Pois meu Deus não ouve não
Vou me embora, vou chorando
Vou me lembrando do meu lugar
É, borandá
Que a terra já secou, borandá
É, borandá,
Que a chuva não chegou, borandá
Quanto mais eu vou pra longe
Mais eu penso sem parar
Que é melhor partir lembrando
Que ver tudo piorar
Que é melhor partir lembrando
Que ver tudo piorar


205- A volta da asa branca (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)

Já faz três noites
Que pro norte relampeia
A asa branca
Ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas
E voltou pro meu sertão
Ai, ai eu vou me embora
Vou cuidar da prantação

A seca fez eu desertar da minha terra
Mas felizmente Deus agora se alembrou
De mandar chuva
Pr'esse sertão sofredor
Sertão das muié séria
Dos homes trabaiador

Rios correndo
As cachoeira tão zoando
Terra moiada
Mato verde, que riqueza
E a asa branca
Tarde canta, que beleza
Ai, ai, o povo alegre
Mais alegre a natureza

Sentindo a chuva
Eu me arrescordo de Rosinha
A linda flor
Do meu sertão pernambucano
E se a safra
Não atrapaiá meus pranos
Que que há, o seu vigário
Vou casar no fim do ano.


206- Erosão -  Luiz Gonzaga

Ainda hei de ver um dia
A minha terra sem a praga da erosão

Ai! Quem me dera se eu pudesse
Se Deus me desse uma atenção
E ajustasse todo o povo
No mutirão para acabar com a erosão
Ainda hei de ver um dia
De novo o verde
Se espalhar no meu sertão

A erosão parece uma serpente
Rachando a terra, devorando o chão
E a riqueza que era da gente
Vai toda embora com a erosão
Por isso, agora estou aqui cantando
Chamando o povo pra esse mutirão
Vamos minha gente, salvar nossa terra
Das rachaduras da erosão

No meu pedacinho de chão
Não tem perigo de erosão

Eu aprendí o jeito certo
De proteger a terra e a minha plantação
Ai, minha gente, que fartura
Tanta riqueza se espalhando pelo chão
É macaxeira, girimum caboclo
Batata- doce, melancia e melão
Feijão de corda se enroscando em tudo
Dá gosto de ver minha plantação
Lá no açude, a água tão limpinha
Espelha o verde e a criação
É tão bonito este meu pé-de-serra
Com a terra livre da erosão (bis)


207- Comício do mato Luiz Gonzaga

Falado: Atenção pessoal, muita atenção. Vai usar da palavra, o maior o candidato do sertão: João Cotó! É o maior!
. Uh! Uh! Trabalhadores do sertão! Eu vos prometo casa, comida, e baião. Linforme novo, blusa de brim, chapéu e uma cadeira cativa no céu, tá bom!
. Tá...
. Então haja animação!

Meu patrão eu voto
Eu sou inleitor
Meu patrão eu voto
Voto no senhor } bis

Eu voto por muito pouco
Digo agora pro senhor
Grito inté ficar rouco
Já ganhou, já ganhou
Quero roupa, quero sapato

Paletó lascado atrás
Camisa fina de fato
Tarei pedindo demais?
Tarei? Tô não

Meu voto num vale tanto
Mas é todo do senhor
E com ele ei lhe garanto
Já ganhou! Já ganhou!
Mas parece que há um quê
É as leis inleitorá
Quandonão conhece o abc
Será que pode votá?

Porque se puder
Porque se puder
Aí meu patrão
Se puder, atolo pé
E voto meu patrão } bis
Eu voto


208- Procissão – Gilberto Gil

Olha lá vai passando a procissão
Se arrastando que nem cobra pelo chão
As pessoas que nela vão passando acreditam nas coisas lá do céu
As mulheres cantando tiram versos, os homens escutando tiram
chapéu
Eles vivem penando aqui na Terra
Esperando o que Jesus prometeu
E Jesus prometeu coisa melhor
Prá quem vive nesse mundo sem amor
Só depois de entregar o corpo ao chão, só depois de morrer neste
sertão
Eu também tô do lado de Jesus, só que acho que ele se esqueceu
De dizer que na Terra a gente tem
De arranjar um jeitinho prá viver
Muita gente se arvora a ser Deus e promete tanta coisa pro
sertão
Que vai dar um vestido prá Maria, e promete um roçado pro João
Entra ano, sai ano, e nada vem, meu sertão continua ao Deus
dará
Mas se existe Jesus no firmamento, cá na Terra isso tem que se
acabar


209- O assentamento – Chico Buarque

Quando eu morrer, que me enterrem na
beira do chapadão
- contente com minha terra
cansado de tanta guerra
crescido de coração
Tôo
(apud Guimarães Rosa)

Zanza daqui
Zanza pra acolá
Fim de feira, periferia afora
A cidade não mora mais em mim
Francisco, Serafim
Vamos embora

Ver o capim
Ver o baobá
Vamos ver a campina quando flora
A piracema, rios contravim
Binho, Bel, Bia, Quim
Vamos embora

Quando eu morrer
Cansado de guerra
Morro de bem
Com a minha terra:
Cana, caqui
Inhame, abóbora
Onde só vento se semeava outrora
Amplidão, nação, sertão sem fim
Ó Manuel, Miguilim
Vamos embora


210- Vozes da seca
Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1953

Seu dotô os nordestino
Têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista
Nessa seca do sertão
Mas dotô uma esmola
A um home qui é são
Ou lhe mata de vergonha
Ou vicia o cidadão
É por isso que pidimo
Proteção a vosmicê
Home pur nóis escuído
Para as rédia do poder
Pois dotô dos vinte estado
Temos oito sem chover
Veja bem, quase a metade
Do Brasil tá sem comer
Dê serviço a nosso povo
Encha os rio e barrages
Dê comida a preço bom
Não esqueça a açudage
Livre assim nóis da esmola
Que no fim dessa estiage
Lhe pagamo inté os juros
Sem gastar nossa corage
Se o doutô fizer assim
Salva o povo do sertão
Se um dia a chuva vim
Que riqueza pra nação
Nunca mais nós pensa em seca
Vai dar tudo nesse chão
Cúmu vê, nosso destino
Mecê tem na vossa mão

Para conversar:

É fato histórico. 1953: uma das maiores secas jamais ocorridas no nordeste brasileiro sob o governo de Getúlio Vargas, que decreta ajuda imediata e emergencial do governo federal ao povo sertanejo. O que é glosado imediatamente por Luiz Gonzaga neste memorável baião gravado no mesmo ano.
Exemplo oportuno de que, mesmo sendo um conceito de difícil apreensão por classes sociais mais abastadas, é justamente um artista popular o que vai definir com exatidão o conceito de plena cidadania, onde estabelece uma relação de contrato com o governante, autônoma e independente, e para além do conformismo passivo do assistencialismo demagógico.


211- Paródia de biologia - Pescando lipídeos
(música original - Pescaria (Bruno e Marrone)

Os compostos que são formados
 pela união de alcoóis com ácidos,
possuem muitos carbonos
 e são chamados de ácidos graxos
Estão presentes nas células,
nos hormônios e vitaminas, gema de ovo,
óleo é manteiga, abacate e coco.
São insolúveis em água
e solúveis em solventes orgânicos,
 atuam na adaptação de animais em regiões frias,
 reserva de energia é dos lipídeos
 que estou falando,
 são divididos em grupos que agora vamos citar:
Tem os glicerídeos – óleos e gorduras,
são formados por álcool
que é glicerol e ácidos graxos
Os cerídeos – Conhecidos por ceras,
álcool de longa cadeia
que está ligado a ácidos graxos
Fosfolipídeos – Membrana das células,
ácido fosfórico, ácido graxo e nitrogênio
Esteróides – De cadeia fechada,
hormônios sexuais,
corticosteróide e colesterol


212- Paródia de biologia - As Cinco Enzimas que o Substrato Gosta
(música original - Os cinco bichos que a mulher mais gosta - Amazan)

Vamos estudar agora as funções das enzimas,
proteínas importantes do nosso metabolismo – Refrão

 Sua atividade depende da sua forma
e do substrato que será transformado
 A pepsina, enzima do suco gástrico
catalisa a reação acelerando a digestão
A amilase atua no amido, lípase na gordura,
sacarase na sacarose
A maltase atua na maltose
e RNA se atua no RNA
Seu centro ativo cola no seu substrato
e forma enzima mais substrato,
o substrato sai todo transformado
e a enzima atua em outra reação

Refrão

Sua atividade depende de energia,
componente importante para a sua ativação
Tal componente vem na forma de calor, luz,
 eletricidade e outra forma de energia
A reação depende de fatores: temperatura,
 Ph, concentração do substrato,
tudo isso bem equilibrado
para haver sucesso no metabolismo


213- Paródia de biologia - Célula à dentro
(música original - Asa branca – Luiz Gonzaga)

Quando olhei a célula á dentro,
pra saber da secreção,
eu perguntei ei ao professor
será do golgi esta função
Inte mesmo a proteína,
 necessita proteção,
intonse eu disse ao professor
 ergastoplasma esta função (bis)
Quando o verde das tuas folhas r
eceber iluminação,
eu te asseguro é fotossíntese,
 é dos plastos esta função (bis) 
Quando olhei a célula à dentro
pra saber da digestão,
 eu perguntei ao professor
 é lisossomo esta função
Inté mesmo a mitocôndria
sabe fazer respiração,
Intonse se eu disse ao professor
é energia, liberação (bis)
Quando os cílios e flagelos
e o fuso na divisão,
eu te asseguro vire Rosinha.
 É do centríolo esta função (bis)


214- Paródia de biologia - Ô Platelmintos
(música original – Ana Júlia – Los Hermanos)

Para os platelmintos é sempre bom saber
Achatados eles são com o dorso e ventre
Turbelários vivem por aí,
água doce, solo e mar
e os cestóides o intestino querem habitar
Porque são parasitas/
coisa mais esquisita/ dentro do meu corpo...oh! não!!!
Ô turbelária, ô trematoda, ô cestoda
Sei que vocês doenças podem causar,
mas se estudar vou saber me cuidar...

215- Ideologia  - Cazuza

Meu partido, é um coração partido
E as ilusões, estão todas perdidas
Os meus sonhos, foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito, ah, eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia, eu quero uma pra viver

O meu prazer, agora é risco de vida
Meu sex and drugs, não tem nenhum rock´n´roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem sou eu
Ah, saber quem eu sou

Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo
Agora assiste a tudo em cima do muro, em cima do muro

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia, eu quero uma pra viver
Ideologia, pra viver

Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo
Agora assiste a tudo em cima do muro, em cima do muro

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia, eu quero uma pra viver.


216- Música Asa Branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira)

Quando "oiei" a terra ardendo
Qual a fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Eu perguntei a Deus do céu, ai
Por que tamanha judiação

Que braseiro, que fornaia
Nem um pé de "prantação"
Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Por farta d'água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
"Intonce" eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

"Intonce" eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Hoje longe, muitas légua
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar pro meu sertão

Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortar pro meu sertão

Quando o verde dos teus "óio"
Se "espaiar" na prantação
Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu vortarei, viu
Meu coração

Eu te asseguro não chore não, viu
Que eu vortarei, viu
Meu coração

Atividade:

Pegue um mapa do Brasil e, no chão da sala de aula, explique como são divididas as regiões do país. Pode introduzir as diferenças de clima e vegetação entre Sudeste e Nordeste, principalmente. Com uma caneta apropriada para mapas, refaça o percurso de Luiz Gonzaga para chegar ao Rio de Janeiro. Comente como eram as estradas e os meios de transporte na primeira metade do século XX e explique o que é pau-de-arara.
Mostre aos estudantes onde, na música, está a linguagem do sertanejo e explique por que o autor usa essas expressões regionais como recurso poético. Coloque todas as palavras no quadro e peça que os alunos as escrevam na norma culta. Repita o mesmo procedimento com as metáforas presentes na música.
O tema sertão poderá também ser trabalhado. Explique o problema da seca do Nordeste e suas consequências sociais, como a morte por subnutrição e a grande migração para o centro-sul do país. Mostre imagens e pergunte aos seus alunos se eles conhecem pessoas que saíram do Nordeste à procura de uma vida melhor em outras regiões do país.
Promova uma discussão para a realidade atual nordestina com as temáticas:
1- O aumento do turismo na região, o forró que se ouve em todas as regiões do país, a questão da seca, da degradação do meio ambiente e da fome na região. Lembre aos educandos que Luiz Gonzaga faz parte de todo esse universo.
2- A luta da família Gonzaga para sobreviver no sertão; a infância difícil de Luiz Gonzaga; o despertar para a música; a primeira sanfona; a fuga em busca de uma vida melhor.
3. Guimarães Rosa escreveu: “O sertão está dentro da gente”. (A partir dessa frase, comente como o artista sertanejo, de modo geral, não só o músico, leva o sertão para os outros artistas.)
Dramatização:
Pode-se abordar o lado triste do sertão e do sertanejo. A fome, a sede, o abandono da família, a luta pela terra, a degradação do meio ambiente (queimadas, lixões, erosão) e o êxodo rural.


217- Música Baião de Dois (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira-1946)

Eu vou mostrar pra vocês
Como se dança o baião
E quem quiser aprender
É favor presta atenção

Morena chegue pra cá,
Bem junto ao meu coração
Agora é só me seguir
Pois eu vou dançar o baião

Eu já dancei, balancei,
Chamego, samba em Xerém
Mas o baião tem um quê,
Que as outras danças não têmT
Quem quiser só dizer,
Pois eu com satisfação
Vou dançar cantando o baião

Eu já cantei no Pará
Toquei sanfona em Belém
Cantei lá no Ceará
E sei o que me convém
Por isso quero afirmar
Com toda convicção
Que sou doido pelo baião

Para conversar:

O Baião é um ritmo popular do Nordeste,que é um dos ritmos que compõem o forró e suas ramificações. Quem divulgou o baião pelo Brasil foi Luiz Gonzaga, apresentando- o, com muito sucesso, nas estações de rádio e televisão de todo o país, gravando muitos discos, razão pela qual ficou conhecido como o “Rei do Baião”.
Sua origem remonta ao século XIX, no nordeste do país, mas faltam informações precisas para esse início. Segundo alguns, a palavra vem de "baiano". O baião veio do lundu e era dançado em roda; um dos presentes intimava os outros a dançar por meio de umbigadas e toques de castanholas. A popularização do ritmo se deu mesmo a partir da década de 40, com Luiz Gonzaga, pernambucano que veio para o Rio de Janeiro e gravou inúmeras músicas, que falavam do cotidiano nordestino. Esse tipo de baião cantado sofreu influências de outros ritmos, como o samba e a conga. Nos anos 70, Gil e Caetano com o tropicalismo e o interesse em resgatar os ritmos genuinamente brasileiros, deram nova força ao baião.
       O baião apresenta diferenças regionais e de época. Existe o baião de Pernambuco, que é o tradicional, tocado com sanfona, triângulo e zabumba, cujos maiores representantes são Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Já o baião de Fortaleza (grupo Mastruz com Leite) incorporou instrumentos mais modernos, como guitarra e bateria.

Atividade:

1-Pesquisar a carreira de Gonzagão no Rio de Janeiro: o ambiente de rádio; os artistas contemporâneos; o baião como fenômeno nacional. Importante que levar alguns exemplos artísticos, como a literatura de cordel, textos de Guimarães Rosa e, principalmente, as canções de Luiz Gonzaga.
2-Dramatizar que nem só de tristezas vive o sertão. O roteiro pode abordar as belezas da região, a arte, as festas etc.


218- Música Dezessete e setecentos (Luiz Gonzaga, Miguel Lima)

Eu lhe dei vinte mil réis pra pagar três e trezentos
Você tem que me voltar: dezesseis e setecentos
dezessete e setecentos
Dezesseis e setecentos
Mas se eu lhe dei vinte mil réis pra pagar três e trezentos você tem que me voltar
- Dezesseis e setecentos
Mas dezesseis e setecentos?
- Dezesseis e setecentos

- Por que dezesseis e setecentos?
Por que dezesseis e setecentos?
Mas se eu lhe dei vinte mil Réis pra pagar três e trezentos
Você tem que me voltar é...

Sou diplomado, frequentei a academia
- Dezesseis e setecentos?
Conheço geografia, sei até multiplicar
- Dezesseis e setecentos?
Dei vinte mango para pagar três e trezentos

Dezessete e setecentos você tem que me voltar
Mas eu lhe dei vinte mil réis pra pagar três e trezentos
- Dezesseis e setecentos
- Mas dezesseis e setecentos?
- Dezesseis e setecentos?
Se eu lhe dei vinte mil´Réis
pra pagar três e trezentos você tem que me voltar é...
-Dezesseis e setecentos
- Dezesseis e setecentos?
Você tem que voltar dezessete e setecentos
Eu acho bom você tirar os nove fora

Evitar que eu vá embora e deixe a conta sem pagar
Eu já lhe disse que essa droga tá errada
Vou buscar a tabuada e volta aqui pra lhe provar

Você tem que me voltar é....
Dezesseis e setecentos
Por que dezesseis e setecentos?
-Dezesseis e setecentos?
Não ´e dezessete e setecentos?

Atividade:

1- Essa canção poderá ser trabalhada na aula de Matemática. Coloque-a para os alunos ouvirem, de preferência com a gravação do próprio Luiz Gonzaga.
2- Depois, peça para os alunos identificarem as expressões matemáticas existentes na música. Esse é o momento de trabalhar as quatro operações matemáticas e fazer os alunos entenderem o motivo da confusão que o personagem faz na música.
3- Para terminar a atividade, proponha que um grupo faça um esquete utilizando os diálogos da canção.
Obs.: Esquete é uma cena curta que apresenta uma situação geralmente cômica, interpretada por um pequeno número de atores sem caracterização aprofundada. O número de atores de teatro ligeiro que interpretam uma personagem ou uma cena com base em um texto humorístico e satírico


219-Música ABC do sertão (Zé Dantas e Luiz Gonzaga)

Lá no meu sertão pros caboclo lê
Têm que aprender um outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê

O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê

Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê, O ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto "ê"
A, bê, cê, dê,
Fê, guê, lê, mê,
Nê, pê, quê, rê,
Tê, vê e zê

Lá no meu sertão pros caboclo lê
Têm que aprender outro ABC
O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê

O jota é ji, o éle é lê
O ésse é si, mas o érre
Tem nome de rê

Até o ypsilon lá é pissilone
O eme é mê, O ene é nê
O efe é fê, o gê chama-se guê
Na escola é engraçado ouvir-se tanto "ê"
A, bê, cê, dê,
Fê, guê, lê, mê,
Nê, pê, quê, rê,
Tê, vê e zê

A, bê, cê, dê,
Fê, guê, lê, mê,
Nê, pê, quê, rê,
Tê, vê e zê

Atenção que eu vou ensinar o ABC
A, bê, cê, dê, e
Fê, guê, agâ, i, ji,
ka, lê, mê, nê, o,
pê, quê, rê, ci
Tê, u, vê, xis, pissilone e zê

Atividade:

1- Independentemente da região do país em que estiver, trabalhe com a letra dessa canção e mostre a diferença das denominações entre o abecedário nordestino e o de outras regiões do país. Explique que não há jeito certo ou errado, apenas diferenças regionais.
2- Peça que os estudantes façam uma lista das expressões idiomáticas utilizadas nas canções ouvidas e comentem as diferenças com outras regiões do país e o que sabem sobre as expressões idiomáticas de sua região.


220- Xote ecológico – Aguinaldo Batista e Luiz Gonzaga

Não posso respirar
Não posso mais nadar
A terra está morrendo
Não dá mais pra plantar
Se plantar não nasce
Se nascer não dá
Até pinga da boa
É difícil de encontrar
Cadê a flor que estava aqui
Poluição comeu
O peixe que é do mar
Poluição comeu
O verde onde é que está
Poluição comeu
Nem o Chico Mendes Sobreviveu

Atividade 1:

1ª etapa
Após a apresentação da música, explorar o entendimento dos alunos. Exemplo:
-  Escreva o que é xote?
-  O que é meio ambiente?
-  Qual o significado de ecologia?
-  Complete a tabela abaixo com os possíveis agentes dos problemas apontados na música.
PROBLEMAS    AGENTES RESPONSÁVEIS
Não posso respirar    
Não posso mais nadar    
O verde onde é que está    
Nem o Chico Mendes sobreviveu    
-  Quem foi Chico Mendes?
-  Cite alguns problemas que as bebidas alcoólicas (pinga) podem apresentar em seus consumidores.
-  Quando e em que circunstância o álcool surgiu como combustível de automóveis?
-  Descreva os principais impactos que podem ser provocados pela monocultura voltada à produção de combustíveis (etanol e biodiesel).
2ª etapa
Importante desenvolver o conhecimento sobre os conceitos e/ou definição de litosfera, hidrosfera, atmosfera, biosfera, ciclo hidrológico, a posição central do homem no ecossistema e os efeitos do desmatamento, a saber:
a) interrupção do ciclo hidrológico com prejuízos climáticos (chuva);
b) erosão do solo;
c) assoreamento de rios;
d) deslizamento de solo ou terra das vertentes ou encostas dos morros;
e) risco de extinção de espécies vegetais;
f) migração e morte de animais ao perderem seu hábitat.

Atividade 2:

A interpretação desta canção permite uma sensibilização para a problemática sócio-ambiental decorrente das ações humanas na natureza.
1º momento:
Antes de colocar a música, apresentar seu título e deixar que eles manifestem seu pensamento sobre o que pensam que será tratado nesta letra. - Em sua opinião, quais assuntos serão abordados na música intitulada “Xote Ecológico”?
Apresente a música cantada tendo como pano de fundo uma apresentação de slides, que o professor poderá montar com imagens de plantas, animais e paisagens que expressam as frases da música.
2° momento:
 Distribua a letra da música e peça que tirem dela a mensagem, informações e apelos contidos:
- Que ideias e sentimentos esta música despertou em você?
- O que o autor quer dizer quando apresenta na música a frase “poluição comeu”? Qual o seu entendimento sobre o termo poluição?
- Quais são os problemas ambientais apresentados na música? E seus possíveis agentes causadores?
3º momento:
Organizar pequenos grupos e pedir que busquem informações junto ao livro sobre o conteúdo ecologia, objetivando estabelecer relações entre a música e o conteúdo.
- A partir da pesquisa realizada sobre ecologia, apresente uma justificativa para a música “Xote ecológico”?
- Represente por meio de um desenho a sua concepção de meio ambiente.
4º momento:
Ampliar as discussões da temática biodiversidade, relacionando os conhecimentos da natureza (Ciência), o mundo construído pelo homem (tecnologia) e seu cotidiano (sociedade), tendo em vista as implicações para o Ambiente.
Neste ponto, o professor pode chamar atenção para a frase “Até pinga da boa é difícil encontrar” e discutir com os alunos sobre a produção do álcool, que envolve interferência humana no meio ambiente, como a prática da monocultura e a produção de bicombustível.
5º momento:
Realizar uma pesquisa sobre a vida de Chico Mendes. Quem foi? Onde viveu? Quais foram suas contribuições na preservação do meio ambiente?
6° momento:
Listar músicas que falam sobre preservação ambiental


221- Nomes de gente” (Geraldo Azevedo e Renato Rocha)

“Nomes de gente”
Tem muito nome de gente
Muito significado
Prudêncio que é prudente
Tibor que é honrado
Hugo que é previdente
Reinaldo que é ousado
Tem muito nome de gente
Muito significado
Ataulfo é nobre lobo
Arnaldo águia potente
Arnoud é águia e lobo
Arlindo águia e serpente
Leandro homem leão
Leonardo leão forte
Catulo pequeno cão
Bernardo é urso forte
Tem nome de toda sorte
Luci quer dizer doce
Lia que é trabalhadora
Olga que é nobre moça
Berenice é vencedora
Tâmara é estrangeira
Estela que é estrela
No meio de todas elas
Só Vera que é verdadeira
Natalice e Natalino
Nasceram os dois no
Natal
Domingos foi num domingo
Na Páscoa nasceu Pascoal
Genaro foi em janeiro
Em março nasceu Marçal
Aurora porque nasceu
Na hora que nasce o sol
Tem muito nome e a gente
Cantou somente um bocado
É muito nome de gente
Prum verso de pé quebrado
A gente fica contente
Se ninguém ficar zangado
Se nesse quase repente
Seu nome não foi cantado

Para conversar:

Na música são trabalhadas, principalmente, a exploração e extrapolação sem abordagem gramatical. O trabalho de exploração do texto
consiste em fazer o aluno retirar do mesmo ideias interessantes, palavras que
rimam e buscar o significado do seu nome. Por exemplo:
- “Escreva as ideias do texto ‘Nomes de gente’ que você considerou mais interessantes”,
- “Releia a 5ª estrofe do poema(“Luci.../...verdadeira) e destaque
as palavras que rimam e as que não rimam.”. Ainda dentro da proposta de
exploração do texto
- “Em ‘Nomes de Gente’ você conheceu o significado de alguns nomes. E o seu nome? Você conhece o seu significado? Sabe qual foi o motivo da escolha? Pergunte a seus familiares e reúna as informações que conseguir.”
Na extrapolação, mostra uma carteira de identidade em frente
e verso e pede para que o aluno identifique todos os dados que ela
contém. Finalmente, no tópico produção, pede-se para que o aluno crie a
sua carteira de identidade com assinatura e impressão digital.


222- Conversa de Botequim
 (Noel Rosa)

Seu Garçom faça o favor de me trazer
depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d’água bem gelada
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol
Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto e nem pago a despesa
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro, um envelope e
um cartão
Não se esqueça de me dar palito
E um cigarro pra espantar mosquito
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste uma revista, um
cinzeiro e um isqueiro
Telefone ao menos uma vez
Para 34-4333
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
aqui pro nosso escritório
Seu garçom me empreste algum
dinheiro
Que eu deixei o meu com o bicheiro
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure essa despesa no cabide
ali em frente
Atividade:

A música tem forma poética. Identifique características nos textos que comprovem
essa afirmação.” . Solicita que os alunos identifiquem  palavras e expressões que mostrem a linguagem coloquial, bem como os trajes das personagens.


 223- Duas estações (Jorge Mello)

O lugar onde moro
Tem quatro estações por dia
Inverno, verão, primavera e outono
Dando baile na ecologia
Inverno, verão primavera e outono
Todo mundo se resfria
O lugar de onde eu vim
Só tem duas estações, meu bem
Uma é o verão e a outra
É a estação do trem
Essa letra de música é trabalhada (extrapolação e produção) dentro
de uma integração de três textos: em comparação a um mapa de previsão do
tempo que aparece anteriormente e com o texto que vem em seguida, “O
Tempo”, extraído de um livro de geografia da quinta série. O tópico exploração
se restringe a perguntas específicas do texto “Duas estações”, e a maioria
delas pode ser respondida com comprovação textual: “Quais os dois
significados dados no texto para a palavra ‘estação’”?


 224- Eduardo e Mônica (Renato Russo)

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque,
Noutro canto da cidade, como eles disseram
Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer.
Foi um carinha do cursinho do Eduardo que disse:
Tem uma festa legal e a gente quer se divertir.
Festa estranha, com gente esquisita:
Eu não estou legal, não agüento mais birita.
E a Mônica riu e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa:
É quase duas, eu vou me ferrar.
Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar.
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de camelo
O Eduardo achou estranho e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo.

Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis.
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês.
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus,
De van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô.
Ela falava coisas sobre o Planalto Central,
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda estava no esquema
”Escola-cinema-clube-televisão”.
E, mesmo com tudo diferente,
Veio mesmo de repente, uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser.
Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia,
Teatro e artesanato e foram viajar.
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar.
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar;
E ela se formou no mesmo mês
Em que ele passou no vestibular
E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois.
E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa,
Que nem feijão e arroz
Construíram uma casa uns dois anos atrás,
Mais ou menos quando os gêmeos vieram -
Batalharam grana e seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram.
Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão.
Só que nessas férias não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo ‘tá de recuperação.
Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Atividade:

 Em que veículo de comunicação a música foi publicada?”
 “Você gostaria de visitar e conhecer o Eduardo e a Mônica? Por quê?”
que incentivam a reflexão e suscitam o posicionamento dos alunos, exigindo
coerência no momento em que solicitam justificativas para as respostas.

Abordar um tema presente na vida desses adolescentes; conter um
ritmo apreciado tanto por crianças quanto jovens e adultos; marcar em versos
o gênero narrativo e seu linguajar fazer parte do contexto da língua falada
desse universo de público.


225- Deixa dizer - Ivan Lins e Vitor Martins (1973)

Refrão
Deixa, deixa, deixa...
Eu dizer o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar
Ah... Ah. Ah

Suportei meu sofrimento
De face mostrada e riso inteiro
Se hoje canto meu lamento
Coração cantou primeiro
E você não tem direito
De calar minha boca
Afinal me dói o peito
Uma dor que não é pouca
Tem dó!


226- Desabafo  -  versão de Marcelo D2, lançada em 2008

Refrão:
Deixa, deixa, deixa dizer
o que penso dessa vida
Preciso demais desabafar “
...
Eu já falei que tenho algo a dizer e disse
Que falador passa mal e você me disse.
Que cada um vai colher o que plantou.
Por que raiz sem alma como o flip falou é triste.
Andam dizendo que o bem vence o mal
Por aqui eu vou torcendo pra chegar ao final.
É, quando mais fé, mais religião.
A mão que mata, reza, reza ou mata em vão.
Me contam coisas como se fosse corpos.
Deixa pra La, eu devo tá viajando
Enquanto eu faço besteira,
nego via se matando.
Ok! Então vamos lá, diz:
Tu quer a paz, eu quero também
Mas o estado não tem direito de matar ninguém
Aqui não tem pena de morte,
mas segue o pensamento
O desejo de matar um capitão Nascimento
Que, sem treinamento, se mostrar incompetente,
O cidadão do outro lado se diz impotente, mas
A impotência não é uma escolha também
De assumir a própria responsabilidade, heim?

Atividade com as músicas Deixa dizer e Desabafo:

Trabalhar essas duas músicas, fazendo paralelo entre as duas realidades, conduzindo o aluno a analisar o tempo histórico, estabelecer relação entre permanências e transformações no processo histórico, extrair informações atuais e de outros tempos, identificar momentos de ruptura ou de irreversibilidade no processo histórico.
Pretende-se que a música seja trabalhada numa abordagem interdisciplinar, e para isso faz-se necessário um projeto que abranja todos esses aspectos.
A primeira preocupação que se deve ter ao escolher a música como documento histórico é conhecer o documento que se pretende utilizar, processo que se repete com qualquer outro documento histórico.
Quando se pensa em música como documento em sala de aula, essa música é uma das possibilidades, considerando que a mesma foi reescrita e atualizada por Marcelo D2, e pode ser comparada, fazendo paralelo entre o passado e o presente, analisando as realidades sob a ótica da música. Ao escolher essa música, o critério foi à forma como ela é bem aceita no meio da juventude da atualidade, e ao buscar informações e descobrir que ela também já influenciou outras juventudes.

227- Abalando  -  Gabriel Pensador

Gabriel, o Pensador o homem que eles amam odiar
Agora voltou para ham...ham tentar falar
Isso é se ninguém quiser me censurar me calar
(Manera rapaz
Da última vez eles te tiraram do ar)
Não eu não consegui acreditar nisso
Mas não vâmo esquecer e nem permanecer
omissos num caso que diz
Respeito ao direito de um cidadão
De carregar no peito a sua liberdade de expressão
Liberdade de expressão aqui? Há
Não existe
Eu fiz "Hoje eu tô feliz" e fiquei triste
Pois já não posso mais nem sair em paz
Os fdp confundem artistas com marginais
Mas eu não sou um marginal
Isso é um grande erro
Sou apenas um artista como todo brasileiro
E o meu erro foi dizer o que não devia
Acreditei que existia o quê: Democracia...
Então eu disse simplesmente o que o povo sente
Mas fui covardemente censurado pelo "Minha gente"
E a vontade que me dá não me venha perguntar
Eu vou falar
A vontade que me dá é de matar
É uma loucura ninguém cura esse país
se num acabarmos com a censura
Que me lembra a ditadura militar
"Cale-se! "Cuidado" Como é difícil acordar calado"
Eles não censuram só o artista
Eles censuram o povão
Pior do que acordar calado é acordar sem o pão
"Paiê cadê o pão?" Foi censurado "Paiê cadê o leite?" Foi censurado "Paiê o
Quê que é carne hein?"
Essa é a censura na panela de um descamisado
"Paiê cadê o ovo?" Foi censurado
"Paiê cadê o arroz?" Foi censurado porra
"Pai tem feijão?" – Não
Toma essa água suja com farinha
 e num reclama pra num ser processado
E a diversão era um futebol inocente
"Quero perder de vez sua cabeça"
(Então eu vi um pessoal numa pelada diferente
jogando futebol com a cabeça do Presidente)
"Cale-se" O povo unido outra vez foi vencido
Pediu pra ouvir meu rap mas não foi atendido
"Ué mas não existe mais censura no Brasil"
Amigo vai nessa que tu tá é fudido
E foi só uma cabeça que caiu
Nem demos a primeira então
não vâmo sair de cima ouviu?
Porque o Pensador veio falar do que passou
Eu te digo
Não se lembre do passado e o teu futuro será escuro
Não se esqueça o que passamos há tantos anos
Procure a luz
Mete o dedo na ferida vive a vida
Limpa o pus
E conduz o pensamento para o tempo que quiser
Fique atento não se esqueça
a gente abala quando quer
"Agora que lembramos um passado recente
Vamos falar do presente"
(E daqui pra frente?)
Não vamos nos intimidar
Chega de ser prego
É melhor ser o martelo rapá
Mas também não pense que o Brasil já foi pra frente
 pois como sempre ele
está no mesmo lugar
E sempre estará
Se a gente não se julga inteligente o suficiente pra mudar
Seria melhor se suicidar
Mas na verdade esse momento é de nascimento
(É a hora H) Não vamos nos alienar
Olhe pro seu lado e veja como o povo está
"A arte é de viver da fé”
“Só não se sabe fé em quê”
E que fé será se não for à fé em nós mesmos
(Isso aí Pensador)
"Get up Stand up" Você não veio ao mundo á toa
E se veio fazer algo faça alguma coisa boa
O que tá errado (tudo)
Deve ser mudado
Abalando as estruturas com o Pensador
(Tô ligado!)


Para conversar:

O interessante desta música na abordagem da ditadura militar de 1968 – 1975 é o fato de que ela por si só, já faz uma retrospectiva entre os fatos do passado dialogando com o presente.
Neste trecho, o compositor critica a atualidade fazendo um paralelo com o tempo da ditadura, sobre a falta de liberdade de expressão e a forma como eram tratados os artistas no regime militar, sendo vistos como marginais.
Nesta parte da música, seria interessante trabalhar a questão dos debates sobre censura e seus mecanismos na atualidade. De que tipo de censura o compositor está falando e a forma como está é percebida pelo povo. E buscando confirmar e comparar utiliza um trecho da música “cálice”, símbolo da luta contra a ditadura militar.
Aqui, o compositor afirma que a ditadura não se limitava aos artistas, mas a todo o povo brasileiro, que mesmo estando vivendo “o milagre econômico” não faziam parte do tal milagre. Fazendo ainda uma alusão ao seu momento histórico. Assim, uma abordagem que investigue o momento histórico em que a musica foi divulgada se faz importante para que o aluno perceba a importância da musica como documento e expressão social.
Neste do trecho da música, mais uma vez surgem versos da música “cálice”, onde expressa a vontade de ter sua liberdade de pensar. Critica a questão da utilização da política “pão e circo”. E da forma como a voz do povo foi calada com a violência.
Vem! A gente abala quando quer
A gente abala se quiser
Esta parte é clara, o povo é capaz de mudar a história. O que se completa com o trecho seguinte.
Abordando a questão da capacidade que o individuo tem de construir a história, o pensador convida a esquecer o passado, mas não esquecer tirando da memória, mas fazendo a diferença, tendo consciência do seu papel na sociedade como agente transformador e não permitir que o passado volte a fazer parte do presente.
228- Alagados - Paralamas do Sucesso

Eu tô falando de uma reformulação
Que começa na cabeça
e vai passando pelo coração
Se você tem cabeça e coração
Não seja um vegetal
Seja um cidadão
É "geração cara pintada"?
Não. Jovens em geral
Caras pretas, coroas,
 pessoas, malucos e caretas
(Entrem nessa união)
Não seja um imbecil meu irmão
Põe a mão na cabeça
Pára pra pensar
Nós Temos o poder de abalar...

Para conversar:

A música que critica o capitalismo, o trecho “A arte é de viver da fé, só não se sabe fé em que”, para descrever o povo em sua fé na política.
A busca por reforma na mentalidade do cidadão brasileiro, que se pretende que inicie na razão acima dos sentimentos. Agir, criticar, lutar, mudar, transformar e não vegetar.
Essa parte completa a música ao se referir ao movimento estudantil dos caras pintadas ocorrido em 1992 que foram as ruas para protestar e exigir a saída do presidente Fernando Affonso Collor de Mello. Mas ao se direcionar a geração cara pintada, está se generalizando, estendendo o convite a toda a sociedade de exercer o poder de mudar, de mover a história.


229- Luíza – Tom Jobim

Lua, espada nua,
bóia no céu imensa e amarela
Tão redonda lua, como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
e no silêncio lento
Um trovador cheio de estrelas
      
Escuta agora a canção que eu fiz
pra te esquecer, Luíza
Eu sou apenas um pobre amador, apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor, que eu sei que embaixo
dessa neve mora um coração
Vem cá, Luíza, me dá tua mão
Que o teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza, dá-me tua boca
E a rosa louca vem me dar um beijo
 e um raio de sol nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar, Luíza
Luíza, Luíza, Luíza

Para conversar:

Luíza foi a introdução do Estilo Literário, Trovadorismo, uma
vez que essa letra destaca a ideia de submissão do homem em relação à
mulher, a qual também se faz presente nas cantigas de amor.
O tema da canção aborda o amor não correspondido e a solidão.


230- Boi de Carro - Tonico e Tinoco e Anacleto Rosa

Fui buscar um boi de carro
Que estava na prisão
Pra levar pra matadouro
A pedido do patrão

Quando eu joguei o laço,
O animal pra mim olhou,
O que ele me falou
Foi de cortar o coração (bis)

Me disse assim portador,
Destino triste é o meu,
Eu não sei por qual motivo
O meu patrão me vendeu,

Ajudei a tanta gente
Fui escravo do roçado,
Depois de velho e cansado,
Ninguém me agradeceu, (bis)

Ao lado do boi vapor,
O meu primeiro parceiro
Só puxava o carro cheiro,
Obedecendo ao carreiro,

Na passagem do riacho,
Me ajoelhava no barro,
Ou desatolava o carro,
Ou quebrava o tanoeiro (bis)

Quem trabalhava comigo,
Batia por desaforo,
Cortava meu corpo inteiro
Com um chicote de couro,

Invés de me libertar,
Para morrer no cercado
Meu sangue vai ser jorrado,
Nas tábuas de um matadouro...

Para conversar:

Essa canção tem como inspiração a região rural do Brasil e do trabalho
forçado que era realizado por animais e pessoas, já que a mecanização era
inexistente. Trata ainda da exploração a qual o ser humano é submetido num
contexto neoliberal.
Quem fala na letra dessa música é o homem do campo, relembrando
com lamentações de um passado, ele era aceito porque era jovem e produtivo,
da mesma forma se reporta ao animal, inclusive se comparando a ele: “Eu tô
véio sem dinheiro, teu destino é igual ao meu.” Esse texto mostra a visão
capitalista e como o ser humano é visto nesse contexto.
O professor procurou contextualizar a letra das canções com o conteúdo
programático, portanto, no momento, em que se discutiam variações
linguísticas, a referida canção foi trazida para sala análise.
231- Disneylândia – Titãs

Filho de imigrantes russos casado na Argentina
Com uma pintora judia,
Casou-se pela segunda vez
Com uma princesa africana no México
Música hindú contrabandiada por ciganos poloneses faz sucesso
No interior da Bolívia zebras africanas
E cangurus australianos no zoológico de Londres.
Múmias egípcias e artefatos íncas no museu de Nova York
Lanternas japonesas e chicletes americanos
Nos bazares coreanos de São Paulo.
Imagens de um vulcão nas Filipinas
Passam na rede de televisão em Moçambique
Armênios naturalizados no Chile
Procuram familiares na Etiópia,
Casas pré-fabricadas canadenses
Feitas com madeira colombiana
Multinacionais japonesas
Instalam empresas em Hong-Kong
E produzem com matéria prima brasileira
Para competir no mercado americano    
Literatura grega adaptada
Para crianças chinesas da comunidade européia.
Relógios suiços falsificados no Paraguay
Vendidos por camelôs no bairro mexicano de Los Angeles.
Turista francesa fotografada semi-nua com o namorado árabe
Na baixada fluminense
Filmes italianos dublados em inglês
Com legendas em espanhol nos cinemas da Turquia
Pilhas americanas alimentam eletrodomésticos ingleses na Nova Guiné
Gasolina árabe alimenta automóveis americanos na África do Sul.
Pizza italiana alimenta italianos na Itália
Crianças iraquianas fugidas da guerra
Não obtém visto no consulado americano do Egito
Para entrarem na Disneylândia   

   
 232- Linda Juventude -  14 Bis

Zabelê, Zumbi, Besouro
Vespa fabricando mel
Guardo teu tesouro
Jóia marrom
Raça como nossa côr...

Nossa linda juventude
Página de um livro bom
Canta que te quero
Cais e calor
Claro como o sol raiou
Claro como o sol raiou...

Maravilha, juventude
Pobre de mim, pobre de nós
Via Láctea, brilha por nós
Vidas pequenas na esquina...

Fado, sina, lei, tesouro
Canta que te quero bem
Brilha que te quero
Luz andaluz
Massa como o nosso amor...

Nossa linda juventude
Página de um livro bom
Canta que quero cais e calor
Claro como o sol raiou
Claro como o sol raiou...

Maravilha, juventude
Tudo de mim, tudo de nós
Via Láctea, brilha por nós
Vidas bonitas da esquina...

Zabelê, Zumbi, Besouro
Vespa fabricando mel
Guardo teu tesouro
Jóia marrom
Raça como nossa côr...

Nossa linda juventude
Página de um livro bom
Canta que te quero
Cais e calor
Claro como o sol raiou
Claro como o sol raiou...


233- Admirável Gado Novo  -  Zé Ramalho

Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro,
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber,
E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer,
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer.

Ê, vida de gado...
Povo marcado,
Povo feliz...

Lá fora faz um tempo confortável,
A vigilância cuida do normal;
Os automóveis ouvem a notícia,
Os homens a publicam no jornal,
E correm através da madrugada,
A única velhice que chegou;
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou.

Ê, vida de gado...
Povo marcado,
Povo feliz...

O povo foge da ignorância,
Apesar de viver tão perto dela,
E sonham com melhores tempos idos,
Contemplam essa vida numa cela,
E esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar;
A Arca de Noé, o dirigível
Não voam nem se podem flutuar.

Ê, vida de gado...
Povo marcado,
Povo feliz...

Para conversar:

Essa música de Zé Ramalho, composta no final dos anos 70, período da Ditadura Militar no Brasil, sob a ótica da Crítica Literária Marxista. Essa linha crítica “analisa a Literatura em termos das condições históricas que a produzem”, envolvendo a luta de classes e tendo como objetivo a compreensão das ideologias presentes em qualquer obra literária.
De acordo com Marx, o aspecto material da sociedade condiciona o social, o político e, o que mais nos interessa, o intelectual e artístico em geral, ou seja, as relações sociais de uma forma geral dependem necessariamente das relações de produção.  Dessa forma ele define o conceito de infra-estrutura como as relações e forças de produção que são sustentadas, isto é, legitimadas por uma superestrutura “que assegura que a situação em que uma classe social tem poder sobre as outras seja vista pela maioria dos membros da sociedade como natural ou nem mesmo seja vista”.
Para o Marxismo, a arte, e por conseqüência a Literatura, faz parte dessa superestrutura. A contracultura e as vanguardas são exemplos da força crítica que tem a Arte Literária, bem como do seu poder de denúncia social e de exposição e mimetização da realidade.
Assim temos em “Admirável Gado Novo” uma forte crítica social, tendo em vista que o Brasil passava por um dos períodos mais negros da sua história. Vemos expressados nela a luta de classes, tão discutida por Marx, e um aspecto imprescindível nesse contexto que é a manutenção desse modelo social através da alienação das massas, metaforizada na figura do gado.
Vemos assim uma sociedade controlada, condicionada a viver em uma ordem estabelecida através do conformismo. Outro aspecto importante é que nesse “Mundo Novo” não há princípios morais e éticos. O controle se dá somente através da droga “soma” que surge como a representação dos instrumentos alienatórios da nossa sociedade, entre eles os meios de comunicação de massa como a televisão. Não há espaço para o questionamento, pois a “droga” elimina todas as dúvidas e continua a direcionar, é claro, de acordo a ordem dominante. É um mundo “admirável”, pois se apresenta como modelo exemplar de perfeição e ordem, contudo esconde as desigualdades e mazelas sociais.
A exploração do homem pelo homem é um dos pontos fortes sobre o qual se fundamenta a análise marxista da sociedade. E nesse sentido a expressão “massa” aparece como um forte indicador do anonimato, do tratamento não individual, essencialmente coletivo que o Capitalismo impõe aos indivíduos. Representa a necessidade da produtividade, bem como aquilo de pouco apuro, reflexão e qualidade, dada a falta de acesso da “massa” à educação e ao conhecimento de uma forma geral.
Uma outra faceta digna de maior discussão é a metáfora do gado. Afinal, que semelhanças podemos depreender, pela ideologia do compositor, entre o “povo marcado” e o gado? De fato não haveria um ser melhor para representar a submissão e o conformismo do que o gado, que se deixa ordenhar, direcionar e guiar pelos seus “donos”. A condição de manipulação e exploração a que se submete este animal ocorre desde a vida até a morte, na extração da carne para a alimentação humana.
A condição da classe dominada é semelhante, pois o aumento do lucro dos donos dos meios de produção é proporcional a degradação do trabalhador que quanto mais trabalha menos recebe. Além disso, existem mecanismos de alienação e direcionamento das massas para que essa situação de exploração não seja questionada ou sequer entendida. Tais mecanismos se constituem como importante instrumento da ordem estabelecida e favorecem àqueles que detêm o poder, pois onde não há contestação ou cobrança, a facilidade para o auto-favorecimento, a corrupção e a impunidade é muito maior. A conseqüência disso é o agravamento da desigualdade social e de todos os demais problemas sociais.
É justamente aos donos do poder que encontramos fortes críticas, pois é para eles que “lá fora faz um tempo confortável”, procurando cuidar do normal e manter a “ordem” das coisas. Em relação a isso, o autor faz uma menção simbólica à perseguição aos opositores do regime e a forma como esse sistema era mantido com o “gado” à margem da realidade da situação. É utilizando a arma do simbolismo, da metáfora, da duplicidade de sentido que Zé Ramalho empreende sua crítica a esse estado de coisas e aos que mantêm essa situação.
Essa condição de alienação e entorpecimento vivida pelo povo faz com que ele “contemple essa vida numa cela”. Essa prisão nada mais é do que a ignorância, o assujeitamento, o conformismo que impossibilitam a visão crítica e transformadora da sociedade. Preso ao sistema e dirigido por vontades alheias, exatamente como o rebanho no curral.
No fim da música temos uma menção à religião, esta é caracterizada como uma fuga empreendida pelo povo em face dos problemas que vivencia: “E esperam nova possibilidade/ De verem esse mundo se acabar; / A arca de Noé, o dirigível...”. Essa concepção sobre religião demonstrada pelo compositor assemelha-se ao pensamento marxista, pois na visão de Marx a religião é uma droga porque apazigua os ânimos do explorado impedindo-o de reagir à situação em que se encontra ao aceitá-la como natural.
Diante de tudo o que foi exposto podemos dizer que, na tentativa de compreender sob a ótica da Critica Marxista a ideologia da música “Admirável Gado Novo”, constatamos que ela apresenta diversos aspectos do pensamento de Marx sobre a sociedade tais como a luta de classes, a exploração do homem pelo homem, a alienação e a religião. Além disso, observamos que existem na mesma obra elementos de crítica ao regime ditatorial do período em que ela foi composta. Entretanto, essa crítica transcende o contexto histórico do autor e chega ao Universalismo por atacar também o sistema capitalista. Enfim, é uma obra rica, de densidade social muito forte e que serve como alerta para que o “povo feliz” e “marcado” deixe de ter uma “vida de gado”.  


234- Monte castelo   -   Legião Urbana

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria…
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja
Ou se envaidece…
O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói
E não se sente
É um contentamento
Descontente
É dor que desatina sem doer…
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria…
É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder…
É um estar-se preso
Por vontade
É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade
Tão contrário a si
É o mesmo amor…
Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade…
Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria…

Para conversar:

A música quando teve a inspiração da junção da bíblia e de Camões com trechos de duas grandes obras, e certamente tinha profundo conhecimento tanto de um quanto o outro, onde nos faz refletir da importância do conhecimento e do aprendizado. Homens que viveram em três épocas completamente distintos escrevendo e tentando mostrar a humanidade o valor deste que e o mais puro e importante de todos os sentimento, o AMOR.
O poema de Camões e o trecho bíblico do Apóstolo Paulo. Foi feita uma abordagem do amor ágape e amor Eros definindo cada um deles. A construção do sentido da letra ficou mais completa quando foi concluída a exploração linguística presentes na Proposta Didático-pedagógica. A canção serviu para introduzir a aula acerca de figuras de linguagem, aspectos do gênero poema e o Estilo literário Classicismo.


235- Garoto de aluguél   -   Zé Ramalho

Baby!
Dê-me seu dinheiro
Que eu quero viver
Dê-me seu relógio
Que eu quero saber
Quanto tempo falta
Para eu lhe esquecer
Quanto vale um homem
Para amar você...

Minha profissão
É suja e vulgar
Quero um pagamento
Para me deitar
E junto com você
Estrangular meu riso
Dê-me seu amor
Dele não preciso...

Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh!
Oooooooooh!
Baby!
Nossa relação
Acaba-se assim
Como um caramelo
Que chegasse ao fim
Na boca vermelha
De uma dama louca
Pague meu dinheiro
E vista sua roupa...

Deixe a porta aberta
Quando for saindo
Você vai chorando
E eu fico sorrindo
Conte pr'as amigas
Que tudo foi mal
(Tudo foi mal!)
Nada me preocupa
De um marginal...

Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh!
Oooooooooh!

Baby!
Dê-me seu dinheiro
Que eu quero viver
Dê-me seu relógio
Que eu quero saber
Quanto tempo falta
Para lhe esquecer
Quanto vale um homem
Para amar você...

Minha profissão
É suja e vulgar
Quero um pagamento
Para me deitar
E junto com você
Estrangular meu riso
Dê-me seu amor
Que dele não preciso...

Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh!
Oooooooooh!

Baby!
Nossa relação
Acaba-se assim
Como um caramelo
Que chegasse ao fim
Na boca vermelha
De uma dama louca
Pague meu dinheiro
E vista sua roupa...

Deixe a porta aberta
Quando for saindo
Você vai chorando
E eu fico sorrindo
(Vá!)
Conte pr'as amigas
Que tudo foi mal
(Tudo foi mal!)
Nada me preocupa
De um marginal...

Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh!
Oooooooooh!
Oooooooooh!


236- Rosa de Hiroshima – Ney Matogrosso
Composição: Vinícius de Moraes e Gerson Conrad

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária

A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada
 
Para conversar:

 Música de imensa sensibilidade, onde a letra nos faz lembrar das atrocidades causadas pela bomba atômica lançada sobre Hiroshima, durante a segunda guerra mundial.


237- Oceano  -  Djavan

Assim
Que o dia amanheceu
Lá no mar alto da paixão,
Dava prá ver o tempo ruir
Cadê você?
Que solidão!
Esquecera de mim?

Enfim,
De tudo o que
Há na terra
Não há nada em lugar
Nenhum!
Que vá crescer
Sem você chegar
Longe de ti
Tudo parou
Ninguém sabe
O que eu sofri...

Amar é um deserto
E seus temores
Vida que vai na sela
Dessas dores
Não sabe voltar
Me dá teu calor...

Vem me fazer feliz
Porque eu te amo
Você deságua em mim
E eu oceano
E esqueço que amar
É quase uma dor...

Só sei viver
Se for por você!


238- Eu Só Queria Entender -  Frejat

Ah, será que ninguém percebeu
que estamos girando no mesmo lugar?
Regredindo no tempo sem saber
aonde nós vamos chegar?
Maltratando a Mãe-Natureza e esse imenso altar?
Impondo a miséria no mundo em nome de um tal "bem estar"?

Eu só queria entender o porquê

Ah, será que um dia uma estrela-guia virá pra mostrar o nosso papel:
Que a vida é uma linha fininha e o homem é o seu carretel?

Eu só queria entender o porquê
Eu só queria entender o porquê

Ah, será que o sentido da vida é viver o prazer de ostentar o poder?
E depois, ao final, quando tudo acabar, o que vamos fazer?
Eu espero que o homem perceba que assim está se matando
Acabando com o mundo, sem ter, nem porque, é a razão de um insano

Eu só queria entender o porquê de viver
Eu só queria entender o porquê pra viver
Eu só queria entender o porquê pra dizer:
Eu só queria entender o porquê


239- Matança  -  Xangai

Cipó caboclo tá subindo na virola,
Chegou a hora do pinheiro balançar,
Sentir o cheiro do mato, da imburana,
Descansar, morrer de sono na sombra da barriguda;

De nada vale tanto esforço do meu canto,
Pra nosso espanto tanta mata ah, já vão matar,
Tal mata atlântica e a próxima amazônica,
Arvoredos seculares impossível replantar;

Que triste sina teve o cedro nosso primo,
Desde menino que eu nem gosto de falar,
Depois de tanto sofrimento seu destino,
Virou tamborete, mesa, cadeira, balcão de bar;

Quem por acaso ouviu falar da sucupira,
Parece até mentira que o jacarandá
Antes de virar poltrona, porta, armário,
Mora no dicionário, vida-eterna, milenar;

Quem hoje é vivo corre perigo
E os inimigos do verde, da sombra o ar,
Que se respira,
E a clorofila das matas virgens
Destruídas vão lembrar
Que quando chegar a hora
É certo que não demora,
Não chame Nossa Senhora
Só quem pode nos salvar;

É caviúna, cerejeira, baraúna,
Imbuia, pau-d'arco, solva,
Juazeiro, jatobá...
Gonçalo-alves, paraíba, itaúba,
Louro, ipê, paracaúba,
Peroba, massaranduba;
Carvalho, mogno, canela, imbuzeiro,
Catuaba, janaúba, arueira, araribá;
Pau-ferro, angico, amargoso, gameleira,
Andiroba, copaíba, pau-brasil, jequitibá.

Quem hoje é vivo corre perigo......


240- Saga da Amazônia -  Elomar

Era uma vez na AMAZÔNIA, a mais bonita floresta
Mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
No fundo d'água as IARAS, caboclo lendas e mágoas
E os rios puxando as águas.

PAPAGAIOS, PERIQUITOS, cuidavam de suas côres
Os peixes singrando os rios, curumins cheios de amores
Sorria o JURUPARI, UIRAPURU, seu porvir
Era: FAUNA, FLORA, FRUTOS E FLÔRES.

Toda mata tem caipora para a mata vigiar
Veio CAIPORA de fora para a mata definhar
E trouxe DRAGÃO-DE-FERRO, prá comer muita madeira
E trouxe estilo GIGANTE, prá acabar com a capoeira.

Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
Pro DRAGÃO cortar a madeira e toda a mata derrubar
Se a floresta meu amigo tivesse pé prá andar
Eu garanto meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá.

O que se corta em segundos gasta tempo prá vingar
E o fruto que dá no cacho pra gente se alimentar??
Depois tem o passarinho, tem o ninho, tem o ar
IGARAPÉ, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar.

Mas o DRAGÃO continua a floresta devorar
E quem habita essa mata pra onde vai se mudar???
Corre o ÍNDIO, SERINGUEIRO, PREGUIÇA, TAMANDUÁ
TARTARUGA, pé ligeiro, corre-corre TRIBO DOS KAMAIURÁ

No lugar que havia mata, hoje há perseguição
Grileiro mata posseiro só pra lhe roubar seu chão
Castanheiro, seringueiro já viraram até peão
Afora os que já morreram qual ave-de-arribação
Zé de nana ta de prova, naquele lugar tem cova
Gente enterrada no chão:

Pois mataram ÌNDIO que matou grileiro que matou posseiro
Disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
ROUBOU SEU LUGAR

Foi então que um VIOLEIRO chegando na região
Ficou tão penalizado que escreveu essa CANÇÃO
E talvez, desesperado com tanta DEVASTAÇÃO
Pegou a primeira estrada sem rumo, sem direção
Com os olhos cheios de água, sumiu levando esta mágoa
dentro do seu CORAÇÃO

Aqui termina essa história para gente de valor
Pra gente que tem memória muita crença muito amor
Pra defender o que ainda resta sem rodeio, sem aresta
EA UMA VEZ UMA FLORESTA NA LINHA DO EQUADOR.


241- Roda Viva - Chico Buarque

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo (etc.)


242- Alegria, Alegria -  Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou

O sol se reparte em crimes,
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e brigitte bardot
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores.
Amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço, sem documento,
Eu vou

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome sem telefone
No coração do brasil

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou
Por que não, por que não...

Para conversar:

Alegria, Alegria" é uma canção da autoria de Caetano Veloso que foi um dos marcos iniciais do movimento tropicalista em 1967.


243- Súplica Cearense  - Luiz Gonzaga)

Uou ô ô.... (vocalização)

Oh Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair, cair sem parar

Oh Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso que o sol se arretirou
Fazendo cair toda chuva que há

Oh Senhor, eu pedi para o sol se esconder um pouquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta, uma planta no chão

Oh meu Deus, se eu não rezei direito,
A culpa é do sujeito
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Uou ô ô.... (vocalização)

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheio de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar, retirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
E agora o inferno queima o meu humilde Ceará

Oh Senhor, eu pedi para o sol se esconder um pouquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta, uma planta no chão ê ê

Uou ô ô.... (vocalização)

Ganancia demais
A chuva não cai mais
Corro demais
Política demais
Tristeza demais
Interesse tem demais
Ganancia demais
A Fome demais
A Falta demais
Promessa demais
Seca demais
A chuva não tem Mais
Ganancia demais
Chuva tem não tem não tem é demais
Pobreza demais
Povo tem demais
(mistura alguns trechos)
O povo sofre demais...


244- From United States of Piauí - Luiz Gonzaga

Unite States of...
Unite States of...
Unite States of...
... of Piauí
A minha prima lá do Piauí
Deixou de fazer renda só pra ver novela
A minha prima lá do Piauí
Não bebe mais garapa: vai de coca-cola
Luz de Candeeiro não se usa mais
Luz artificial substitui o gás
Calça de couro, alvorada e brim
Deram o seu lugar pra uma tal calça lee
A minha prima escreveu pra mim
E não fala "venha cá", só fala "come here"
Vou mandar minha resposta breve
Para United States of Piauí


245- Desordem  -  Titãs
(Sérgio Britto/Marcelo Fromer/Charles Gavin)

Os presos fogem do presídio,
Imagens na televisão
Mais uma briga de torcidas,
Acaba tudo em confusão
A multidão enfurecida,
Queimou os carros da polícia
Quando estão fora de controle
Não são a regra exceção
Não é tentar o suicídio
Querer andar na contramão?
Quem quer manter a ordem?
Quem quer criar desordem?
Não sei se existe mais justiça,
Nem quando é pelas próprias mãos
Nas invasões nos Linchamentos
Como não ver contradição?
Não sei se tudo vai arder
Igual a um líquido inflamável
O que mais pode acontecer
Neste país rico, no entanto miserável
Em que pese isso sempre há, graças a deus
Quem acredite no futuro...
Quem quer manter a ordem?
Quem quer criar desordem?
É seu dever manter a ordem,
É seu dever de cidadão,
Mas o que é criar desordem,
Quem é que diz o que é ou não?
São sempre os mesmos governantes,
Os mesmos que lucraram antes
Põe a esperança lado a lado
Às filas de desempregados
Que tudo tem que virar óleo
Pra por na máquina do estado
Quem quer manter a ordem?
Quem quer criar desordem?

Para conversar: assunto sobre a desobediência civil.


246-Problema Social - Ana Carolina

Se eu pudesse eu dava um toque em meu destino
Não seria um peregrino nesse imenso mundo cão
E nem o bom menino que vendeu limão
E trabalhou na feira pra comprar seu pão
E nem o bom menino que vendeu limão
E trabalhou na feira pra comprar seu pão
Não aprendia as maldades que essa vida tem
Mataria a minha fome sem
ter que roubar ninguém
Juro que eu não conhecia a famosa funabem
Onde foi a minha morada desde os tempos de neném
É ruim acordar de madrugada
pra vender bala no trem
Se eu pudesse eu tocava em meu destino
Hoje eu seria alguém
É ruim acordar de madrugada
pra vender bala no trem
Se eu pudesse eu tocava em meu destino
Hoje eu seria alguém
Seria eu um intelectual
Mas como não tive chance de ter
estudado em colégio legal
Muitos me chamam pivete
Mas poucos me deram um apoio moral
Se eu pudesse eu não seria um problema social
Se eu pudesse eu dava um toque em meu destino
Não seria um peregrino nesse imenso mundo cão
E nem o bom menino que vendeu limão
E trabalhou na feira pra comprar seu pão
E nem o bom menino que vendeu limão
E trabalhou na feira pra comprar seu pão
Não aprendia as maldades que essa vida tem
Mataria a minha fome sem ter que roubar ninguém
Juro que eu não conhecia a famosa funabem
Onde foi a minha morada desde os tempos de neném
É ruim acordar de madrugada pra vender bala no trem
Se eu pudesse eu tocava em meu destino
Hoje eu seria alguém
É ruim acordar de madrugada
pra vender bala no trem
Se eu pudesse eu tocava em meu destino
Hoje eu seria alguém
Seria eu um intelectual
Mas como não tive chance de ter
 estudado em colégio legal
Muitos me chamam pivete
Mas poucos me deram um apoio moral
Se eu pudesse eu não seria um problema social
247-Até Quando Esperar - Plebe Rude

Não é nossa culpa nascemos já com uma benção
Mas isso não é desculpa pela má distribuição

Com tanta riqueza por aí, onde é que está (BIS)
Cadê sua fração?

Até quando esperar?
E cadê a esmola que nós damos
Sem perceber?
que aquele abençoado
Poderia ter sido você

Com tanta riqueza por aí, onde é que está
cadê sua fração? (BIS)

Até quando esperar a plebe ajoelhar (BIS)
Esperando a ajuda de Deus

Posso vigiar seu carro te pedir trocados
Engraxar seus sapatos (BIS)
Não é nossa culpa nascemos já com uma benção
mas isso não desculpa pela má distribuição
Com tanta riqueza por aí, onde é que está
cadê sua fração?
Até quando esperar a plebe ajoelhar
esperando a ajuda de Deus
Até quando esperar a plebe ajoelhar
esperando a ajuda de um divino Deus


248- Opinião   -   Nara Leão

Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião.
Daqui do morro eu não saio não,
daqui do morro eu não saio não.

Se não tem àgua, eu furo um poço
Se não tem carne,
eu compro um osso e ponho na sopa
E deixo andar, deixo andar

Fale de mim quem quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã, seu doutor
Estou pertinho do céu
Podem me prender, podem me bater
Podem até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião

Daqui do morro eu não saio não,
daqui do morro eu não saio não...

Podem me prender , podem me bater,
que eu não mudo de opinião,
que eu não mudo de opinião...


249- Corrupção  -  Ana Carolina

Neste Brasil corrupção
pontapé bundão
puto saco de mau cheiro
do Acre ao Rio de Janeiro
Neste país de manda-chuvas
cheio de mãos e luvas
tem sempre alguém se dando bem
de São Paulo a Belém
Pego meu violão de guerra
pra responder essa sujeira
E como começo de caminho
quero a unimultiplicidade
onde cada homem é sozinho
a casa da humanidade
Não tenho nada na cabeça
a não ser o céu
não tenho nada por sapato
a não ser o passo
Neste país de pouca renda
senhoras costurando
pela injustiça vão rezando
da Bahia ao Espírito Santo
Brasília tem suas estradas
mas eu navego é noutras águas
E como começo de caminho
quero a unimultiplicidade
onde cada homem é sozinho
a casa da humanidade




250-  Aluga-se   -   Raul Seixas

A solução pro nosso povo
Eu vou dá
Negócio bom assim
Ninguém nunca viu
Tá tudo pronto aqui
É só vim pegar
A solução é alugar o Brasil!...

Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
É tudo free!
Tá na hora agora é free
Vamo embora
Dá lugar pros gringo entrar

Esse imóvel tá prá alugar
Ah! Ah! Ah! Ah! Ah! Ah!...

Os estrangeiros
Eu sei que eles vão gostar
Tem o Atlântico
Tem vista pro mar
A Amazônia
É o jardim do quintal
E o dólar dele
Paga o nosso mingau...

Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
É tudo free!
Tá na hora agora é free
Vamo embora
Dá lugar pros gringo entrar
Pois esse imóvel está prá alugar
Alugar! Ei!
-Grande Solução!...

Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
Agora é free!
Tá na hora é tudo free
Vamo embora
Dá lugar pros outro entrar
Pois esse imóvel tá prá alugar
Ah! Ah! Ah! Ah!
Nós não vamo paga nada
Nós não vamo paga nada
Agora é free!
Tá na hora é tudo free
Vamo embora
Dá lugar pros gringos entrar
Pois esse imóvel
Está prá alugar...

Está Prá Alugar Meu Deus!
Nós não vamo paga nada!
Nós não vamo paga nada!
É tudo free!
Vamo embora!
- Ave Maria da rua-   Raul Seixas

No lixo dos quintais
Na mesa do café
No amor dos carnavais
Na mão, no pé, oh
Tu estás, tu estás
No tapa e no perdão
No ódio e na oração

Teu nome é Yemanjah (Yemanjah)
E é Virgem Maria
É Glória e é Cecília
Na noite fria
Oh, minha mãe
Minha filha tu és qualquer mulher
Mulher em qualquer dia

Bastou o teu olhar (Teu olhar)
Pra me calar a voz
De onde está você
Rogai por nós
Ooooh, Ooooh!
Minha mãe, minha mãe
Me ensina a segurar
A barra de te amar

Não estou cantando só
Cantamos todos nós
Mas cada um nasceu
Com a sua voz,
Ooooh, Ooooh!
Pra dizer, pra falar
De forma diferente
O que todo mundo sente

Segure a minha mão
Quando ela fraquejar
E não deixe a solidão
Me assustar
Ooooh, Ooooh!

Minha mãe, nossa mãe
e mata minha fome
Nas letras do teu nome
Ooooh, Ooooh!

Minha mãe, nossa mãe
E mata minha fome
Nas letras do teu nome
Ooooh, Ooooh!
minha mãe, nossa mãe
E mata minha fome
Na glória do teu nome.


251- Eu nasci há dez mil anos atrás - Raul Seixas

-"Um dia, numa rua da cidade
Eu vi um velinho
Sentado na calçada
Com uma cúia de esmola
E uma viola na mão
O povo parou prá ouvir
Ele agradeceu as moedas
E cantou essa música
Que contava uma história
Que era mais ou menos assim:"

Eu nasci!
Há dez mil'anos atrás
E não tem nada nesse mundo
Que eu não saiba demais...(2x)

Eu vi Cristo ser crucificado
O amor nascer e ser assassinado
Eu vi as bruxas pegando fogo
Prá pagarem seus pecados
Eu vi!...

Eu vi Moisés
Cruzar o Mar Vermelho
Vi Maomé
Cair na terra de joelhos
Eu vi Pedro negar Cristo
Por três vezes
Diante do espelho
Eu vi!...

Eu nasci! (Eu nasci!)
Há dez mil'anos atrás
(Eu nasci há 10 mil anos!)
E não tem nada nesse mundo
Que eu não saiba demais...(2x)

Eu vi as velas
Se acenderem para o Papa
Vi Babilônia
Ser riscada no mapa
Vi Conde Drácula
Sugando sangue novo
E se escondendo atrás da capa
Eu vi!...

Eu vi a arca de Noé
Cruzar os mares
Vi Salomão cantar
Seus salmos pelos ares
Eu vi Zumbi fugir
Com os negros prá floresta
Pr'o Quilombo dos Palmares
Eu vi!...

Eu nasci! (Eu nasci!)
Há dez mil'anos atrás
(Eu nasci há 10 mil anos!)
E não tem nada nesse mundo
Que eu não saiba demais...(2x)

Eu vi o sangue
Que corria da montanha
Quando Hitler
Chamou toda Alemanha
Vi o soldado
Que sonhava com a amada
Numa cama de campanha
Eu li!
Ei li os símbolos
Sagrados de umbanda
Eu fui criança prá
Poder dançar ciranda
Quando todos
Praguejavam contra o frio
Eu fiz a cama na varanda...

Eu nasci! (Eu nasci!)
Há dez mil'anos atrás
(Eu nasci há 10 mil anos atrás!)
E não tem nada nesse mundo
Que eu não saiba demais...(2x)

Não! Não!
Eu tava junto
Com os macacos na caverna
Eu bebi vinho
Com as mulheres na taberna
E quando a pedra
Despencou da ribanceira
Eu também quebrei a perna
Eu também...

Eu fui testemunha
Do amor de Rapunzel
Eu vi a estrela de Davi
Brilhar no céu
E pr'aquele que provar
Que eu tô mentindo
Eu tiro o meu chapéu...

Eu nasci! (Eu nasci!)
Há dez mil'anos atrás
(Eu nasci há 10 mil anos atrás!)
E não tem nada nesse mundo
Que eu não saiba demais...(3x)


252- Gitã  -  Raul Seixas

Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando,
foi justamente num sonho que Ele me falou:

Às vezes você me pergunta
Por que é que eu sou tão calado,
Não falo de amor quase nada,
Nem fico sorrindo ao teu lado.

Você pensa em mim toda hora.
Me come, me cospe, me deixa.
Talvez você não entenda,
Mas hoje eu vou lhe mostrar.

Eu sou a luz das estrelas;
Eu sou a cor do luar;
Eu sou as coisas da vida;
Eu sou o medo de amar.

Eu sou o medo do fraco;
A força da imaginação;
O blefe do jogador;
Eu sou!... Eu fui!... Eu vou!...

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou o seu sacrifício;
A placa de contra-mão;
O sangue no olhar do vampiro
E as juras de maldição.

Eu sou a vela que acende;
Eu sou a luz que se apaga;
Eu sou a beira do abismo;
Eu sou o tudo e o nada.

Por que você me pergunta?
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou feito da terra,
Do fogo, da água e do ar!

Você me tem todo dia,
Mas não sabe se é bom ou ruim.
Mas saiba que eu estou em você,
Mas você não está em mim.

Das telhas eu sou o telhado;
A pesca do pescador;
A letra "A" tem meu nome;
Dos sonhos eu sou o amor.

Eu sou a dona de casa
Nos pegue pagues do mundo;
Eu sou a mão do carrasco;
Sou raso, largo, profundo.

Gita! Gita! Gita!
Gita! Gita!

Eu sou a mosca da sopa
E o dente do tubarão;
Eu sou os olhos do cego
E a cegueira da visão.

Eu!
Mas eu sou o amargo da língua,
A mãe, o pai e o avô;
O filho que ainda não veio;
O início, o fim e o meio.
O início, o fim e o meio.
Eu sou o início,
O fim e o meio.
Eu sou o início
O fim e o meio.

Para conversar:

Gita é baseada no livro sagrado indiano escrito há 6 mil anos é o livro sagrado mais antigo da face da Terra.Bhagavad-Gitã, parte do Mahabarata, que seria a “bíblia” da religião hindu de Krishna. No texto um guerreiro, Arjuna, interroga Krishna sobre o seu significado (de Krishna). Krishna responde com frases como: “Entre as estrelas sou a lua… entre os animais selvagens sou o leão… dos peixes eu sou o tubarão…. de todas as criações eu sou o início e também o fim e também o meio… das letras eu sou a letra A… eu sou a morte que tudo devora e o gerador de todas as coisas ainda por existir… sou o jogo de azar dos enganadores…” em que obviamente se basearam os versos de Gita. ..
A doutrina da religião hinduísta é baseada no panteísmo. O panteísmo é a crença em que Deus está em todas coisas da natureza, não está em um só lugar e não é um determinado ser ou pessoa; deus para os hinduístas é a própria natureza. É isso o que diz a música toda: “Eu sou a luz das estrelas, Eu sou a cor do luar, Eu sou as coisas da vida, Eu sou o medo de amar”; “Por que você me pergunta, perguntas não vão lhe mostrar que Eu sou feito da terra, do fogo, da água e do ar…”.
A música foi inspirada do livro Bhagavad Gita, um livro indiano que na verdade, ninguém sabe quem realmente escreveu, é um dos livros mais antigos para os indianos como é a Bíblia para os cristãos.
Esse livro fala da história da revelação do Todo, do absoluto, do que é a vida, do que é DEUS, o que seria a revelação da grande resposta.
Quando a música Gita, do Raul Seixas, diz: Eu sou isso, eu sou aquilo, não está falando do Raul Seixas, de maneira nenhuma, está falando de cada um de nós. Ou seja, do nosso espírito, cada um é a sua própria estrela, luz ou treva, céu ou abismo.
Por mais que a parte exterior do ser humano possa brilhar como uma estrela do céu, o seu interior apesar de está para muitos invisíveis, essa parte que é o nosso espírito, é como a lua que querendo agente ou não, jamais deixará de vê-la em uma linda noite de lua cheia estando a lua bem no centro do céu.
ATIVIDADES:

1. Elaboração de um breve texto em casa sobre o tema da primeira aula de no máximo 15
linhas, com o objetivo de propiciar uma reflexão e material para análise posterior.
2. Participação nas aulas, por meio de perguntas realizadas pelos alunos, de respostas frente
à perguntas propostas pela professora, com o objetivo de exercitar a auto observação da fala, do pensamento, de propiciar desenvolvimento da fala, da defesa de idéias, do raciocínio, da autonomia do pensamento, da interpretação da fala e do texto escrito, do exercício do diálogo, da tolerância com as diferenças, da reflexão sobre as responsabilidades sócias.
3. Aplicação de um questionário para ser respondido:
A. O que é a Filosofia?
B. Qual é a importância, para você, do ensino de Filosofia?
C. Fazer uma análise do poema “GITA” com base no texto “Os pré Socráticos”, destacando a máxima de Protágoras “O Homem é a medida de todas as coisas”.


253- Metamorfose ambulante -  Raul Seixas
Prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

Eu quero dizer
Agora, o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor

Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator

É chato chegar
A um objetivo num instante
Eu quero viver
Nessa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo

Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor

Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator

Eu vou lhe desdizer
Aquilo tudo que eu lhe disse antes
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...


254- Ouro de tolo  -  Raul Seixas

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...
Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Ah!
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...


255- Desigualdade social - Ham Cheese

Eles prometem:
Democracia, liberdade
Educação, dignidade
Mais so recebemos:
Miseria, falsidade
Corrupção e desigualdade
Cade a nossa igualdade?

Igualdade social, igualdade social
Queremos apenas ser iguais,
igualdade nessa nação
Desigualdade social,
desigualdade social
Agora nao queremos mais,
pois somos todos cidadão

Poucos ganham muito
E muitos ganham pouco
Deveria ser ao contrario
Ou só estou louco
Enquanto uns andam de limosine
Outros andam de carroça
Enquanto uns comem mais do que pode
Outros morrem de fome

Igualdade social, igualdade social
Queremos apenas ser iguais,
igualdade nessa nação
Desigualdade social,
desigualdade social
Agora nao queremos mais,
pois somos todos cidadão

Enquanto uns tem conta na Suiça
Outros ainda desconhecem o dinheiro
Enquantos uns vivem em mansão
Outros dormem em chiqueiro
Enquanto uns vivem no luxo e sussegados
Outros passam frio
de tanto estarem rasgados
Enquanto uns veem a luz do sol brilhar
Outros veem a luz da noite
por nao ter onde morar.


Disponível em www.literal.com.br/artigos
Acesso em: 25/09/2011